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domingo, 1 de dezembro de 2019

Geni será sempre Geni


Em 1979, Chico Buarque adentra a mente feminina e reflete sobre moral e ética em sua música “Geni e o Zepelim”. Nela, Chico conta a história de Geni, mulher que é julgada em sua cidade por se deitar com as pessoas que se deita. Na música, lê-se “O seu corpo é dos errantes / Dos cegos, dos retirantes / É de quem não tem mais nada”, ou seja, Geni é questionada por se deitar com homens quaisquer. Ainda em outro trecho diz “Joga pedra na Geni! / Ela é feita pra apanhar! / Ela é boa de cuspir! / Ela dá pra qualquer um! / Maldita Geni!”, assim, segundo a sociedade, Geni deveria sofrer consequências por seus atos, que eram julgados absurdos.

Porém, depois de algum tempo, chega na cidade um zepelim (balão dirigível) disposto a acabar com o lugar caso Geni não dormisse com seu comandante, um homem nobre, temido e poderoso. O forasteiro fora totalmente conquistado. Mas Geni não o queria, a música diz “Acontece que a donzela / (E isso era segredo dela) / Também tinha seus caprichos / E ao deitar com homem tão nobre / Tão cheirando a brilho e a cobre / Preferia amar com os bichos”, mas os moradores da cidade imploram para que a bela donzela deite com o guerreiro. Mesmo contra sua vontade, Geni se deita com o homem, deixa-o se aproveitar de seu corpo a noite inteira mesmo que não o quisesse, o vê indo embora aliviada e acredita que fez o bem para todos. Porém, a cidade logo volta a cantar ““Joga pedra na Geni! / Ela é feita pra apanhar! / Ela é boa de cuspir! / Ela dá pra qualquer um! / Maldita Geni!”.

Geni tem sua moral e ética julgados por se deitar com homens quaisquer. Geni se deita com um bravo comandante por pedidos da cidade. Geni acredita que agora sim terá seu descanso. Geni permanece Geni. Geni será sempre Geni.


Alanna Fontes
99184

sábado, 31 de agosto de 2019

Portadores de liberdade


Apesar de se reduzir cada vez mais o campo da ética, me arrisco a dizer que somos os únicos seres existentes no universo dotados da capacidade de escolher, decidir e julgar a maneira a qual devemos viver. A cada passo que damos surgem milhões de hipóteses de vida cogitada, a cada passo, o homem escolhe, opta e renuncia a vida que ira viver. Entretanto, em um mundo com uma complexidade de valores, uma diversidade enorme de grupos e éticas diferentes, onde cada um é capaz de criar sua própria hierarquia de princípios, normas e regras, não é de se esperar nada menos que um pouco de caos.

Independentemente dos grandes eventos de civilização, como a “ Declaração Universal dos Direitos Humanos”, dos inúmeros costumes e valores que hoje regem a sociedade, acredito que somos seres plenamente capazes de escolher os nossos próprios critérios de vida e hierarquiza-los conforme a nossa própria  visão de mundo, além de arcar com as perdas e ganhos que acompanham cada escolha que fazemos. Portanto, por trás dessa “ liberdade’’ toda há um crescente sentimento de angustia, acentuada principalmente nos últimos anos, instigada pela constante incerteza da vida e pela ética que propõe um exercício de escolha permanente.

Sendo assim, é possível afirmar que a ética não é uma solução pronta e acabada e nem um protocolo simplificador da existência, ela é um conjunto de valores, critérios  e princípios  que utilizamos para nossa própria conduta, critérios esses que devem ser levados em conta o tempo, as circunstancias, o momento e a ocasião dos fatos.Todavia, se o mundo que hoje temos é resultado das escolhas que fizemos cabe a nos como portadores dessa liberdade suportar a angústia e assumir as responsabilidades de todas as nossas decisões.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

The Good Place: ética e o mito do paraíso


A série original Netflix The Good Place retrata a vida pós-morte da personagem nada convencional Eleanor Shellstrop e os conflitos morais e éticos enfrentados por alguém que, supostamente, não deveria estar no paraíso. Apesar do enfoque cômico e fictício, The Good Place levanta questões relevantes da existência humana e da filosofia, assim como seus respectivos filósofos.
Durante a primeira temporada, Eleanor (Kristen Bell) entra acidentalmente no paraíso e, para tentar permanecer por lá, pede lições de como ser uma boa pessoa de sua alma gêmea, Chidi Anagonye (William Jackson Harper), um professor de filosofia moral e ética. O confronto entre os valores individuais da personagem principal e os valores sociais impostos para ser uma boa pessoa é constante na narrativa.
Ao deparar-se com o conflito de ser uma pessoa extremamente egoísta e por consequência não pertencer à terra sagrada, Eleanor compreende os conceitos de bondade, ética e moral em uma aula ministrada por Chidi. Conforme a Teoria da Ação, Eleanor conscientiza seus erros passados e começa a deliberar suas futuras ações para, assim, merecer uma pós-morte no “good place”. Nesse contexto, questiona-se a motivação para a bondade humana, afinal, o altruísmo puro existe? O ser humano nasce bom e a sociedade o corrompe? O homem é o lobo do homem?
As respostas para essas perguntas não são obtidas, pois o objetivo é instigar o telespectador a questionar o modelo de vida moderno: a etiqueta exigida em prol do bem-estar social, a ética implícita em cada ação e o sistema no qual estamos inseridos.
A existência humana se concebe por meio de um sistema social; apesar do livre arbítrio individual, escolhas pessoais geram consequências para todo o grupo, bem como são previstas por contextos, como classe, gênero, raça, sexualidade, entre outras divisões sociais. Por conseguinte, a construção e evolução da personagem é visível no momento em que esta começa a enxergar-se como parte de um grupo e zelar para que suas ações sejam boas para todos ou, em outra palavra, éticas. Logo, Eleanor reconstrói seus princípios morais.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Liberdade e medo na ética cristã


O medo do juízo final e a verdadeira ética cristã

Um dos pontos sobre a ética verdadeira, que se constrói como ações de valores elevados, vindos de um espírito honrado, justo e sincero é a necessidade da liberdade para sua manifestação. Um ato só será ético se não for obrigatório, e o homem necessita da sua liberdade intrinsecamente. Caso não tenha essa liberdade, ao invés de agir com justiça por medo daquele que se impõe, nascerá no seu coração a barbárie e o espírito autodestrutivo, que em certo momento lutará pela anarquia. Quando pensamos na ética cristã, temos diante de nós uma confusão que precisa ser pensada e respondida, a saber, a ordem de Cristo para teme-Lo e ama-Lo. Levantam-se então dois pontos: a ética cristã, como apontada por Cristo, vem de um coração sincero e de forma voluntária, enquanto o mesmo Cristo não exclue o temor ao Seu Nome.

