A principal questão discutida nas histórias de Lúcifer: o ser humano não tem livre arbítrio e seus passos são traçados pelo Pai?
O Jornal de Filosofia da Comunicação é um espaço de produção de conhecimento crítico e filosófico de estudantes do Curso de Comunicação da Universidade Federal de Viçosa. As postagens - notícias, colunas, opiniões e resenhas - são produções inspiradas nas aulas de Filosofia da Comunicação (EDU 124. Os textos e imagens são de responsabilidade dos autores estudantes e não são compartilhadas pela universidade ou pelo corpo docente. Coordenador : Prof. Dr. Arthur Meucci (DPE/UFV)
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
liberdade ou autonomia: o dilema de Lúcifer
Lucifer é uma série de televisão americana protagonizada por Tom Ellis, que se desenvolve ao redor de Lucifer Morningstar, que está entediado e infeliz como o Senhor do Inferno. Ele renuncia seu trono e abandona seu reinado para tirar férias em Los Angeles, onde dá início a uma casa noturna. Depois que uma celebridade a quem Lucifer ajudou a alcançar a fama é assassinada, ele se envolve com a polícia e começa a ajudar a Detetive Chloe Decker a resolver casos de homicídio e encontrar os responsáveis para que possa "puni-los".
A principal questão discutida nas histórias de Lúcifer: o ser humano não tem livre arbítrio e seus passos são traçados pelo Pai?
A principal questão discutida nas histórias de Lúcifer: o ser humano não tem livre arbítrio e seus passos são traçados pelo Pai?
Rousseau e Kant como visões da autonomia e liberdade
Para ROUSSEAU (1999), a liberdade é inalienável e, por tal afirmação, a proposta
essencial é a de “encontrar uma forma de associação que defenda e proteja com toda a força
comum a pessoa e os bens de cada associado e, através de cada um, mesmo se unindo a todos,
só obedece a si mesmo e continue tão livre quanto antes”. Essa afirmação exalta que, se os
indivíduos se submetem à autoridade única da lei, não estariam se submetendo,
automaticamente, a nenhuma pessoa. No entanto, a liberdade de Rousseau está submetida à
vontade geral do povo, que não representaria a mera soma das vontades particulares. Entende-se por vontade geral do povo a ação de defesa dos interesses do todo, acima dos interesses
particulares de pessoas ou grupos sociais atuantes e representativos nas relações da sociedade.
Assim, as leis deveriam atender aos interesses da vontade geral, tornando os indivíduos
submetidos à obediência sempre da lei e nunca de outros indivíduos. O limite da liberdade de
Rousseau seria o de não dar a devida importância para o fato de que as leis, quando
elaboradas, estão carregadas de interesses de grupos particulares. Tal possibilidade de não
neutralidade quanto à ideia básica de Rousseau, o da criação das leis para atender à vontade
geral do povo, somente se concretiza, quando se percebe que as leis, na sua maioria, são
elaboradas com base em necessidades motivadas por situações muito mais ligadas a atitudes
paliativas do que preventivas. Dessa forma, quando, na necessidade de elaborar soluções
rápidas para a coesão social, são promulgadas leis que necessariamente não foram alvos de
discussões que esclarecem os reais interesses da vontade geral. Assim, por meio de atitudes
imediatistas e, muitas vezes, precipitadas tomam-se decisões de caráter ideológico e parcial.
Portanto, a neutralidade da lei não passa de disfarce para esconder os reais interesses que
motivaram sua criação e promulgação. A legitimação passa a ganhar a conotação legal
necessária para sua aceitação e reprodução social, desse modo, o que se vê é uma
racionalidade formal a trabalho da manutenção das elites e das relações de dominação entre os
indivíduos. A liberdade almejada pelo autor cai no erro de despersonalizar as relações de
dominação e submissão entre os indivíduos, tornando-se mais facilmente internalizada e
aceita pela maioria.
“A autonomia seria o domínio do consciente sobre o inconsciente. Sem prejuízo da
nova dimensão sobre profundidade revelada por Freud, este é o programa da reflexão
filosófica sobre o indivíduo, há vinte e cinco séculos, o pressuposto e ao mesmo tempo o
resultado da ética tal como a viram Platão ou os estóicos, Spinoza ou Kant” (CASTORIADIS,
1995, p. 123). No sentido estrito da palavra, “autonomia” significa liberdade condicionada.
