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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

liberdade ou autonomia: o dilema de Lúcifer

Lucifer é uma série de televisão americana protagonizada por Tom Ellis, que se desenvolve ao redor de Lucifer Morningstar, que está entediado e infeliz como o Senhor do Inferno. Ele renuncia seu trono e abandona seu reinado para tirar férias em Los Angeles, onde dá início a uma casa noturna. Depois que uma celebridade a quem Lucifer ajudou a alcançar a fama é assassinada, ele se envolve com a polícia e começa a ajudar a Detetive Chloe Decker a resolver casos de homicídio e encontrar os responsáveis para que possa "puni-los".


A principal questão discutida nas histórias de Lúcifer: o ser humano não tem livre arbítrio e seus passos são traçados pelo Pai?

Rousseau e Kant como visões da autonomia e liberdade

         Para ROUSSEAU (1999), a liberdade é inalienável e, por tal afirmação, a proposta essencial é a de “encontrar uma forma de associação que defenda e proteja com toda a força comum a pessoa e os bens de cada associado e, através de cada um, mesmo se unindo a todos, só obedece a si mesmo e continue tão livre quanto antes”. Essa afirmação exalta que, se os indivíduos se submetem à autoridade única da lei, não estariam se submetendo, automaticamente, a nenhuma pessoa. No entanto, a liberdade de Rousseau está submetida à vontade geral do povo, que não representaria a mera soma das vontades particulares. Entende-se por vontade geral do povo a ação de defesa dos interesses do todo, acima dos interesses particulares de pessoas ou grupos sociais atuantes e representativos nas relações da sociedade. Assim, as leis deveriam atender aos interesses da vontade geral, tornando os indivíduos submetidos à obediência sempre da lei e nunca de outros indivíduos. O limite da liberdade de Rousseau seria o de não dar a devida importância para o fato de que as leis, quando elaboradas, estão carregadas de interesses de grupos particulares. Tal possibilidade de não neutralidade quanto à ideia básica de Rousseau, o da criação das leis para atender à vontade geral do povo, somente se concretiza, quando se percebe que as leis, na sua maioria, são elaboradas com base em necessidades motivadas por situações muito mais ligadas a atitudes paliativas do que preventivas. Dessa forma, quando, na necessidade de elaborar soluções rápidas para a coesão social, são promulgadas leis que necessariamente não foram alvos de discussões que esclarecem os reais interesses da vontade geral. Assim, por meio de atitudes imediatistas e, muitas vezes, precipitadas tomam-se decisões de caráter ideológico e parcial. Portanto, a neutralidade da lei não passa de disfarce para esconder os reais interesses que motivaram sua criação e promulgação. A legitimação passa a ganhar a conotação legal necessária para sua aceitação e reprodução social, desse modo, o que se vê é uma racionalidade formal a trabalho da manutenção das elites e das relações de dominação entre os indivíduos. A liberdade almejada pelo autor cai no erro de despersonalizar as relações de dominação e submissão entre os indivíduos, tornando-se mais facilmente internalizada e aceita pela maioria.

             “A autonomia seria o domínio do consciente sobre o inconsciente. Sem prejuízo da nova dimensão sobre profundidade revelada por Freud, este é o programa da reflexão filosófica sobre o indivíduo, há vinte e cinco séculos, o pressuposto e ao mesmo tempo o resultado da ética tal como a viram Platão ou os estóicos, Spinoza ou Kant” (CASTORIADIS, 1995, p. 123). No sentido estrito da palavra, “autonomia” significa liberdade condicionada. No sentido amplo, aqui apresentado sem aspas, é a ação guiada pela reflexão crítica de forma coletiva, que procura a emancipação por meio da práxis. A autonomia é tema relacionado diretamente com a ética. Apesar da conotação individual que o conceito de autonomia adquiriu na atualidade (muito em função de uma sociedade que clama por “liberdade” em todas as esferas da vida), é no plano coletivo que ela se legitima. Mesmo quando os processos inconscientes individuais determinam as relações de autonomia da sociedade, não se pode negar a necessidade de um grupo ou coletividade que sirva como objeto para as realizações dos desejos. Assim, a autonomia só se confirma pela presença do outro, entendendo-se este como o indivíduo isoladamente, ou no seu coletivo. Ressalte-se que o outro não precisa, necessariamente, estar presente. No ambiente de trabalho, a perda da autonomia individual se dá muito pela maneira como se organiza o processo de trabalho. A intervenção dos indivíduos na divisão do trabalho, na atualidade representada normalmente pela figura do engenheiro, ocorre sem que os operadores participem da divisão do seu trabalho. A perda da autonomia, dessa forma, ocorre pela imposição de um sistema de trabalho, que desconsidera as 8 particularidades daqueles que o desempenharão. Questões como ritmo, carga horária, condições ambientais do trabalho não levam em conta a particularidade do indivíduo. Em síntese, o trabalho que um determinado indivíduo desempenha é criado e modificado por outro. A autonomia de adequar as condições de trabalho para cada situação específica não se confirma como prática. Essa é a corrente no atual sistema de produção, porque o indivíduo é um ser instrumentalizado (reificado, para parafrasear Lukács), que tem como função proporcionar o melhor custo-benefício para as organizações. A relação de distanciamento de quem elabora o sistema de produção e de quem opera, faz com que aquele que elabora não veja, nem sinta, aquele que opera como um ser humano dotado de limitações.