O que a Bíblia chama de temor

O temor para a Biblia, e o medo do juízo certamente não são conceitos  tão óbvios quanto pensamos. Nosso temor não nasce do medo da punição: nasce do profundo entendimento do caráter de Deus e mesmo os crentes que não temem mais a punição e possuem a certeza da vida eterna ao lado de seu amado Criador, devem exercê-lo o mais profundamente possível. Esse entendimento, porém, faz em nós nascer o medo da punição, não apenas por observar atributos como poder e soberania, mas também quando nos damos conta de sua bondade e beleza. Pois se Deus é bom e não nos aproximamos de Sua bondade em nossas ações, somos certamente dignos de punição e sua grande mão pesa sobre nós.  E é certamente impossível que os homens não temam em nível nenhum, por mais que cheguem próximos dessa condição, pois está escrito “Deus colocou a eternidade no coração dos homens.” (Eclesiastes 3). Posto isso, o medo da punição, em certo nível, vem do entendimento ético e busca, no coração dos homens, produzir ética. 
O final do sermão do monte nos apresenta uma visão interessante da visão de Cristo sobre a punição. Ele afirma “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu Nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal!”  Eis uma fala interessante, pois Cristo lida com o medo de punição daqueles líderes religiosos que constantemente o interpelavam e com as ações inclusive miraculosas dos falsos profetas que seu povo conheceria, e que eram desprovidos de entendimento e amor verdadeiro pelo Reino de Deus. Ele não exclue a punição, mas a estabelece com um objetivo maior: é no entendimento do caráter divino que tememos a punição e se nos agarramos a Cristo como instrumento para nossa salvação, somos capazes de agir agora em boas ações por gratidão.

E a ética com isso?

Se para a Teoria da ação é necessário que para um agir ético não exista medo da punição, mas uma liberdade que revelará apenas o que é sincero, a religião verdadeira para Cristo exige uma sinceridade que perpassa pelo medo de punição mas que é enraizado no amor. Pois é somente pela ação do Espírito de Deus é que somos capazes dos mais nobres sentimentos e virtudes. A isso damos o nome, na teologia reformada, de depravação total.  O conceito se baseia na ideia de que todo o coração humano é incapaz de qualquer ação boa, justa e verdadeira, mas capaz de toda e qualquer perversidade¹, uma vez que “Ele vos deu vida, enquanto vocês estavam mortos em pecados e delitos e seguiam o curso deste mundo e faziam a vontade daquele que governa os poderes espirituais do espaço, o espírito que agora controla os que desobedecem a Deus.” (Efesios 2: 1,2) Em outras palavras, os pensamentos e ações que não contam com a graça de Cristo são governados pelas próprias forças do inferno.
Entretanto, aquilo que chamamos de coração poderá agir com as mais nobres intenções quando for liberto. A ética portanto esbarra em um novo conceito de liberdade, para a fé cristã: aquela liberdade que é dada e não intrínseca, imutável e não efêmera.  A verdadeira ética cristã portanto, é livre, mas submissa; voluntária e persuadida; dada de graça, mas visando a recompensa celeste. Exatamente como Cristo é ao mesmo tempo homem e Deus, a ética cristã, para ser verdadeiramente cristã, é construída necessitando do poder de Cristo para a gloria de Cristo.
É isso.


Kedma Julia 99174

terça-feira, 20 de agosto de 2019

A ética no jornalismo



O termo ética, do grego ethos, que significa caráter/ costumes superiores, é até hoje amplamente discutido. A ética está relacionada ao bom funcionamento social, evitando que haja injustiças; porém, não deve ser confundida com o sistema legislativo. O agir ético corresponde aos costumes da sociedade em que se está inserido, a capacidade de ação individual e sua consciência de práxis. 

Para o filosofo Immanuel Kant, o fundamento da ética é dado pela própria razão humana e sua noção de dever. Kant defende que a razão cria normas universais, então, quando uma ação ou decisão enquadra-se nas tais “leis universais”, ninguém sairá lesado ou injustiçado, sendo essa uma ação ética. 

Dentro do campo jornalístico o conceito de ética é bastante discutido, pois é imprescindível que haja responsabilidade para com as fontes, o assunto e os receptores ao se publicar uma notícia. Infelizmente, a falta de ética em matérias jornalísticas ainda se faz muito presente, tanto pela falta de cuidado, defesa de interesses próprios e também para alavancar as vendas. Um exemplo muito marcante na história do jornalismo brasileiro, foi o caso da Escola Base. 

Em março de 1994, os proprietários e funcionários de uma escola em São Paulo foram acusados de abuso sexual. A atitude precipitada da imprensa, e também da polícia, fez com que o caso da Escola Base ganhasse uma enorme proporção pelo país todo, sem que nenhuma prova fosse encontrada.  A notícia veio à tona no Jornal Nacional, mas, a mídia no geral expunha com sensacionalismo o fato, explorando o sofrimento das mães e deixando de lado a ética jornalística. Três meses após a denúncia os acusados foram inocentados, porém, a imprensa já havia culpabilizado todos eles, embora tenham transmitido as retratações dos acusados (nunca na mesma intensidade). Nesse momento, os danos já haviam sido feitos e os suspeitos de abuso sexual tiveram suas reputações destruídas. 

