Postagem em destaque

Quem influencia quem?

Isabelle Kruger Braconnot 99173 superestrutura O paradigma marxista sobre infraestrutura e superestrutura já é utilizado a muito tempo. A...

Mostrando postagens com marcador #adorno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #adorno. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Anitta o principal símbolo da indústria cultural



A cantora Anitta surgiu com os paredões dos bailes funk. Porém conforme ela cresceu no mercado passou a adotar todos os padrões e todos os tipos de gêneros musicais como uma forma de se manter no tops latinos americanos. Vemos isso quando ela começa a usar tranças e outros questões de apropriação cultural em seus clipes para atingir determinados grupos; começou a cantar em inglês e espanhol para se internacionalizar.

Resultado de imagem para anitta de trança

João Vitor 99183

O custo elevado das plataformas de streaming

Não vai custar nada barato ser assinante dos principais serviços de streaming de vídeo disponíveis no Brasil. Para não perder nada e obter acesso as nove principais plataformas de transmissão de filmes, séries, animações e documentários pela internet é preciso desembolsar mais de 200 reais por mês. As plataformas de streaming são produtoras e transmissoras de cultura, se englobam na indústria cultura, pois produzem e compartilham conteúdos de importância ou não social. Porém, seus preços são absurdos, vivemos numa sociedade que temos que pagar caríssimo para consumir cultura. 

Robert Rodrigues 
99206

A Formação da Estética em Adorno


                Breno Guimarães 89540

                As formulações de Adorno sobre a estética são influenciadas por seis filósofos em três fases distintas: Hegel e Kant, representantes do Idealismo alemão do século XVIII e início de XIX; Marx e Nietzsche, que representam a transição, no século XIX; e Benjamim e Freud, contemporâneos a Adorno.
                Os primeiros, o influenciam nas concepções sobre o belo e o sublime. Os filósofos da transição, Marx e Nietzsche dão duas contribuições distintas: Marx, apesar de nunca ter escrito especificamente sobre a estética, influência o pensamento Adorniano na concepção da arte como objeto das condições sócio históricas; Já Nietzsche, aponta a oposição entre o estético e o ascético, como antípodas, inclusive apontando várias críticas ao antropocentrismo gnosiológico, na sua necessidade de conceituação para explicar a realidade. Contribui também para a formação das noções de Industria Cultural, de Adorno, pois afirma que com a dominação científica sobre o espírito humano, a arte se afasta cada vez mais da ciência, se tornando apenas objeto de contemplação filista.
                Benjamin traz contribuições acerca da reprodutibilidade cada vez mais intensa da arte nas sociedades industriais, enquanto Freud contribui para a análises da estética a partir da psicanálise.
                Todos estes filósofos são importantes para a formação do conceito de Industria Cultural e sua capacidade explicativa acerca da reprodutividade da arte como objeto  de manutenção ideológica das sociedades burguesas, onde a arte tem sua capacidade revolucionária reprimida.
#adorno

Bansky e Adorno - Uma concepção de artr

Gabriel Theophilo - 99198

O colorido e o artístico encontraram nas sociedades do século XX e XXI um espaço de extrema importância. Tanto prática quanto conceitual, a arte, a partir de tecnologias cada vez mais avançadas, invadiu espaços antes intocados, de certa maneira, pelo conceito do artístico e do belo. As artes gráficas espalharam cada vez mais o conceito do belo para lugares cada vez mais distantes, e surgiram muitos nomes que criaram obras importantes, que se espalham cada vez mais. Mas, assim como surgem importantes nomes com obras impactantes, há também aqueles que utilizam da arte apenas como instrumento do capitalismo e fazem posteres, cartazes e artes de exposição apenas para publicidade e propaganda, ou seja, segundo Adorno, seriam obras de pouco valor estético.

“os produtos culturais (se é que assim se possa designá-los) veiculados no contexto da sociedade de massa, embora contenham elementos de cultura, não é essa a finalidade ou função que
os constitui. O cerne, isto é, o núcleo que dá sustentação a essa
forma cultural apropriada ideologicamente é a dinâmica consumista
consolidada pelo processo industrial como universo social unidimensionalizado.”

