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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Transparência e fake news



O livro escrito por Byung-Chul Han, A Sociedade da Transparência, foi publicado pela primeira vez no ano de 2010, em Berlim. Han apresenta e reflete sobre a Sociedade da Transparência, uma sociedade da informação. Ela diferencia-se dos outros modelos de sociedade anteriormente explicados por Han, pois está privada de qualquer negatividade (Sociedade da Disciplina), marcada por desconfiança (Misstrauen) e da suspeita (Verdatch). O controle aparece por causa do desaparecimento da confiança, mas não de forma violenta.

Heidegger, filósofo alemão, destaca a questão da imagem, o meio pelo qual nos apoderamos de significado produzido por indivíduos. Nos dias atuais, é difícil identificar o real significado, uma vez que as imagens só são representações, se proliferam para além do poder e do domínio e são mais vivas que os próprios criadores: nós.

A sociedade da transparência é caracterizada pela falta de aparência, pois é cheia de máscaras - ela é vazia, uma vez que perde-se no meio dessas imagens e no mundo de aparências. Para tentar preencher esse vazio, uma grande massa de informações é difundida pela mídia. Além da mídia, os próprios indivíduos se responsabilizam pela divulgação de informações, por exemplo quando publica-se uma informação em um espaço público online, como o Whatsapp. O indivíduo expõe a informação e tal informação põe a linguagem dela, o falar dela.

No cenário conturbado que levou a propagação de Fake News, as circunstâncias foram consequência desse fato. Cidadão compartilharam informações que eram compatíveis com sua linha política, expondo seu falar. Entretanto, não confirmavam a veracidade das notícias, o vazio do mundo das aparências não foi preenchido e criou-se a problemática das notícias falsas no meio online. Isso porque a massa de informações não gera verdade; a hiperinformação e hipercomunicação não clarificam (luz) à gente.

O conceito de verdade é relativo, pode-se considerar verdade aquilo é moral para a sociedade da época. Na problemática das fake news, a verdade está ligada diretamente a aquilo que queremos acreditar e validar, independente do modo. Por mais que as notícias vinculadas ao pensamento sejam falsas, elas legitimam o ideal daquele que as expôs, tornando-se verdade para estes. Com a difusão da informação, a notícia torna-se verdade para outros também, causando um verdadeiro caos.


Laís C. F. Fidélis




terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Presos pela liberdade

“Os frequentadores do panóptico digital colaboram ativamente e de forma pessoal em sua edificação e manutenção, expondo-se e desnudando a si mesmos, expondo-se ao mercado panóptico.”

Assim podemos entender a forma como cada um de nós contribui para nosso próprio monitoramento e vigilância na sociedade da transparência, termo cunhado por Byung-Chul Han para caracterizar a sociedade moderna na qual vivemos.
 Atualmente o país que mais acessa redes sociais de acordo com pesquisa da Comscore, 88% da população brasileira acessa redes como YouTube, Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat, Linkedin e Pinterest. A partir desse panorama podemos refletir sobre como as novas mídias e como as usamos nos influenciam. 
Teorizado pelo filósofo e jurista Jeremy Bentham, o panóptico de Bentham seria um presídio perfeito. Consistindo de um prédio em formato de anel e com uma torre central, que teria visão para todas as celas, esse projeto teria sido desenhado para garanti a vigilância perfeita de todos os contidos na prisão. 
Ao nos questionarmos sobre a forma como utilizamos as redes sociais e como elas moldam nossas realidades, podemos supor que estamos em um presídio quase tão perfeito quanto o de Bentham. Pautada na liberdade, a internet promete infinitas possibilidades de se expor, comunicar e alcance, porém sem revelar os possíveis malefícios de toda essa liberdade. Em meio à onda de hiper informação que nos acomete nos perdemos acreditando estarmos escondidos em meio ao caos informacional, enquanto estamos sendo constantemente monitorados.

Davi Pinho, 88986

domingo, 1 de dezembro de 2019

...

Apenas o vazio é transparente. As pessoas buscam se ocupar cada vez mais para não pensarem em si mesmos e nos seus atos, pois estar consigo mesmo se tornou algo quase impossível. A sociedade atual tem medo de conviver e estar sozinha, o que leva à uma exposição até doentia e uma falsa ideia de quanto mais produtivo melhor.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Black Mirror e a sociedade da transparência




          A sociedade da transparência que emerge com o surgimento das tecnologias, de acordo com Byung-chul Han, é privada de negatividade e marcada pela busca de atenção entre outras características. Dessa forma, as pessoas dessa sociedade se expõem a todo momento, principalmente no meio virtual, buscando passar a ideia de uma vida perfeita, cheia de positividade. Porém, no meio de tanta informação, tanta “pornografia” no sentido de tudo estar tão exposto as pessoas acabam ficando perdidas, vazias e facilmente controláveis.
          Ao pensar em sociedade da transparência, é impossível não lembrar da série Black Mirror, principalmente do episódio “Queda livre” que nos apresenta um mundo “perfeito”, em que as pessoas são julgadas de acordo com sua popularidade em um aplicativo muito semelhante ao Instagram. Por causa disso, os habitantes deste mundo devem se comportar de acordo com as regras, ser gentis e fingir ser “perfeitos” para ter uma imagem boa. Da mesma forma, na nossa realidade muitas pessoas usam e abusam dos filtros nas redes sociais para expor a melhor imagem de si, compartilhando somente momentos felizes. Porém, no mundo virtual é consideravelmente fácil manter sua imagem, mas ter que se comportar assim na vida real como acontece no episódio, é impossível!
          Queda livre, assim como a sociedade da transparência, nos colocam em um teatro, onde tudo é aparentemente perfeito, mas ninguém é feliz na realidade, até porque é impossível ser feliz o tempo todo e adorar a todos.