Este caso foi importante para a revisão da conduta ética e moral dos jornalistas. Ele tornou-se referência obrigatória nas discussões em cursos de Direito e Jornalismo. Muitos estudos foram publicados a respeito, o jornalista Alex Ribeiro escreveu um livro “Caso Escola Base: Os abusos da imprensa”, lançado em 2003, aonde explicita a irresponsabilidade e precipitação que ocorreram neste caso.


Maria Eduarda - 99199

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Um monólogo sobre ética?

                                                                                                                   Viçosa, 19 de Agosto de 2019

Queridos leitores do Jornal de Filosofia (sinceramente, espero que só o Meucci),

       Escolhi o formato de carta para o desenvolvimento do tema, porque tentei escrever por vários dias seguidos e me perdi em inúmeras possibilidades que me fizeram questionar até que ponto a preguiça se tornou aquele medo horroroso de não trazer alguma coisa boa o suficiente para esse trabalho. Bom, espero merecer uma boa nota, mas tive a escolha ética de não me importar mais excessivamente e publicar alguma coisa antes que acabe meu prazo, então vamos começar.
      Acho que ficou claro que nos foi apresentada uma definição do conceito de ética, bem simples, tipo uma caixa para encaixar substantivos e ações, porém, como podemos considerar que decidimos nossas atitudes por nós mesmos se tudo o que somos é construção daquilo e do lugar onde vivemos? -Quando me imaginei escrevendo esse questionamento, pensei na Teoria da Tábula Rasa de John Locke, mas já fomos apresentados a visão de Hegel sobre o assunto, o que não cabe nesse primeiro texto- Estou tendo uma ação consciente ao escrever essa carta, mas não parece válida por não partir espontaneamente de mim, conseguem entender? Não se trata só de pontos, mas da busca por um reconhecimento que, no final das contas, não mudaria nada; isso é mesmo ético? Tal necessidade constante de aprovação de nossa conduta faz realmente com que nossos atos sejam legitimamente éticos? Sei que ainda temos liberdade de escolher, mas isso conta em vista das pressões familiar, social e religiosa sofridas constantemente? São perguntas que passaram pela minha mente durante a aula e nos dias que segui construindo essa narrativa na minha cabeça.
     Pensando em como contextualizar minha produção ordinária, refleti sobre autores que trazem diferentes visões sobre ética: Aristóteles associava o termo à felicidade, equilíbrio e fazer o bem, contibuindo para a construção da harmonia e da união na Pólis; Maquiável trouxe o pragmatismo consigo e nos apresentou uma definição voltada para a realização dos objetivos do indivíduo, ser ético é ser eficiente, criando uma moral social e uma moral política. Kant é responsável pela criação de um tipo de moral universal, do dever pelo dever, ou seja, em meio aos sacrifícios do homem pela sua evolução moral, ele passa a fazer o que é certo simplesmente por sentir que é certo. Existem, obviamente, vários outros filósofos e pontos de vista interessantes, mas a necessidade de apresentação desses é a demonstração dessa pluralidade, de como a subjetividade humana não pode ser observada só de um lado como um quadro simples, afinal somos prismas cheios de lados e refletimos acontecimentos de diferentes maneiras. Pode parecer absurdo, só que se pensarmos bem podemos perceber que, enquanto roubar é errado para nossa sociedade, se a pessoa conseguir cumprir seu objetivo de levar o objeto que deseja, está sendo ético para Maquiavel, nesse exemplo, em contexto isolado.
    No fim das contas, a aula me trouxe uma imagem mental da relação entre ética e moral, como se a ética fosse uma bagagem, cheia de tudo aquilo que carregamos a vida inteira e no caminho de construção do nosso ser, e a moral fosse a alça da mala, a parte que tem contato direto com o indivíduo que a segura e leva o resto de sua estrutura junto. A moral foi definida como a análise do indivíduo de seus próprios atos, o que também me faz recordar dos clássicos em relação a essa busca por entendimento da relação indivíduo- sociedade e indivíduo-indivíduo, o que faz sentido ao percebermos que nossos valores vêm atrelados à nossa compreensão do papel que assumimos no mundo, o que requer autoconhecimento. A ideia de uma ética ou moral estáticas parece absurda sob o olhar consciente do dinamismo da evolução psicossocial humana.
   Por fim, termino esta carta dizendo que não estou satisfeita e que esperava mais de mim mesma, todavia todos sabemos que isso é culpa exclusivamente minha de esperar mais de mim do que estou emocionalmente disposta a oferecer no momento, talvez isso seja ético. Agradeço a quem leu até o final, parabéns, foi uma perda de tempo, mas foi gentil. Ao Arthur Meucci, espero que seja uma análise satisfatória e dentro do exigido no plano de avaliações.
    Exausta,

     Ana Vitória Messias Oliveira - 99176.

Os quatro do Central Park, mais um

Uma das coisas que realmente me impressionaram foi quando Korey me disse: "Não há cinco do Central Park. Foram quatro e mais um. E ninguém contou essa história", explicou a cineasta DuVernay, durante uma entrevista ao Town & Country. "Acho importante que as pessoas entendam o que significa ser encarcerado em prisões para adultos neste país".


Em 1989, Kevin Richardson, Yusef Salaam, Antron Mc Cray, Raymond Santana Jr e Korey Wise, rapazes negros e hispânicos do Harlem, foram acusados de estuprar e agredir brutalmente uma mulher branca que corria no Central Park. A vítima sobreviveu, mas não em condições de recordar o que aconteceu para indicar um culpado. Se utilizando do abuso de poder, as autoridades submeteram os menores a um interrogatório por mais de 12 horas sem a companhia do adulto, montando toda uma conspiração para que os mesmos confessassem ou acusassem uns aos outros.

A história conhecida como "Os cinco do Central Park" é retratada em recente minissérie produzida pela Netflix: "Olhos que condenam" (nome original: When they see us)", dirigido por Ava DuVernay que trouxe de volta a discussão e reflexão quanto ao racismo e as falhas do sistema jurídico dos Estados Unidos.