O esteticismo pregado aqui seria aquele da arte que apresenta um impacto na sociedade, seja criando espaços de fala ou, principalmente, instigando os indivíduos á ação. E muitas expressões da arte comercial não expressam nenhum fim além daquele de autopromoção, e são, assim, pobres de significado e relevância estética.
Vimos atualmente exemplos de arte que contagia e provoca um impacto na sociedade, como o artista londrino, cuja alcunha é Banksy e sua identidade real é completamente desconhecida, que faz arte em grafites nas paredes das maiores cidades do mundo. Provoca subversão dos valores e provoca também contraste com a arte capitalista, ou a expressão capitalista da arte pois, além de usar paredes e fazer suas artes em locais de comum acesso, o artista em 2018, logo após vender, por pouco mais de 1 milhão de libras, uma reprodução em quadro de um de seus grafites, supostamente destruiu sua própria obra na frente do seu comprador e da platéia, ligando um triturador de papel que estava acoplado ao quadro.

“A arte deve confortar o perturbado e perturbar o confortável.”

Banksy

Tiago Mac e a reflexão sobre a indústria cultural do adorno

 Nesse verso da música "Basquiat", Tiago Mac critica a forma como a indústria molda as musicas do Rap para que sejam melhores vendidas e entendidas pelo público

"
Eu vim do céu estrelado sou flores no jardim
Vou pela estrada fora no melhor flow Rakim
Pra constar, eu colei com Kayá e com Santin
Pus no meu som nessa trilha pra não errar o caminho
Ó, tô fazendo um rap pra você
Demorei muito pra dizer
Trago versos que mata a sede
Senta, acende um verde
Tudo tem seu tempo
Agora é nós e fé, vai
Nada acontece do nada
Arte não é por acaso
Já mergulhei na saudade
Cansado de poeta raso
Música é tipo tatuagem
Olha só o que eu faço
Esse é o meu traço
Pega esse hino e joga num quadro
Quantos te querem bem?
Quantos aqui tão vivendo bem?
Quantos jogaram o sonho pro alto em busca na nova Jerusalém?
Quantos ficaram no quem é quem?
Quantos sobraram? Não vi ninguém
Peço perdão a quem é rei
Vida longa pra quem é rei
Ana Lice me disse
Foge comigo
Eu falei: Total
Tudo aqui tem um preço
Só que dinheiro não tem, normal
Toda vez que tô inseguro
Toda vez que me sinto mal
Ela diz que meus rap são foda
E que os deles são tudo igual
Já nem sei mais o que nós somos
Olha tudo o que conquistamos
Tô carregando o mal de ser um artista contemporâneo
Sou de Lua, mudei meus planos
Pega na minha mão e vamos
Imagina nós dois, um cachorro e uma casa no mato ouvindo Los Hermanos
Digui-digui-ê, digui-digui-ô
Tá sem ideia, faz refrão assim, né?
Digui-digui-ê, digui-digui-ô
Que todo mundo aprende rapidin
Digui-digui-ê, digui-digui-ô
Tá sem ideia, faz refrão assim, né?
Digui-digui-ê, digui-digui-ô"

Caio Ferreira Irineu- 99189

Alô Monalisa

Monalisa, uma obra de arte aclamadíssima pela população mundial...
Uma pintura que fala por si só
Uma imagem que fala por si só
Uma mulher que transparece sentimentos, por si só.
Não adianta,
Por mais que as pessoas não a conheçam, Monalisa fala por si só.
A querida pintura, está tão famosa que nem precisa de algo que a explique...


Luiz Gustavo Barbosa
99203

O cinema como indústria cultural


Resultado de imagem para cinema

Adorno considerava a sociedade enquanto objeto e abandona a ideia de produção cultural autônoma em relação à ordem social vigente. Ele admite a presença do irracional no pensamento, do qual as obras de arte são um grande exemplo. Elas são um reflexo mediado do mundo real, expresso por uma linguagem (artística).
As obras de arte são capazes de abranger todas as contradições que a linguagem conceitual não alcança. Isso porque elas buscam uma correspondência exata entre a palavra e o objeto.
Por isso, a obra de arte representa uma verdadeira antítese da sociedade. Ela (a arte) é a própria aparência do real pela sua diferença (dialética) em relação à realidade.
A principal expressão atribuída a Adorno e seus colegas da Escola de Frankfurt é Indústria Cultural. Esse termo diz respeito à onipresente e maliciosa máquina de entretenimentos que está sob controle das grandes corporações midiáticas.
Produtos como filmes de cinema, programas de TV e rádio, revistas e jornais, bem como outras mídias sociais, são criadas com a intenção sórdida de nos manter distraídos.