ICARO RAFAEL MATTA PEREIRA
                                                                                                                                       99192 

Dona do próprio destino


Dona do próprio destino

Por: Adrielle Mariana - 99210

Na música Dona de mim, a cantora Iza diz ser dona de seu próprio destino, logo a canção e a cantora afirma aceitar suas condições, vivendo em livre arbítrio sendo capaz de decidir seu próprio destino, obtendo a capacidade de escolha em suas mãos.
Num trecho da música, o conceito de liberdade é ilustrado bem na canção 

 “...penso duas vezes antes de falar…
sempre fiquei quieta agora vou falar”

A cantora narra que durante muito tempo, seus gostos e desejos foram silenciados pela sociedade, e a mesma mostra sempre está em busca de um espaço para agir de forma autônoma, tomando frente de suas decisões, exemplificando que a partir do momento que ela nasce, a mesma está presa ao social, mas a partir do momento em que toma consciência dessa condição, ela se torna livre e é exatamente o que Iza quer passar de mensagem 

“Me perdi pelo caminho, mas não paro não
já chorei mares e rios, mas não afogo não
sempre dou o meu jeitinho…
porque Deus me fez assim Dona de mim”

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

voe! | inspirado no filme Na Natureza Selvagem

Por: Roberta Abreu (99208)

Para você, ser livre pode ser sair sem pedir permissão aos pais e chegar a hora que quiser sem prestar contas. Para um presidiário, ser livre simplesmente é não estar atrás das grades e ver o sol nascer quadrado. Para quem vive travado na cama, ser livre é poder ir no jardim, mesmo que de cadeira de rodas, e observar as plantas tomando o sol das 8h. Para Christopher McCandless, liberdade foi abandonar tudo que tinha horas após sua formatura, doar todo seu dinheiro e bens materiais e pegar sua mochila rumo ao seu maior sonho: o Alasca.
No filme Into the Wild - Na Natureza Selvagem - o personagem, cansado desse sistema escravizador capitalista, das falsidades, mesquinharias e futilidades do dia a dia, percebe que já não sabe mais quem ele é, do que é de sua vontade e o que lhe é imposto... ele já não sabe mais o que o faz feliz. É aí que decide largar tudo isso e abre mão da sua estabilidade para se permitir viver a sua liberdade, a liberdade de viajar o mundo, sem hora pra acabar, conhecendo pessoas tão diferentes que mudariam qualquer visão já construída sobre a vida.
É um soco no estômago daqueles que almejam mudança, e só. Almejar não te liberta, é preciso construir.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Sobre o bem maior do mundo


Jorge Amado, sempre com seus romances regionalistas e característicos, nos mostra como a liberdade é o bem mais precioso dos homens. Em “A morte e a morte de Quincas Berro D’agua”, o personagem principal, um morto, teria vivido sua última aventura, mesmo que morto, na liberdade das ruas da Bahia com seus amigos contrariando os desejos da família. Nesse livro, Jorge nos mostra como alguém pode ser feliz mesmo que abandonando uma vida de luxos pelas incertezas das ruas das cidades da Bahia. Quincas, antigo Joaquim Soares da Cunha, deixa sua família e casa em troca de viver uma vida simples e regada à cachaça com outros beberrões da cidade. Amado destaca como Quincas Berro D’agua vive uma vida mais feliz que Joaquim Soares da Cunha, mesmo que o único bem que possua seja sua liberdade.

Outro livro que Jorge Amado deixa clara a importância da liberdade e de se lutar por ela é “Capitães de Areia”. Nele, os pobres meninos órfãos que moram em um trapiche e roubam para se sustentar já valorizam mais a liberdade do que qualquer outra coisa no mundo. O livro mostra a busca dos doqueiros por mais direitos e sua luta, narrando também acontecimentos como a prisão de crianças no reformatório e reafirmando essa busca incessante por liberdade. Em um de seus trechos, o chefe dos capitães de areia ouve os presos cantando uma moda triste, que fala sobre liberdade. O livro narra “Lembrava-se da canção que os presos cantavam na madrugada que nascia. Dizia que a liberdade é o bem maior do mundo. Que nas ruas havia sol e luz e nas células havia uma eterna escuridão porque ali a liberdade era desconhecida. Liberdade. João de Adão, que estava nas ruas, sob o sol, falava nela também. Dizia que não era só por salários que fizera aquelas greves nas docas e faria outras. Era pela liberdade que os doqueiros tinham pouca. [...] Lá fora é a liberdade e o sol. A cadeia, os presos na cadeia, a surra ensinaram a Pedro Bala que a liberdade é o bem maior do mundo. Agora sabe que não foi apenas para que sua história fosse contada no cais, no mercado, na Porta do Mar, que seu pai morrera pela liberdade. A liberdade é como o sol. É o bem maior do mundo.”.