No último episódio, podemos ver um pouco da trajetória de Korey Wise, que só acabou envolvido na investigação por ter acompanhado o amigo, Yusef Salaam, até a delegacia. Na época com 16 anos, Korey foi o único a ser mandado para uma prisão de adultos, onde sofreu a experiência penosa de ser parte de uma população carcerária em situação precária. Muitas pontos apresentados no episódio são temas a serem discutidos sobre a postura ética, mais especificamente dos guardas carcerários que ofereciam "proteção" a Kory diante dos presos mais velhos e violentos, apenas se recebessem algo em troca, como comida.
Não é um erro afirmar que a conduta desses profissionais é um tanto quanto duvidosa...

Diante de uma realidade de violência, medo, agressões físicas e psicológicas, e do sentimento angustiante de estar vivendo todo esse pesadelo injustamente, Korey se vê diante da oportunidade de uma reunião para conseguir uma condicional. Exigem, porém, que ele esteja preparado para assumir a culpa dos crimes pelos quais fora condenado. Diante de sua honra e seu valores éticos, Korey nega até o fim, deixando até mesmo de comparecer às reuniões por não estar disposto a assumir algo que não fez, ainda que isso significasse mais longos anos na cadeia. A discrepância entre a postura de Korey e dos guardas diante de suas
respectivas realidades é uma questão que levanta discussões a respeito do que é certo e errado. Se estivessem sendo observados por alguma autoridade, os guardas agiriam de forma diferente? Quão importante era para Wise, em sua consciência, se manter inocente, ainda que toda uma Nova York acreditassem no contrário?
Podemos perceber que, as atitudes que algumas pessoas tomam quando não estão sendo observadas, diz muito sobre o que habita dentro de cada uma e sobre o que consideram realmente importante, justo e certo.

Ana Caroline Souza
99211

Ética e responsabilidade


Gostaria de analisar Ética, primeiramente, a partir da ideia de complexidade e o poder de pensamento e deliberação humana. O ser humano, dotado de criatividade, constrói um novo aparato, elabora uma nova teoria, provoca mudanças em seu meio, e gera assim prova material de que o Homo Sapiens Sapiens é um animal diferente de absolutamente todos os outros que habitam este planeta. O comportamento criativo humano procede da consciencia da escolha. Escolher cantar, estudar, se expressar e escolher ir além do básico nescessário a vida é uma característica que define a maioria, se não todos, os membros dessa ilustríssima (e as vezes decadente) espécie. Nós deliberamos, pensamos e crescemos além do que foi programado, e foi esse desenvolvimento curioso do ser humano que criou sociedades complexas, cada uma com características que geram e diferenças e estranhamento, e outras que geram consonância e sintonia.
Essas sociedades estruturaram cada uma sua diferenciação entre o aceitável e inaceitável, certo e errado, bem e mal. Foi, assim, construída a moral de cada sociedade, ou seja, regras de conduta que fazem possível a convivência harmoniosa em sociedade. Não existe ética universal, nem individual, ela é sempre de um grupo ou comunidade, e ela se transforma com o tempo. Ou seja, em cada sociedade humana houveram comportamentos que foram incentivados ou excluídos.A ética é, então, a análise da conduta e comportamento humanos a partir da visão moral em que esta pessoa está inserida.

E temos o costume de ilustrar questões éticas em um terreno propício, como costumamos ouvir exemplos de questionamentos que são um teste de nossa ética por si só. Exemplo disso são os costumeiros questionamentos dizendo “o que você faria se ninguém estivesse olhando” ou “se não causasse nenhum dano, você faria?”. Essas situações fictícias são interessantes para entreter o pensamento, para pensar nas ramificações de ações imaginárias, mas não são úteis para ilustrar o real, pois sem o peso de realmente tomar essa decisão, e conviver com as consequências de suas ações, essas situações servem apenas para indicar a sua preferência por um tipo de conduta em detrimento de outra, mas não nescessariamente significam que, em situações similares, as pessoas agiriam da forma esperada por eles mesmos ou por outros.

“O homem está condenado a ser livre”, dizia Sartre, que nos lembra que, junto a liberdade de deliberar e decidir há, primordialmente, a consequência desses atos. Concluindo, estamos condenados á liberdade, escolha e, na maioria dos casos, a convivência e tudo que isso acarreta. Ou seja, ética não é um exercício fácil, agir com ética é uma responsabilidade


Para finalizar, gostaria de indicar aos interessados em ética um vídeo no Youtube que me foi de grande ajudam, e que me ajudou a escrever alguns trechos de minha análise. O video conta com os ilustríssimos filósofos Clóvis de Barros Filho e Mario Sérgio Cortella.

https://www.youtube.com/watch?v=9_YnlPXKlLU

~
Gabriel Theophilo - Es99198

domingo, 18 de agosto de 2019

Existe Privacidade ou se tornou um termo abstrato?


Existe privacidade ou o termo se tornou abstrato? - Analise sobre 13 Reasons Why 
                                                                                                       Adrielle Mariana - 99210 

Na era digital estamos sempre observando alguém seja voluntario ou involuntariamente, no Instagram, Twitter, Facebook etc, essas redes sociais são ferramentas e elementos que facilitam esse processo de perseguir alguém, entretanto na vida real é bem diferente.

Se formos pararmos para pensar existem mil maneiras de ser antiético e cabe a cada optar pela maneira como leva a convivência em coletivo, mas como sou especifica trouxe um caso, um tanto fictício, porém ao mesmo tempo real. Já pensou como seria observar alguém? Espionar a pessoa todos os dias, seguir todos seus passos? Já pensou quantos segredos poderiam ser revelados através disso? Pois bem é nesse cenário stalker que trago uma problemática a ser discutida.