Maria Eduarda - 99199

Marx e Adorno

Embora não tenha escritos voltados a estética, a obra de Marx tem influência decisiva sobre ela e estão presentes nas formulações de Adorno. Assim, apresenta crítica à ideologia: “a produção das ideias, das representações, da consciência é antes de tudo imediatamente conexa à atividade e ao intercâmbio material dos homens — linguagem da vida real”
No pensamento Marxista, a arte se apresenta como antítese social da sociedade, em que resiste ao atrelamento imediato à infraestrutura. Nesse sentido, podemos relacionar que Adorno provoca mudanças radicais nas formas de pensar a relação entre o estético e o extra estético.
Além disso, Adorno se apropria de categorias marxistas para definir a relação entre produção material e criação artística. O principal termo utilizado é o de “forças produtivas estéticas”. Ele percebe que em todas as épocas a criação artística é estimulada pelas condições sócio-históricas.
A noção da arte como antítese social da realidade, porém, permite entender que o conceito de forças produtivas estéticas não determina a relação imediata de arte à sociedade.

Vinícius M. Sampaio, 93318

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Pocahontas e o esclarecimento

Theodor Adorno e Max Horkheimer foram dois filósofos da Escola de Frankfurt. Em a dialético do esclarecimento, divulgada no ano de 1944, os autores enfrentam o dilema entre o progresso civilizatório e a barbárie: como é possível que a barbárie exista em grandes civilizações, ditas evoluídas? Já em 1969 os dois pensadores voltam seus estudos para a área da estética, ainda no campo da filosofia, e questionam a arte no livro Indústria Cultural. Para exemplificar estas questões , utilizaremos a animação da Disney Pocahontas de 1995.




O filme retrata a época do descobrimento e das grandes navegações européias. As civilizações que se consideravam mais evoluídas por terem desenvolvido certas ferramentas, como as armas de fogo,desbravaram terras a procura de ouro e novas colônias. Na animação, Pocahontas é uma ameríndia que vive com sua tribo em harmonia com a natureza; por ser filha do líder político e religioso de seu povo, ela deve cumprir funções dentro de sua sociedade. O dilema do filme começa quando Pocahontas conhece John Smith, um homem europeu que desbrava aquelas terras, e apaixona-se.

A narrativa ficcional retrata bem a questão da dialética do esclarecimento, pois John Smith e seus companheiros prometem trazer a civilização para aquele povo, e com ela trazem também a barbárie. O pensamento de Adorno prevê isso quando retrata a barbárie como parte integrante da civilização, e não um elemento oposto.

“O paradoxo da fé acaba por degenerar no embuste, no mito do século vinte, enquanto sua irracionalidade degenera na cerimónia organizada racionalmente sob o controle dos integralmente esclarecidos e que, no entanto, dirigem a sociedade em direção à barbárie.”

Adorno aborda temas que refletem sobre arte e estética em seu livro Teoria Estética, ano de 1969, discorrendo filosoficamente. O autor utiliza-se do pensamento de outros filósofos para construir sua tese, como Kant. Em Indústria cultural: o esclarecimento como mistificação das massas, Adorno e Horkheimer apontam que a arte destinada ao entretenimento existiu sempre como uma sombra da arte autônoma, excluindo a participação das massas.

No filme Pocahontas podemos observar também um exemplo desse pensamento voltado para a estética, pois a animação tem como público alvo crianças e o objetivo é o entretenimento. Apesar de trazer uma discussão social sobre as colonizações, o produto audiovisual teve apenas a visão eurocêntrica e excluiu a participação das massas.