No sentido amplo, aqui apresentado sem aspas, é a ação guiada pela reflexão crítica de forma
coletiva, que procura a emancipação por meio da práxis. A autonomia é tema relacionado
diretamente com a ética. Apesar da conotação individual que o conceito de autonomia
adquiriu na atualidade (muito em função de uma sociedade que clama por “liberdade” em
todas as esferas da vida), é no plano coletivo que ela se legitima. Mesmo quando os processos
inconscientes individuais determinam as relações de autonomia da sociedade, não se pode
negar a necessidade de um grupo ou coletividade que sirva como objeto para as realizações
dos desejos. Assim, a autonomia só se confirma pela presença do outro, entendendo-se este
como o indivíduo isoladamente, ou no seu coletivo. Ressalte-se que o outro não precisa,
necessariamente, estar presente. No ambiente de trabalho, a perda da autonomia individual se
dá muito pela maneira como se organiza o processo de trabalho. A intervenção dos indivíduos
na divisão do trabalho, na atualidade representada normalmente pela figura do engenheiro,
ocorre sem que os operadores participem da divisão do seu trabalho. A perda da autonomia,
dessa forma, ocorre pela imposição de um sistema de trabalho, que desconsidera as
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particularidades daqueles que o desempenharão. Questões como ritmo, carga horária,
condições ambientais do trabalho não levam em conta a particularidade do indivíduo. Em
síntese, o trabalho que um determinado indivíduo desempenha é criado e modificado por
outro. A autonomia de adequar as condições de trabalho para cada situação específica não se
confirma como prática. Essa é a corrente no atual sistema de produção, porque o indivíduo é
um ser instrumentalizado (reificado, para parafrasear Lukács), que tem como função
proporcionar o melhor custo-benefício para as organizações. A relação de distanciamento de
quem elabora o sistema de produção e de quem opera, faz com que aquele que elabora não
veja, nem sinta, aquele que opera como um ser humano dotado de limitações.
ICARO RAFAEL MATTA PEREIRA
99192 Dona do próprio destino
Dona do próprio destino
Por: Adrielle Mariana - 99210
Na música Dona de mim, a cantora Iza diz ser dona de seu próprio destino, logo a canção e a cantora afirma aceitar suas condições, vivendo em livre arbítrio sendo capaz de decidir seu próprio destino, obtendo a capacidade de escolha em suas mãos.
Num trecho da música, o conceito de liberdade é ilustrado bem na canção
“...penso duas vezes antes de falar…
sempre fiquei quieta agora vou falar”
A cantora narra que durante muito tempo, seus gostos e desejos foram silenciados pela sociedade, e a mesma mostra sempre está em busca de um espaço para agir de forma autônoma, tomando frente de suas decisões, exemplificando que a partir do momento que ela nasce, a mesma está presa ao social, mas a partir do momento em que toma consciência dessa condição, ela se torna livre e é exatamente o que Iza quer passar de mensagem
“Me perdi pelo caminho, mas não paro não
já chorei mares e rios, mas não afogo não
sempre dou o meu jeitinho…
porque Deus me fez assim Dona de mim”
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
voe! | inspirado no filme Na Natureza Selvagem
Por: Roberta Abreu (99208)
No filme Into the Wild - Na Natureza Selvagem - o personagem, cansado desse sistema escravizador capitalista, das falsidades, mesquinharias e futilidades do dia a dia, percebe que já não sabe mais quem ele é, do que é de sua vontade e o que lhe é imposto... ele já não sabe mais o que o faz feliz. É aí que decide largar tudo isso e abre mão da sua estabilidade para se permitir viver a sua liberdade, a liberdade de viajar o mundo, sem hora pra acabar, conhecendo pessoas tão diferentes que mudariam qualquer visão já construída sobre a vida.
É um soco no estômago daqueles que almejam mudança, e só. Almejar não te liberta, é preciso construir.
domingo, 1 de dezembro de 2019
Sobre o bem maior do mundo
Jorge Amado, sempre com seus romances regionalistas e característicos,
nos mostra como a liberdade é o bem mais precioso dos homens. Em “A morte e a
morte de Quincas Berro D’agua”, o personagem principal, um morto, teria vivido
sua última aventura, mesmo que morto, na liberdade das ruas da Bahia com seus
amigos contrariando os desejos da família. Nesse livro, Jorge nos mostra como
alguém pode ser feliz mesmo que abandonando uma vida de luxos pelas incertezas
das ruas das cidades da Bahia. Quincas, antigo Joaquim Soares da Cunha, deixa sua
família e casa em troca de viver uma vida simples e regada à cachaça com outros
beberrões da cidade. Amado destaca como Quincas Berro D’agua vive uma vida mais
feliz que Joaquim Soares da Cunha, mesmo que o único bem que possua seja sua liberdade.
Outro livro que Jorge Amado deixa clara a importância da
liberdade e de se lutar por ela é “Capitães de Areia”. Nele, os pobres meninos
órfãos que moram em um trapiche e roubam para se sustentar já valorizam mais a
liberdade do que qualquer outra coisa no mundo. O livro mostra a busca dos
doqueiros por mais direitos e sua luta, narrando também acontecimentos como a
prisão de crianças no reformatório e reafirmando essa busca incessante por liberdade.