Na serie 13 Reasons Why produzida pela Netflix traz um exemplo claro de tudo que citei. Durante a primeira temporada Hannah (protagonista) começa a ser perseguida e fotografada por Tyler (colega de classe), entretanto Hannah não desconfiava disso. Após ter momentos íntimos com sua amiga Courtney em sua casa, Tyler atento do lado de fora decide fotografar tudo deixando nada escapar de suas lentes, no dia seguinte Tyler espalha todas fotos intimas tiradas por ele a toda escola, Hannah e Courtney acabam sendo vítimas de cyberbullying. Além do comportamento de Tyler ter sido antiético, denegrindo a imagem de ambas e compartilhando fotos sem autorização, essa situação também se enquadra em Direito de Imagens e Invasão criminal de Privacidade.



Hannah e Courtney após o vazamento de suas fotos intimas



O comportamento de fotografar e divulgar as fotos sem consentimento faz se pensar: Quais os impactos e marcas essa foto pode deixar na vida das vitimas? E como pode transformar o comportamento da pesso. Por anos o patriarcado machista vem fragilizando e menosprezando a mulher, seja por uma foto intima, atitudes ou formas de viver, quantas mulheres passam por isso todos os dias e são julgadas por querer se aparecer ou ser “vulgar demais” enfim uma mulher nesse caso sofre muito mais que homem.

A situação não cria direito de Tyler espalhar as imagens e o mesmo deve ser questionado por suas acoes uma vez que aceitou a condição que sua ação de fotografar escondido e compartilhar. Cabe a todos entender e respeitar a privacidade de cada um, pois expor o íntimo de alguém é imoral.

Jolene não é a única culpada

Em 1973, baseado em sua vivência pessoal, Dolly Parton, a estrela da música country norte-americana, escreveu a música "Jolene". Na música, Dolly implora a bela Jolene, para que ela "não leve ele só porque pode". A música foi inspirada em um mulher que começou a flertar com o marido de Dolly, Carl Dean,no trabalho dele.
Na música Dolly implora algo, que talvez não deveria ser nem preciso pedir, mas ela implora apenas à Jolene para deixar seu marido em paz, mas e se o marido de Dolly corresponde às investidas da bela Jolene? A única ética questionada na música é da mulher, mas ao mesmo tempo em que é questionada, ela recebe um voto de confiança gerado por ambas serem mulheres. Na cabeça de Dolly, ela não pode competir com Jolene, então ela logo tenta conversar para revertar a situação.
E sobre o marido? Bom, não se fala muito dele a não se de que ele fala sobre Jolene enquanto dorme. E logo nisso vemos que o comportamento dele também merece ser questionado, ele é um homem casado, e mesmo que Jolene seja bela, ele deveria lutar ao máximo contra isso levando em conta o compromisso que possui com Dolly.
A música acaba crianda uma esfera de rivalidade feminina, Dolly implora para que Jolene não "tome" seu marido, mas talvez, o marido de Dolly que queria ser tomado por Jolene, mas apenas a jovem carrega o fardo de cirar uma situação furtiva e anti-ética.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Ser bom ou escolher ser bom? | A ética enquadrada em Laranja Mecânica

Roberta Abreu (99208)
Considerado um dos maiores clássicos do mundo cinematográfico, Laranja Mecânica é um longa que envolve muito drama, mistério e críticas sociais em seu decorrer. Lançado em 1972, a história se passa num cenário de uma Inglaterra futurista, onde o autoritarismo e a violência estão em alta. Alexander Delage, o protagonista, é líder de um grupo de jovens vândalos que veem diversão em fazer arruaça e praticar crimes, sempre fomentando o caos. No entanto, em casa, Alex se mostra uma pessoa totalmente ao contrário e seus pais jamais imaginariam que seu único filho tivesse costumes de um delinquente, bem como acontece na vida real. Na trama, espancar mendigo, invadir propriedade privada, estuprar, roubar e assassinar são ações comuns do cotidiano do bando, até que em um assassinato Alex é capturado pela polícia, sendo condenado a muitos anos de prisão. 

Curiosamente, o Governo estava a realizar testes experimentais que “curavam” qualquer tipo de pessoa avessa às regras sociais e em duas semanas o tratamento estaria concluído. Alex então, louco para sair da prisão, topa ser cobaia para receber sua liberdade. O método, chamado Ludovico, era como uma tortura: preso por uma camisa de força e obrigado a manter os olhos abertos, o “paciente”, com sequentes injetadas de drogas, era forçado a assistir incansáveis cenas de extrema violência. O resultado era uma nova pessoa, condicionada a não fazer o mal.
Cena retrata o repressivo tratamento Ludovico em Alex.
Alex, sempre que presenciava situações que antes lhe convinha a praticar maldade, agora sentia ânsia de vômito e não conseguia cumprir, mesmo que sentisse vontade, revelando que o Governo até poderia controlar as ações dos indivíduos, mas seria incapaz de controlar suas verdadeiras vontades. 

É a partir daí que nos cabe refletir: até onde vai o limite do Sistema para escolher e aplicar medidas que fomentem o equilíbrio social? Esse limite existe? Também nos cabe pensar se é certo ultrapassar qualquer ética para obter um bem comum, como é feito no filme. Além disso, Laranja Mecânica nos mostra, em sua concepção mais profunda, uma pessoa que não tem mais o livre arbítrio, não tem mais poder de escolha. Isso faz um grande bem para a sociedade visto pela ótica de que os crimes não mais existirão. Mas mostra também uma sociedade mecanizada, onde os homem são como robôs e não podem manifestar seus desejos, já que não há liberdade e estão presos nas amarras do Estado. 


"A virtude vem de nós mesmos. É uma escolha que só a nós pertence. Quando um homem perde a capacidade de escolher, deixa de ser homem".
- Laranja Mecânica
Essa repressão do tratamento Ludovico  nega que a pessoa faça escolhas pessoais, nega a autodefesa e também nega qualquer autopreservação, como mostra na cena em que Alex tenta suicídio. É imprescindível nós analisarmos o real significado de onde parte a bondade: ela vem da consciência de cada um, seguindo a moral social, ou ela é apenas algo imposto e teatral? Alex não pôde escolher mudar, não pôde ter a consciência de agir pelo bem. A sua reeducação foi a manipulação, passando por cima de qualquer sinal de ética e demonstrando o quanto somos ensinados a encenar, ao invés de mudar.  