Laís C. F. Fidélis - 99180

Arte Como Alívio Da Pulsão Sexual | Uma Análise De Adorno Sobre O Pensamento Freudiano


Na obra “Seis nomes, um só Adorno”, o filósofo Adorno analisa e critica o sentido de “arte” para seis diferentes filósofos, sendo eles de diferentes épocas e com diferentes modos de pensar. Nesse texto, trataremos de sua análise sobre Freud, um médico neurologista e psiquiatra criador da psicanálise. Sigmund Freud acreditava que a arte era expressada através da libertação do artista de suas pulsões sexuais, ou seja, através da arte ele colocava seu interior para fora, o tornando parte do mundo e se aliviando das tensões que o aprisionava anteriormente.

Sigmund Freud

Tudo isso, devido ao fato de que Freud explicava o processo artístico como derivado da psiquê humana, ou seja, tudo aquilo que o ser humano não expõe, mas que está bem interiorizado em seus pensamentos e por isso, não é de conhecimento de outras pessoas, sendo sempre uma surpresa o que pode ser relatado.

Nesse sentido, para Theodor Adorno, um indivíduo com sua saúde mental perfeita não seria capaz de produzir arte, isso porque nada nele temeria a ser colocado “para fora” e ser retratado, nada o pertubaria a se libertar de seus pensamentos para expô-los, então seria a arte inconstante e imprecisa. E em casos de boa saúde, ela não existiria.

Em minha opinião, como aluna apenas, não uma especialista, a visão de Adorno sobre Freud foi muito equivocada, não seria como se possuindo uma boa saúde mental não pudesse a arte existir, mas sim, de outras formas, com outras expressões e “revoltas” interiores, pois o desejo vêm de diferentes formas, assim como a arte.



Isabelle Oliveira
Matrícula: 99200

Educação adorniana

Para entender o pensamento de Adorno em relação à Educação, é importante compreender as críticas que ele faz à indústria cultural, vista como a responsável por prejudicar a capacidade humana de agir com autonomia. O tema foi tratado pela primeira vez em 1947 no livro A Dialética do Esclarecimento, que ele escreveu em parceria com Max Horkheimer (1895-1973), também da Escola de Frankfurt. Os autores explicam que a consciência humana é dominada pela comercialização e banalização dos bens culturais - fenômeno batizado posteriormente de "semiformação".

"Adorno afirma que há um processo real na sociedade capitalista capaz de alienar o homem das suas condições de vida", explica Rita Amélia Teixeira Vilela, doutora em Educação pela Universidade de Frankfurt e professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). É nessa discussão que está a chave para entender a crítica adorniana à escola: para o autor, a crise da Educação é, na verdade, a crise da formação cultural da sociedade capitalista como um todo. Na opinião dele, o problema da Educação está no fato de ela ter se afastado de seu objetivo essencial, que é promover o domínio pleno do conhecimento e a capacidade de reflexão. A escola, assim, se transformou em simples instrumento a serviço da indústria cultural, que trata o ensino como uma mera mercadoria pedagógica em prol da "semiformação". Essa perda dos valores, segundo o autor, anula o desenvolvimento da autorreflexão e da autonomia humana. "Adorno critica a escola de massa por ela, segundo ele, instalar e cultuar a massificação. O resultado disso é a deformação da consciência", diz Rita Amélia.

Numa escola em que impera a banalização do conhecimento, o aluno é induzido a deixar de ler com profundidade as principais obras literárias, por exemplo, dando lugar à absorção de apenas alguns trechos necessários para responder aos exercícios escolares. "São repassados nada mais do que conhecimentos fragmentados e o trabalho pedagógico está somente orientado para conseguir a aprovação em exames e um diploma", afirma Rita Amélia. Seria a famosa "decoreba" de respostas prontas, em vez do estímulo ao raciocínio.

ICARO RAFAEL MATTA PEREIRA

99192

E aí, meu chapa, esse conto que escrevi é arte?


Escrevi um conto hoje enquanto comprava um podrão pra comer. Acho que ele é arte. Minha intenção de que fosse arte não está presente, ele expressa o espírito e transcende a racionalidade, por que muitas das expressões que eu insisto em usar são figuras de linguagem tão estranhas e próprias (e até originais e irreprodutiveis) que não fazem sentido para os que me leem. Não que eu me esforce muito para ser compreendida.
Vamos ao mini-conto.