Alanna Fontes
99184

a falsa liberdade do ser

Todos os dias vivemos uma rotina onde temos a sensação ter escolhido viver de tal maneira, mas não percebemos que somos condicionados à tal modo. Somos resultado da falsa ideia de liberdade de sermos e vivermos como quisermos. No final não há escolha ou decisão.

Noemi 99204

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

"Into The Wild" - Liberdade ou Autonomia?


Lançado em 2007, o filme "Into the Wild" narra a história de Chistopher McCandless (Emili Hirsch), um jovem americano que resolve largar a boa vida com pais ricos após se formar e doar seu dinheiro a uma instituição, com destino a Alasca selvagem – “a grande aventura” de acordo com o personagem. Uma fuga em revolta aos padrões da sociedade e desprezo pela superficialidade da relação humana.
Vemos a transformação do personagem, não só de Chistopher McCandless para Alexandre Supertramp – o andarilho, mas como transformação psicológica, o processo à maturidade desde que largou tudo até seu contato mais intenso com a natureza. A história é conduzida pela trilha sonora de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam com seu primeiro álbum solo e dedicado ao longa com todo aquele toque de folk rock/grunge, não poderia ser melhor. Ganhou o prêmio de melhor canção original por “Guaranteed” no Globo de Ouro.
Alguns se incomodam com o desfecho do filme, tudo se remete a uma reflexão e questionamento de ideologia e liberdade. Em torno do cenário e história do longa várias questões podem ser levantadas perante o tema de "Liberdade ou Autonomia", no drama o personagem se desenvolve em torno da busca por essa Liberdade, e não a encontra, ele terá sido então, autônomo por um certo tempo, até sua decisão final, que foi o suicídio.

Laísa Menezes
99197

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Não sei, só sei que foi assim





Imagens do filme


O Auto da Compadecida é um dos filmes brasileiros mais queridos de todos os tempos, tendo sido este o filme de maior bilheteria do ano em que foi lançado. Baseado na peça teatral de 1955 de Ariano Suassuna, conta a história de João Grilo e Chicó, dois nordestinos pobres que se metem nas mais diversas encrencas pelas redondezas onde vivem, mentindo e enganando as pessoas em busca da sobrevivência.
Um dos principais marcos do filme são os momentos finais, onde boa parte dos personagens da trama são mortos por um cangaceiro e se reencontram no céu para o julgamento perante Deus e o demônio. João Grilo está incluso nesse grupo, e na hora de seu julgamento acaba por admitir as inúmeras mentiras que contou, as pessoas que enganou e tudo que aprontou enquanto vivo, em uma cena arrepiante em que se dirige para as portas do inferno ao assumir sua culpa. Momentos antes, porém, João Grilo havia pedido a interseção de Nossa Senhora no julgamento, e esta vem ao seu socorro. Para que Jesus salve João Grilo, ela argumenta que o rapaz julgado fez o que precisava ser feito para sobreviver, argumenta sobre a infância difícil que ele tivera, de extrema pobreza e sofrimento. Ao seu ver, João Grilo merecia o perdão ou a chance de tentar de novo pelo que sofreu em seu passado, mas analisemos a seguinte questão: João Grilo estava destinado a nascer pobre e se tornar um grande mentiroso? Ou poderia, a partir de seu livre arbítrio, ter escolhido e seguido um rumo diferente? Poderia ele ter evitado todas as confusões que causou com seu poder de mentira e manipulação?
Outro personagem que podemos analisar sob a mesma linha de pensamento é justamente o cangaceiro responsável pelas mortes do filme, Severino, que tem seu veredito dado rapidamente. Severino é salvo, apesar de todas a dor e sofrimento que causou, porque conheceu a crueldade do ser humano desde menino, viu toda sua família sendo morta e viver na violência era a única forma que conhecia, e para Jesus Cristo isso era o suficiente.
É difícil, em vista desses casos, analisar se esses personagens estavam destinados a agir da forma como agiram ou se tinham de fato uma liberdade. Se já estavam destinados a acabar como acabaram, como o determinismo propõe, então possuíam autonomia para determinar suas atitudes, mas não uma liberdade de fato, que acabasse por alterar o rumo final de suas vidas.



Ana Caroline Souza, 99211