Análise de Racionais'Mcs a partir da ética


 Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado.
Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe também a ética de determinados grupos ou locais específicos, exemplo profissional, ética empresarial entre outras, entre elas a educacional que será analisada.

Partindo da ideia de que cada grupo tem seu código de ética, é válido analisar a música'' Artigo 157 ''(Racionais'Mcs),  cujo nela são abordados atitudes que refletem a vivência e os costumes do grupo e talvez do público ouvinte. 
A música foi lançada no ano de 2002 no álbum ''Nada como um dia após outro dia''. Na época em que foi lançada a música sofreu com inúmeras críticas que alegavam o som como apologia ao crime e afins relacionados.
Resultado de imagem para artigo 157 racionais

Portanto,se a ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais, atitudes como as citadas na música se tornam banais para alguns que consomem, dentro do conceito de ética como o certo ou errado se tornam tão habituados com tal fato ou influência que acabam até se acostumando aquilo como certo diante da realidade que vive, pois são casos que são vivenciados por eles com muita frequência no seu dia a dia, por outro lado,  são totalmente antiéticos para outros, pelo fato de que o contexto em que estão aborda valores totalmente diferentes. Dito isso, fica o questionamento...
Quais as fronteiras da ética?? É possível alguém ser classificado com antiético nessa ocasião?



Matheus Tavares
99191






Orange Is The New Black | O sistema judiciário falhou com Suzanne Warren

por Júlia Ennes. Matrícula: 99193

[contém spoilers Orange Is The New Black]

Orange is the New Black, desde sua estreia em 2013, foi sucesso absoluto entre as séries originais da rede de streaming Netflix, principalmente por sua representatividade feminina nos presídios. Tendo como ponto de partida a história de Piper, baseada em fatos reais, a criadora da série, Jenji Kohan, afirma que usou a personagem como seu “cavalo de tróia”, para entrar em um universo muito mais amplo e polêmico. 
"Você não consegue entrar em um canal e vender um programa de contos realmente fascinantes de mulheres negras, latinas, idosas e criminosas. Mas se você pegar essa garota branca, esse tipo de peixe fora d´água e a seguir, então você pode expandir seu mundo e contar todas essas outras histórias", disse Jenji, em 2013, à rádio pública estadunidense NPR.
O fato é que a trama realmente consegue explorar uma pluralidade imensa de histórias - e não é a da personagem principal que chama mais atenção. Uma das mais queridas pelo público é Suzanne Warren (ou Crazy Eyes, como é conhecida no ínicio da série), que com sua inocência quase infantil e seus surtos e ataques nervosos, consegue emocionar o público e pintar um retrato inquietante a respeito das doenças mentais na prisão.
Boa parte da construção da série é feita em cima de flashbacks, explorando momentos do passado das detentas. É justamente através de um que, no décimo primeiro episódio da 4ª temporada, descobrimos o motivo de Suzanne estar presa. Em um flashback temos sua vida antes da prisão de Litchfield. Suzanne mora com a irmã adotiva, é recepcionista em uma loja e tem grande afinidade com os clientes - em particular, uma mãe e seus três filhos. Sua irmã, então, decide ir passar o final de semana com o namorado e deixa Suzanne sozinha pela primeira vez desde que elas começaram a viver juntas.
Suzanne fica ansiosa no começo, mas decide tirar o melhor proveito do tempo livre sozinha. É então que decide ir ao parque e acaba encontrando um dos filhos da família que ela conhece de seu trabalho, Dylan. Com a personalidade infantil e a afeição de Suzanne pelo garoto, tudo parece muito inocente quando eles vão juntos ao apartamento dela comer lanches e jogar videogames. E realmente foi. A situação só muda quando Dylan decide que já está tarde e quer ir para casa. Suzanne fica muito chateada e proíbe a saída do menino, que, em pânico, tenta fugir pela escada de incêndio através da janela. Igualmente em pânico e em meio a um surto, Suzanne tenta impedir o garoto puxando-o para dentro do apartamento. Em meio a luta, o menino cai da escada de incêndio e, embora o público não veja um corpo, é assumido que Dylan morreu, e seu sequestro e morte são a razões pela qual Suzanne acaba na prisão.
Suzanne Warren - sétima temporada de Orange Is The New Black
Esse ano, foi lançada a sétima e última temporada de OITNB. Dentre todas as questões levantadas pela série, surge agora um novo ponto: “todas aquelas mulheres merecem estar ali?”. Ao contar para Doggett que sua amiga, Taystee, foi condenada por um crime que não cometeu, Suzanne soa incrédula com a possibilidade do sistema judiciário ter cometido um erro. Ao receber a resposta de Dogget de que injustiças como essas acontecem o tempo inteiro, a detenta muda sua postura e começa a questionar todo o sistema que ela vive.
“Você é louca… cérebro especial… sei lá… mas você realmente acha que merece estar aqui?”. É com esse questionamento filosófico que, na sua simplicidade, Dogget muda a percepção de Suzanne sobre o mundo e, principalmente, sobre sua prisão. É nesse diálogo que pela primeira vez, desde sua sentença, ela realmente foi capaz de ver a desigualdade de sua situação - até então ela só aceitava que tinha feito algo ruim e por isso merecia a penitenciária.
Em Suzanne é possível ver comportamentos bem infantis e especiais, como as brincadeiras, dificuldade de saber em quem confiar, o apego a sua mãe, as alucinações, entre outros. Fica mais claro ainda a sua dificuldade de entender a realidade e as consequências de seus atos quando ela mesma fala com sua mãe sobre o caso do menino Dylan. "Mas eu não sabia. Eu não sabia que era sequestro. Só queria fazer amigos”, conta Suzanne e questiona, “você acha que eu mereço estar aqui presa por 15 anos?”
Apesar de ao longo da série não termos certeza da natureza do transtorno psicológico de Suzanne, fica claro, pelo comportamento e pelas diversas menções a ala psiquiátrica e ao uso de medicamentos, que a personagem tem necessidades especiais. Tendo isso em vista - a saúde mental de Suzanne e a falta de noção que ela tem de seus atos - será que a personagem realmente merecia ter recebido o julgamento que recebeu? Do ponto de vista ético, não. Se ética tem a ver com consciência e dicernimento, ou seja, capacidade de através da racionalidade escolher agir ou não, Suzanne com sua dificuldade de percepção da realidade não deveria ser responsabilizada pelo seu erro - ela não sabia que aquilo se configurava sequestro, não sabia que iria machucá-lo. Já do ponto de vista jurídico, ela cometeu um crime contra a vida de uma criança, mesmo que sem a intensão ou noção disso, e portanto, deve ser punida. No entanto, nada justifica as condições em que a personagem é submetida. O fato é que o judiciário falhou com Suzanne, sua condições precisavam ter sido consideradas e ela merecia estar em uma instituição que ajudasse com suas necessidades cognitivas.