Desceu a escadaria de madeira apressado, fazendo os pés ressoarem firmes pela igreja. Sabia que tinha pouco tempo e que havia grande ansiedade para que ele fizesse algo que a acalmasse.
Ela estava sentada no sofá da sala de espera e chorava num choro firme e de tal forma contido que a fazia parecer ainda mais desesperada.
O rosto abaixado, o jeans ensopado. O choro era constante, mas alto. Qualquer um que a visse saberia que a mágoa que carregava, já carregava a muito tempo.
- Clara...
Ele aproximou-se devagar, com o cuidado de quem teme assustar um pássaro. Ela continuava focada em seu próprio choro e não levantou o rosto.
-Clara, eu...
- Eu não sei por que você está aqui. Foi a resposta dela que atravessou a sala como uma faca, botando tudo a ruir-se. Desabou em choro novamente. A mágoa era grande, mas ela estava aliviado por ele estar ali.
Na verdade, ele também não sabia por que estava alí. Havia sido chamado as pressas por amigos, quando estes não sabiam mais lidar com aquela súbita crise de Clara. Ele não era um candidato óbvio à consola-la. Talvez alguns dali não soubessem como ele a havia ferido, mas era ilógico que estes que sabiam o chamassem. Estava honrado, mas confuso.
De qualquer maneira, ninguém sabia bem como ajudar.
Clara chorava de certa forma por tudo. Chorava pelo pai que nunca conhecera, pelo amigo morto um ano antes, pelo conhecido de sua amiga que se matara aquela tarde, pelos males do mundo, pela mágoa com ele. Sim, principalmente pela mágoa com ele. Toda a dor que a havia aprisionado por tanto tempo vinha agora a tona - da forma mais visível possível. Se sentia fraca e firme ao mesmo tempo. Como num martírio em que se morre- mas sabendo crente o motivo.
De súbito olhou pra ele, com olhos que pretendiam ódio, mas que apenas revelavam fragilidade -Eu confiei em você. E olhando pra baixo continuou -Meu Deus, eu confiei em você.  Como pode ter feito isso? Falava mais para si mesma que pra ele que a encarava sem saber bem o que dizer, mas querendo dizer um mundo- sem achar palavras.
-Olha, eu ja te pedi perdão.
- Perdão?!
- Disse que continuariamos amigos.
- Impossível.
Contemplava a própria mão, pensando no que acabara de dizer. "É impossível que sejamos amigos. É impossível que eu tenha qualquer parte na sua vida."
Ele então decidiu que não havia jeito, e que não tinha motivos para estar alí. Que se dane, se encontrasse os outros diria que era impossível consola-la ou fazer qualquer outra coisa. Também não gostaria. Não queria dispor de novo seu coração. Se sentia humilhado por aqueles olhos, que jogavam na cara que estava errado e não queria admitir.
- Tchau, Clara. Se precisar de mim, me fale. Mas não vou discutir isso agora.
Sua resposta era branda, mas estava profundamente magoado. Não queria ter feito aquilo. Não queria ter começado a história.
Mais decepção se apoderou dela. Por que ele não podia lutar? Lutaria por outra? Loucura. Não importa. Deixe pra lá, criança. Não é problema seu. Vá, então. Mas não podia dizer isso em voz alta. Talvez ele fosse mesmo- e nunca voltasse.
Ele saiu em silêncio, irritado. Na capela, o louvor continuava firme. Talvez fosse capaz de fingir que estava tudo bem consigo.

Kedma Julia 99174 

Indústria Cultural em 2019 no Brasil

Por Roberta Abreu (99208)

Em seus estudos, Adorno aborda a temática de Indústria Cultural e entende que ela não é produtora de arte, já que vive repetindo padrões com intuito de formar uma estética comum e completamente voltada pro consumismo. 