Autora: Laura Fernandes de Souza.
Matrícula: 99190

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Tyler Down, a perca de si mesmo

''Meu nome é Tyler Down, e eu sou um sobrevivente'' - Cena da terceira temporada




A sociedade da transparência trata-se de uma sociedade caraterizada por uma radiação opaca penetrante e penetrável, pois apenas o vazio é de fato transparente. Nesse modelo de sociedade, a exposição de si em busca de atenção é um dos pontos mais fortes, principalmente na era das redes sociais e nessa ideia de que quanto mais produtivo seu dia, melhor. As pessoas buscam ao máximo estar ocupadas e entendem o tédio como algo negativo, praticamente não o suportam, e assim, param cada vez menos para pensar sobre suas atitudes e sua vida no geral, sobre que rumo se está seguindo.
A série produzida pela Netflix, 13 reasons why, tem como foco na primeira temporada o suicídio de Hannah Baker, mas usaremos como ponto de observação aqui a história de outro personagem: Tyler Down. Tyler é considerado o garoto ‘’esquisito’’ da escola, é humilhado em várias situações e todas as vezes em que busca uma relação com alguém ou um grupo, é excluído. Em certo ponto da trama, tem sua intimidade exposta na internet e é ainda mais caçoado e humilhado pelos colegas de escola. O adolescente, que até então já se sentia rejeitado pelos demais, prestes a perder o sentido de sua vida, vê o resto de esperança indo por água abaixo depois de sofrer um estupro cruel e repulsivo. Tyler não apenas se sente vazio, mas não reconhece mais a si mesmo. Depois de tanto tentar se modular para ser inserido nos grupos dos quais queria fazer parte, perde a essência de si mesmo e nada mais lhe importa. Tyler deseja vingança, e morte não é mais, de fato, um problema. A partir do momento em que não se reconhece mais, nada mais é relevante para ele.
Tyler acaba tendo um bom final, se reerguendo e tentando mais uma vez, mas nem todas as pessoas na realidade conseguem. Uma vez perdida a essência de quem se é, torna-se uma tarefa extremamente difícil redescobrir quem você é debaixo de toda maquiagem e fingimento. E esse é um dos principais problemas da sociedade da transparência: a busca por atenção e a necessidade de expor e de se encaixar cria pessoas doentes, que nem sempre conseguem se recuperar.


Ana Caroline De Souza, 99211

domingo, 15 de setembro de 2019

A transparência em “Independência” do Capital Inicial





Toda essa curiosidade que você tem pelo que eu faço
Eu não gosto de me explicar, eu não gosto de me explicar
Toda essa intensidade, buscamos identidade
Mas não sabemos explicar, mas não sabemos explicar

Se paro e me pergunto: será que existe alguma razão
Pra viver assim se não estamos de verdade juntos

Procuramos independência
Acreditamos na distância entre nós
Procuramos independência
Acreditamos na distância entre nós

Toda essa meia verdade no que temos nos conformado
Só conseguimos nos afastar. Mas aprendemos a aceitar
Tantas coisas pela metade, como essa imensa vontade
Que não sabemos explicar, que não sabemos saciar




A sociedade da transparência é uma sociedade antes de tudo da hiperinformação, da exposição, do controle, das aparências e também da desconfiança.

A letra da música Independência do Capital Inicial reflete muito bem isso. Aparentemente o eu lírico narra seu relacionamento conturbado na medida que seu amor o cobra muito por informações a todo momento. A estrofe, portanto, reflete um clima de desconfiança na medida que o controle é exarcebado:

Toda essa curiosidade que você tem pelo que eu faço
Eu não gosto de me explicar, eu não gosto de me explicar


A necessidade de saber o que faz, onde está e tudo sobre o sujeito faz com que a privacidade na sociedade atual ou dita sociedade da transparência se torne algo ausente.

Há outra parte o qual o eu lírico cita o termo meia verdade. Na sociedade da transparência, a verdade é algo difícil de se obter, uma vez que estamos englobados em uma rede digital que é perpassada por imagens que são simulacros, imitações do real. Outro ponto interessante dito na canção é sobre afastar. O fato de se afastar, distanciar e as coisas pela metade (paradoxalmente "pouca" informação) e mesmo assim com imensa vontade de ficar, revela o grande embate da sociedade da transparência que é a confusão e o indivíduo perdido nessa massa de hiperinformação.
Por fim, "procura-se independência". 
Independência no sentido de não ser vigiado ou a todo momento cobrado. 
Além disso, em "Acreditamos na distância entre nós" mostra que mesmo diante dessa cobrança e exigência de informação, há a crença ilusória de certa forma de se ter o sigilo e a privacidade.

Nome: Alice Ruschel Mochko
Matrícula: 99178