A loser venceu


 Sierra Burges ir a loser é um filme de comédia romântica que se passa nos Estados Unidos e conta a história de Sierra (interpretada por Shannon Purser), uma jovem muito inteligente e dedicada ao Ensino Médio, que não se encaixa nos padrões de beleza, e, por isso, sofre bullying. Por um amor, considerado por ela impossível (devido à sua aparência), ela se passa por outra pessoa para vivenciar o romance (catfish). Ao fim da trama a farsa é descoberta e ela Jamey (por quem se apaixonou) terminam juntos. Além disso, no decorrer do filme, Sierra expõe fotos comprometedoras de sua melhor amiga (Verônica) na internet, e é perdoada.

A palavra ética vem do grego ethos, que significa caráter moral; costumes aprovados. Ela é a guia comportamental dos indivíduos dentro de um grupo social, uma vez que determina se uma atitude é correta ou não. Nesse contexto, a Teoria da Ação, em seus três pontos fundamentais (Consciência da práxis; deliberação e costumes de grupos) pode ser usada para analisar situações de possível desvio do eixo moral.

 Dessa forma, levando em consideração que o contexto o qual a história se passa, a personagem Sierra cometeu dois crimes: falsidade ideológica e exposição indevida. Porém, mesmo após desvios éticos criminais conscientes, a baixa autoestima da personagem foi tomada com uma justificativa aceitável para que ela não sofresse punição alguma no desenrolar da história. 
Portanto, apesar de o filme abordar uma temática importante: as consequências psicológicas da imposição de padrões de beleza, o fator discutido anteriormente gerou incômodo no público e até ameaças aos diretores.

Fontes:
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Fernanda Trindade Fonseca
99186


A ética para quem combate a morte com a mesma moeda

Ao definir ética a partir de um conceito convertido em palavras que a remetem ao "correto", a margem para interpretação da aplicação desta se torna extremamente abrangente. Até onde a definição do certo é aplicável de maneira generalizada na sociedade? Em que momento o correto ao ver de determinado grupo se torna incorreto para outros em um mundo onde a diversidade, principalmente cultural, é imensa? A ação fundamentada em determinado objetivo, ao ser validada com cunho ético ou não, deve ser analisada individualmente, a partir das intenções e do estado consciente do individuo ou grupo que a pratica. O que não deve ser esquecido é que além dessa visão, alguém sofrerá consequências que, muitas das vezes, não serão vantajosas.

Resultado de imagem para guerra ao terrorismoPortanto, as práticas terroristas fundamentadas no islamismo exemplificariam perfeitamente tal divergência. Os ataques aos principais símbolos do modelo de vida ocidental, que geralmente acarretam a morte de inúmeros cidadãos, consistem em acabar com o que não segue ás praticas religiosas pré-determinadas na cultura muçulmana. Fugindo dos conceitos legais e aprofundando a questão ética dos atos, é possível que milhares de mortes sendo justificadas por radicalismo religioso enquadre como ético? Já que ao mesmo tempo que a guerra da principal potencia midiática ocidental contra o terrorismo, os Estados Unidos da América, segue matando em nome do combate a este terrorismo?

Sendo assim, tendo em vista que tal combate segue acarretando inúmeras tragédias a ambos os lados e que, ao ver de cada um dos povos e suas respectivas culturas, as consequências sofridas pelo outro são necessárias, o cunho anti-ético da morte em si, não se apresenta generalizado como é popularmente visto, mas sim totalmente individualizado por quem a sofre e quem a causa, tornando mutável a compreensão ética de cada ação, a partir de seu embasamento.

vitória fernandes
99179




quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Reflexão sobre a Ética e a Humanidade corrompida pela sociedade

Discorrer sobre a ética é uma discussão que é mais profunda do que aparenta ser. Não cabe dizer somente se é certo ou errado no âmbito jurídico nem se é uma boa ou má ação. É preciso refletir e considerar aspectos mais subjetivos que influenciam na vontade primitiva do ser humano.
Acredito na teoria que o homem, enquanto espécie, é, sim, bom por natureza e que há esperança ainda que a humanidade, enquanto sociedade, viva harmônicamente entre si, sem visar ao lucro ou ao seu benefício próprio e individual. Enquanto esse dia não chega (se é que chegará), a discussão sobre a ética se faz necessária. O exemplo do estupro dado pelo professor em aula seria muito mais simples de ter uma resposta se fosse em âmbito jurídico. No âmbito subjetivo e complicado da ética, há de se considerar coisas como se a consciência do indivíduo está afetada ou não, se a percepção de realidade do elemento estava muito distante da realidade verdadeira e se o indivíduo tinha se utilizado de substâncias não naturais do corpo para alterar seu estado de consciência. Foi discutido também a questão da moral e sua diferença com a ética, onde não responderei, visto que imagino que todos que passaram pelo ENEM para estar aqui saibam pelo menos o básico dessa diferença.
São questões interessantes de se discutir. Concluo, depois da aula dada, que a moral é subjetiva e individual, e que a ética traz um respaldo coletivo e crucial para o funcionamento da sociedade, visto que a humanidade, corrompida por essa, não mais age em harmonia com o bem alheio e sim com o benefício próprio em qualquer que seja a proporção.