No Brasil, o estilo musical mais ouvido é o sertanejo (Datafolha) e o público de diferentes idades escutam músicas nessa linha. O que pode ser notado é que cantores como Simone e Simaria, Marília Mendonça e Zé Neto e Cristiano, além de fazerem parte desse Universo, tem suas melodias e letras bem parecidas, sempre retratando temáticas de corno, coração ferido/sofrência e bebedeira para esquecer dos problemas. Não há problema algum nisso, o que quero retratar aqui é que eles e os outros parceiros da área estão sempre reproduzindo as mesmas coisas, com os mesmos sentidos, e na maioria das vezes não é para fazer arte, e sim para lucrar nesse sistema capitalista, já que os dados comprovam que os brasileiros consomem - e muito! 
Adorno fala muito sobre isso, sobre essa indústria que é totalmente dependente do mercado, que não acrescenta para a formação de senso crítico e que está intrinsecamente ligada à reprodução e reforço de padrões.  

Adorno e a Escola de Frankfurt


Na visão dos frankfurtianos, a cultura é algo que deve ser capaz de gerar ampliação do pensamento crítico a partir de uma determinada fruição/ epifania ( é quando você se sente impactado por algo).



A grande característica da cultura  na modernidade é a sua submissão a razão instrumental, que  a transforma  em produto simplificado, pobre em fruição/ epifania e voltado a massificação  de comportamentos alienados e alienantes que colaboram para a manutenção das prisões da vida moderna. 

O grande problema/equívoco dessa teoria é desconsiderar outras formas de fruição/epifania, que são populares, na construção de capacidades críticas a sujeitos aprisionados na vida moderna.
Apesar de a indústria cultural e seus produtos terem características de mistificação, não se pode concluir que os sujeitos não tenham capacidade de criticar a própria miséria cultural a que estão submetidos, e a buscar outras formas de expressão simbólica.

Para os estudos culturais, "mídia" não é algo descolado da vida social; ela é parte da própria sociedade.

Para entender os estudos culturais, dois entendimentos se mostram fundamentais:
  1. Noção de cultura como modos de vida;
  2. Noção de negociação/ resistência dos sujeitos em relação aos meios.


Indústria Cultural segundo Adorno

 O conceito de indústria cultural foi cunhado em 1940 por Theodor Adorno em coautoria com Marx Horkheimer na obra Dialética do esclarecimento, substituindo a expressão “cultura de massa”, pois a mesma causava certa ambiguidade ao sugerir um sentido de uma cultura nascida espontaneamente das camadas populares. Esse conceito é como lócus essencial para compreender a cultura de massa e a armadilha da técnica na sociedade moderna.

A indústria cultural transfere as características o domínio da técnica para os bens culturais na modernidade, adaptando os produtos a um consumo de massa aliado aos interesses do capital para construir um grande sistema: “O terreno no qual a técnica conquista seu poder sobre a sociedade é o poder que os economicamente mais fortes exercem sobre a sociedade. A racionalidade do método hoje é a racionalidade da própria dominação”.

As influências da indústria cultural se revelam como um debate ainda atual no que tange à massificação cultural, uma vez que o poder exercido pelos interesses mercadológicos vigoram de modo patente sobre as escolhas dos indivíduos. De tal forma que muitos tendem a guiar seus gostos artísticos conforme a moda em voga. Nesse sentido, a monopolização da cultura como produto impede a apropriação para formação estética dos sujeitos, pois suas reais intenções são determinadas por questões comerciais onde o lucro é o seu maior objetivo.  

Entretanto, mesmo com posições pessimistas acerca do poder exercido pela indústria cultural, Adorno vê possibilidades de uma cultura não desvinculada da formação humana. Assim, para a educação ser efetiva, necessita promover a autonomia e a emancipação dos sujeitos contrapondo-se à ideologia dominante através da autorreflexão crítica. Sendo assim, é praticamente impossível fugir desse modelo, mas deveríamos buscar fontes alternativas de arte e de produção cultural, que, ainda que sejam utilizadas pela indústria, promovessem o mínimo de conscientização possível.