Em um de seus trechos, o chefe dos capitães de areia ouve os presos cantando
uma moda triste, que fala sobre liberdade. O livro narra “Lembrava-se da
canção que os presos cantavam na madrugada que nascia. Dizia que a liberdade é
o bem maior do mundo. Que nas ruas havia sol e luz e nas células havia uma eterna
escuridão porque ali a liberdade era desconhecida. Liberdade. João de Adão, que
estava nas ruas, sob o sol, falava nela também. Dizia que não era só por
salários que fizera aquelas greves nas docas e faria outras. Era pela liberdade
que os doqueiros tinham pouca. [...] Lá fora é a liberdade e o sol. A cadeia,
os presos na cadeia, a surra ensinaram a Pedro Bala que a liberdade é o bem
maior do mundo. Agora sabe que não foi apenas para que sua história fosse
contada no cais, no mercado, na Porta do Mar, que seu pai morrera pela
liberdade. A liberdade é como o sol. É o bem maior do mundo.”.
Alanna Fontes
99184
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a falsa liberdade do ser
Todos os dias vivemos uma rotina onde temos a sensação ter escolhido viver de tal maneira, mas não percebemos que somos condicionados à tal modo. Somos resultado da falsa ideia de liberdade de sermos e vivermos como quisermos. No final não há escolha ou decisão.
Noemi 99204
Noemi 99204
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
"Into The Wild" - Liberdade ou Autonomia?

Lançado em 2007, o filme "Into the Wild" narra a história de Chistopher McCandless (Emili Hirsch), um jovem americano que resolve largar a boa vida com pais ricos após se formar e doar seu dinheiro a uma instituição, com destino a Alasca selvagem – “a grande aventura” de acordo com o personagem. Uma fuga em revolta aos padrões da sociedade e desprezo pela superficialidade da relação humana.
Vemos a transformação do personagem, não só de Chistopher McCandless para Alexandre Supertramp – o andarilho, mas como transformação psicológica, o processo à maturidade desde que largou tudo até seu contato mais intenso com a natureza. A história é conduzida pela trilha sonora de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam com seu primeiro álbum solo e dedicado ao longa com todo aquele toque de folk rock/grunge, não poderia ser melhor. Ganhou o prêmio de melhor canção original por “Guaranteed” no Globo de Ouro.
Alguns se incomodam com o desfecho do filme, tudo se remete a uma reflexão e questionamento de ideologia e liberdade. Em torno do cenário e história do longa várias questões podem ser levantadas perante o tema de "Liberdade ou Autonomia", no drama o personagem se desenvolve em torno da busca por essa Liberdade, e não a encontra, ele terá sido então, autônomo por um certo tempo, até sua decisão final, que foi o suicídio.
Laísa Menezes
99197
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
Não sei, só sei que foi assim
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| Imagens do filme |
O Auto da Compadecida é um dos filmes brasileiros mais
queridos de todos os tempos, tendo sido este o filme de maior bilheteria do ano
em que foi lançado. Baseado na peça teatral de 1955 de Ariano Suassuna, conta a
história de João Grilo e Chicó, dois nordestinos pobres que se metem nas mais
diversas encrencas pelas redondezas onde vivem, mentindo e enganando as pessoas
em busca da sobrevivência.
Um dos principais marcos do filme são os momentos finais,
onde boa parte dos personagens da trama são mortos por um cangaceiro e se
reencontram no céu para o julgamento perante Deus e o demônio. João Grilo está incluso
nesse grupo, e na hora de seu julgamento acaba por admitir as inúmeras mentiras
que contou, as pessoas que enganou e tudo que aprontou enquanto vivo, em uma
cena arrepiante em que se dirige para as portas do inferno ao assumir sua
culpa. Momentos antes, porém, João Grilo havia pedido a interseção de Nossa
Senhora no julgamento, e esta vem ao seu socorro. Para que Jesus salve João
Grilo, ela argumenta que o rapaz julgado fez o que precisava ser feito para
sobreviver, argumenta sobre a infância difícil que ele tivera, de extrema
pobreza e sofrimento. Ao seu ver, João Grilo merecia o perdão ou a chance de
tentar de novo pelo que sofreu em seu passado, mas analisemos a seguinte
questão: João Grilo estava destinado a nascer pobre e se tornar um grande
mentiroso? Ou poderia, a partir de seu livre arbítrio, ter escolhido e seguido
um rumo diferente? Poderia ele ter evitado todas as confusões que causou com
seu poder de mentira e manipulação?
Outro personagem que podemos analisar sob a mesma linha de
pensamento é justamente o cangaceiro responsável pelas mortes do filme,
Severino, que tem seu veredito dado rapidamente. Severino é salvo, apesar de
todas a dor e sofrimento que causou, porque conheceu a crueldade do ser humano
desde menino, viu toda sua família sendo morta e viver na violência era a única
forma que conhecia, e para Jesus Cristo isso era o suficiente.
É difícil, em vista desses casos, analisar se esses personagens
estavam destinados a agir da forma como agiram ou se tinham de fato uma
liberdade. Se já estavam destinados a acabar como acabaram, como o determinismo
propõe, então possuíam autonomia para determinar suas atitudes, mas não uma
liberdade de fato, que acabasse por alterar o rumo final de suas vidas.
Ana Caroline Souza, 99211
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