Pedro Henrique 99185

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Uma Noite de Crime (The Purge)

Moral e Ética. Conceitos com significados diferentes que muitos acreditam ser o mesmo. Entende-se por moral o seguimento dos regulamentos, das ordens e regras; um conjunto de normas que definem qual conduta o homem que vive em sociedade deve ter. Já a Ética, é o princípio que motiva os modos humanos; é um "conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, o bem-estar social".

Devido às Leis Jurídicas - criadas com base em princípios éticos para que haja uma convivência de respeito e ordem na sociedade - o ser humano não realiza atos que são considerados antiéticos pois, temem a punição que receberá. Mas, quando se permite fazer o que quiser sem que seja punido por isso, as pessoas mostram-se o quão nada ético são os seus instintos e desejos; é o que o filme Uma Noite de Crime (The Purge) apresenta.

No filme, o ano é 2022, nos Estados Unidos, e anualmente tem um dia da Purificação, no qual os cidadãos ficam liberados durante 12 horas para praticarem uma série de crimes e violências, sem que sofram nenhuma punição - os policiais, os bombeiros e os hospitais param de funcionar até o fim do prazo. Através desse filme é possível perceber mais claramente como a sociedade só sobrevive porquê há o controle desses instintos imorais, tornando as pessoas mais humanas, contendo o instinto animal que habita em cada um. "As mesmas leis, regras, morais e éticas que, às vezes, nos incomodam pelas suas restrições, são essenciais para a convivência em sociedade - sem a existência das punições e da ordem, viveríamos em meio ao caos".

Por: Beatriz Fonseca
Matrícula: 99207

Mas, afinal, a culpa é de quem?


A série Lucifer, originalmente da Fox e atualmente da Netflix, conta no episódio 08 da quarta temporada a história de um adolescente chamado Caleb.

Caleb quando mais novo procurou por um traficante de drogas a fim de ganhar dinheiro através do tráfico. O garoto ficou por um tempo envolvido no grupo, trabalhando para eles, mas arrependido de suas atitudes e querendo mudar sua situação, resolveu chegar ao líder do tráfico e pedir para ir embora. 

Para a infelicidade do jovem, entretanto, ele era grande fonte de lucro ao chefe e por isso seu pedido foi negado. A partir de então, Caleb se viu tendo que vender as drogas para continuar vivo. E, apesar de todo remorso e tentativas de mudança, a história acaba tendo um final nada feliz: o assassinato do personagem.

Histórias como essa estão espalhadas por todo o mundo e garotos como Caleb são julgados todos os dias. Entretanto, analisar uma história através da ética vai muito além do simples ato de julgar.

Quando Caleb tomou uma decisão de ir ao traficante e pedir um trabalho, independentemente do que o motivou, estava consciente e, por isso, pode-se dizer que ele não agiu com ética, foi antiético por escolher fazer algo errado.

Entretanto, o garoto tenta voltar atrás, o que não é permitido pelo traficante. A partir daí Caleb não pode mais ser considerado um sujeito antiético. O jovem já não é livre para tomar uma decisão, ele age de certa forma porque é coagido e, embora o personagem ainda possa ser julgado no campo da justiça, ele não pode mais ser julgado no campo da ética.

Mas a quem podemos julgar? Nós, seres humanos, sempre precisamos culpar alguém! Assim sendo, o chefe do tráfico entra em campo como aquele que deve ser julgado e de quem deve ser feita uma análise ética, coisa que não acontece no episódio, já que Lucifer e seu irmão Amenadiel preferem resolver seus assuntos baseados na Lei de Talião: olho por olho, dente por dente. 


Texto por: Maianna Medeiros
Matrícula: 99188


Padrão de beleza e Moral










O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárnio. Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita?” (Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis.)

“As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental.”
(Receita de mulher, Vinícius de Morais.)

Esses são alguns dos excertos de produções literárias que remontam tanto o realismo, como é o caso de Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, como o modernismo, a exemplo de Receita de Mulher de Vinícius de Morais. No entanto, em ambos é perceptível um tema de formidável importância na atualidade: a beleza. Ou melhor dizendo, o padrão de beleza que, infelizmente, é constante no cotidiano contemporâneo.
Ao fazer uma análise no campo moral, – conjunto de valores de uma sociedade que norteiam a conduta do ser humano - o padrão de beleza tem caráter prático, temporário e cultural. Portanto, varia conforme os valores sociais e princípios de dada sociedade daquele local e história. Na antiguidade, os egípcios, por exemplo, acreditavam que o ideal de beleza era a juventude e por isso cuidavam do corpo de tal forma que investiam massivamente em cremes e em roupas que realçassem essa jovialidade. Já na atualidade, a estética do corpo magro e branco que é cultuada.
De acordo com Sampaio e Ferreira (2009): “ Ser bela está ligado a qualidades estéticas, explicitadas nos atributos físicos e que estão constantemente veiculados pela mídia. Assim, a sociedade em geral entende por belo aquela ou aquele que tem a pouca porcentagem de gordura corporal, fartas nádegas (sem celulite, nem estrias) e seios grandes (e empinados), músculos definidos, pele bronzeada, além de ausência de mancha ou espinha na pele [...].” Veja, então que o conceito de beleza é algo muito subjetivo e intrinsecamente influenciado por cada sociedade, cultura e consequentemente pela moral que os regem.
Machado de Assis e Vinícius de Morais igualmente reproduzem um ideal de beleza com seus nuances e relevâncias, destarte vigente às suas épocas.
Perante isso, cabe à ética – questionamento filosófico sobre os valores sociais -, uma observação sobre a moral para propagar mudanças no coletivo. Isso porque, no campo ético o caráter é teórico e também universal. Na contextualização que elucida essa reflexão, muitos movimentos como, body-positive, valorização de certos tipos de cabelo (como o afro) e entre outros, surgem com o intuito de promover a crítica aos valores morais, majoritariamente, nocivos em sociedade.

Por: Alice Ruschel Mochko
Matrícula: 99178