Iasmim Lamounier
ES99209



A estética da pele em que habito


A estética da pele em que habito 

Por: Adrielle Mariana - 99210

Segundo Nietzsche a estética é intrínseca e está ligado à sociedade, e deposita na estética uma roça produtiva, podemos observar esse comportamento de entendimento da realidade através da imagem do filme “A pele em que habito”.
O longa conta  a história de um cirurgião plástico que após a morte de sua esposa, ele cria uma pele resistente a qualquer dano, entretanto a cobia utilizada para esse experimento é um homem que durante uma festa estupra sua filha, então Roberto, o cirurgião decide aprisionar o homem que abusou de sua filha para elaborar um plano de vingança ao suposto estuprador. Após muitos tempo aprisionado, Roberto decide fazer testes e experimentos nesse homem, trocando seu sexo e mantendo relações sexuais com o mesmo, até enfim criar um afeto emocional com a mulher, que mesmo tendo mudado de sexo continua aprisionado.
A estética tem o poder visual de análise de realidade, a fotografia e as cenas ao longo do filme exemplifica bem tudo o que aconteceu com o homem, sem precisar de recortes ou uma explicação científica da realidade. Essa estética por si só deixa claro a tensão inicial até o entendimento final da trama.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Adorno: Seis autores um só Adorno



Seis grandes filósofos contribuíram em fases diferentes para a visão de adorno sobre a estética em diferentes fases. O idealismo alemão de Kant e Hegel a filosofia contemporânea de Freud e Benjamin e a transição de Marx e Nietzsche.

Adorno pode perceber que as criações artísticas são estimuladas por condições sócio históricas. Benjamin percebe uma reprodutibilidade técnica da obra de arte entrando no esquisito da indústria cultural.

Na indústria cultural o que vende é o chocante por mais que você não concorde com o que é exposto você irá ver um exemplo da massificação da própria arte está no mundo da música se você for parar para perceber a melodia é quase sempre a mesma e só se muda à letra. Novo álbum do cantor sertanejo Gusttavo Lima o embaixador em Cariri, ouvir todas as músicas percebi que a melodia é basicamente a mesma e a letra a temática da letra é sempre em torno de alguém que foi traído ou abandonado, isso claramente foge do original mantendo uma arte cada vez mais padronizada.

Taynara Pena 99205

Van Gogh: um gênio artístico


No último seminário apresentado de Filosofia da Comunicação, o tema foi "Seis nomes, um só Adorno". Nele, seis autores tiveram essencial importância para construção da estética para Adorno. Um desses autores foi o filósofo austríaco Sigmund Freud. 
Freud foi considerado o pai da psicanálise que promove a consciência de padrões de emoções e comportamentos inconscientes, desadaptativos e habitualmente recorrentes. 
No que se refere à arte, a preocupação principal dele não é a arte ou a reflexão sobre ela, mas penetrar nos segredos mais recônditos da psique humana.  Para Freud, a arte é um fenômeno derivado de complexos mecanismos psíquicos, cujo estudo se apresenta como uma oportunidade de aprofundamento nos conhecimentos sobre os mesmos. Por isso, a importância da psicanálise nesse sentido, para investigar o inconsciente e o sublime, isto é, o que desestabiliza e nos tira dos eixos. 
Além disso, para Freud a expressão artística serve como escape da pulsão sexual, e o artista acaba por revelar no seu produto aquilo que ele esconde dos outros e de si mesmo. A arte mostra os desejos mais ocultos dos indivíduos.
No entanto, Adorno critica isso e não concorda com a ideia de Freud. Para Adorno, a psicanálise não representa a estética da arte, já que essa mesma promove a saúde mental. E a arte permite a amplitude da proporção artística e até mesmo contou com contribuições artísticas de quem teve algum transtorno mental. 
Exemplo claro é Vincent Van Gogh que desenvolveu esquizofrenia. Especialistas acreditam que ele também sofria de xantopsia, por isso via os objetos mais amarelados e intensificava essa cor em seus quadros. Mesmo assim, o pintor fazia belíssimas obras de arte que até hoje fazem sucesso.
Embora as pessoas são diagnosticadas com esquizofrenia ou algum outro transtorno mental, elas lutam para não se entregarem aos remédios, e algumas delas apenas usam a arte para escapar desta terrível doença. 


Alice Ruschel Mochko
99178

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Uma breve crítica à visão elitista de cultura

       

       O termo Indústria Cultural foi criado pelos filósofos e sociólogos alemães: Theodor Adorno e Max Horkheimer. Eles foram importantes pensadores da Escola de Frankfurt e a partir do livro Dialética do Esclarecimento (1944) eles propuseram que a cultura deveria gerar a ampliação do pensamento crítico. Porém, na modernidade, com a incorporação dos vários tipos de cultura pela indústria cultural eles observaram que a música, os filmes, os demais tipos de arte perderam a fruição e epifania (sentimento de encantamento diante de determinada arte). Ademais, na visão deles a cultura começou a ser utilizada como forma de gerar lucro e alienar as massas.
Contudo, acredito que a visão dos frankfurtianos é, de certa forma, elitista ao desconsiderar que não é só a cultura erudita que pode despertar o senso crítico e que existem culturas populares que também fazem crítica social. Além disso, ao ressaltarem que a massa ficaria alienada ao consumir produtos da indústria cultural, fica subentendido que os consumidores não são sujeitos capazes de distinguir a miséria cultural a que estão submetidos.
No meio musical, por exemplo, observa-se o sertanejo universitário como um dos principais produtos dessa indústria cultural. No entanto, não é só porque a pessoa escuta esse gênero que ela está alienada. Eu, particularmente, escuto desde “Infiel” da Marília Mendonça até “Cálice” do Chico Buarque e reconheço que a última me proporciona uma reflexão muito maior do que a primeira, mas não é por isso que vou deixar de curtir a sofrência. É claro, também, que cada pessoa tem sua própria bagagem cultural, umas são mais privilegiadas que as outras e, por isso, acredito na necessidade da democratização da cultura.  Dessa forma, reconheço a importância da difusão de músicas que fazem crítica histórica e social, mas reconheço que a canção popular também deve ser valorizada. Nesse sentido, é importante pensar que democratizar a cultura não é impor a europeia e erudita, mas sim valorizar e dar visibilidade também para culturas populares. Sendo assim, creio que ao conhecermos e respeitarmos as variadas culturas existentes, jamais seremos alienados.

Aluna: Laura Fernandes de Souza. 
Matrícula: 99190

Show And Tell: capitalismo e a indústria musical



‘’Temos a arte para não morrermos da verdade’’

Não existe um consenso sobre o que é a Arte, variando conceitos, filosofias e ideias de pessoa para pessoa.
A Teoria estética de Adorno, tem como característica mais marcante o fato de ser uma versão modificada da teoria desenvolvida por Karl Marx, que busca analisar a sociedade a partir das forças produtivas e das relações sociais de produção.
Para Adorno, a estética é a única forma que nos resta para criticar o sistema social, uma vez que o sistema como um todo está dominado pela falsidade, e uma mentira pontuada na suposta harmonia que a ideologia burguesa finge existir.
Sendo assim, é possível analisar a arte em dois pontos: belo e sublime; Belo se tratando do prazer estético, e sublime, um ‘’furacão desoriente’’, que tira as coisas do lugar. Para a indústria, a arte serve como fonte de lucro, reprodutiva tecnicamente, uma forma de entretenimento. Podemos observar isso no capitalismo, sendo o cinema uma invenção deste sistema.
Podemos observar essa questão na indústria musical atual, onde muitos artistas são submetidos a desenvolver um determinado conteúdo que agrade a grande massa e que gere dinheiro, e não necessariamente aquilo que o realiza como profissional. No funk, no sertanejo e no pop, com as letras cada vez mais vazias e ritmos semelhantes, vemos inúmeros grandes exemplos de como o foco de grandes produtoras tem sido o atingir e agradar o máximo de público possível, visando um maior lucro. Na musica ‘’Show & Tell’’, a cantora Melanie Martinez faz uma crítica velada a esse sistema:

‘’Mostre e diga (mostre e diga)

Estou em exibição para todos vocês, fodidos, verem (fodidos verem)
Mostre e diga (mostre e diga)
Palavras ásperas se não conseguir uma foto comigo
Compre e venda (me compre e me venda, amor)
Como se eu fosse um produto para a sociedade
Arte não vende
A menos que você tenha fodido todas as autoridades’’


Além da letra, no clipe da música Melanie simula ser uma boneca mar
ionete, exposta frente a uma sala de aula cheia, na qual a professora manuseia as cordas que prendem essa boneca e que comandam suas ações, enquanto ri impiedosamente. Uma clara crítica ao sistema que controla os artistas e seus conteúdos em detrimento de obter lucro, custe o que custar.

Ana Caroline Souza, 99211