Postagem em destaque

Quem influencia quem?

Isabelle Kruger Braconnot 99173 superestrutura O paradigma marxista sobre infraestrutura e superestrutura já é utilizado a muito tempo. A...

Mostrando postagens com marcador #autonomia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #autonomia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Autonomia ou Liberdade


Breno Guimarães 89540
Em sua obra “A Ideologia Alemã”, Marx define que “os homens são demiurgos da sua própria história, mas condicionados por relações sócio históricas”. Isto permite dizer que somos autônomos nas nossas escolhas, mas condicionados pelo coletivo na produção de sua vida material.
                A categoria central do materialismo histórico é o trabalho. Nas relações sociais de produção onde estamos inseridos como trabalhadores, apenas somos livres para vender nossa força de trabalho, não sendo portadores dos nossos próprios instrumentos de trabalho. Neste sentido, o ideal de liberdade burguês é apenas uma abstração vazia.
#autonomia


Eu não consigo decidir

Liberdade ou autonomia? Aposto que você nunca parou para analisar essas duas palavras num mesmo contexto, certo? Por isso hoje vou te explicar um pouquinho sobre cada um dos dois e te colocar pra pensar.

A liberdade, para Santo Agostinho, é o exercício do livre arbítrio que nos é dado, este que é a capacidade das pessoas determinarem seu próprio destino. Santo Agostinho e Aristóteles discorrem sobre o reino da contingência em que as coisas podem mudar. Não se tem uma lei universal para explicar a realidade, havendo espaço para o caos. Além deles, Sartre diz que os homens nascem presos ao social, mas quando tomam consciência se tornam livres. Entretanto, pode ocorrer situações de “má-fé”, quando o indivíduo assume a liberdade da condição de existência quando isso o favorece, mas quando não convém, o próprio indivíduo transfere sua liberdade a terceiros.

Já a autonomia parte do princípio do determinismo:as pessoas são determinadas à condenação ou à salvação antes mesmo de nascer, porque deus é onisciente, onipresente e onipotente, ou seja, sabe todas as coisas, podendo intervir e fazer um “milagre” da “salvação”. Espinosa e João Calvino são exemplos de filósofos que analisam essa temática, no qual os indivíduos são vistos como sujeitos histórico-culturais - interdependentes entre si. Ainda, Bourdieu compactua com essa linha de raciocínio quando afirma o termo Self Made Man (homens são empreendedores de si mesmos) e que o social precede o indivíduo.

Agora é que são elas: você sabe se está vivendo por liberdade ou por autonomia? 

Vinícius M. Sampaio, 93318

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Autonomia

por Júlia Ennes - 99193

Os sujeitos são criados pelos contextos histórico-culturais em que vivem. O homem é irracional e afetivo, o seu ser é moldado socialmente. Sobre isso, segue a música de Clarice Falcão

Capitão Ganho - Clarice Falcão

Se não fossem as minhas malas cheias de memórias
Ou aquela história que faz mais de um ano
Não fossem os danos
Não seria eu

Se não fossem as minhas tias com todos os mimos
Ou se eu menino fosse mais amado
Se não desse errado
Não seria eu

Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado
Eu não quero ser chato
Mas vou ser honesto
Eu não sei o que você tem contra mim

Você pode tentar por horas me deixar culpado
Mas vai dar errado
Já que foi o resto da vida inteira que me fez assim

Se não fossem os ais
E não fosse a dor
E essa mania de lembrar de tudo feito um gravador

Se não fosse Deus
Bancando o escritor
Se não fosse o Mickey e as terças-feiras e os ursos panda
E o andar de cima da primeira casa em que eu morei
E dava pra chegar no morro só pela varanda
Se não fosse a fome
E essas crianças
E esse cachorro
E o Sancho Pança
Se não fosse o koni e o Capitão Gancho
Não seria eu

A autonomia do indíviduo


Sendo a autonomia do grego antigo “autonomos”, uma junção de auto (de si mesmo) e nomos (lei) a capacidade do indivíduo de tomar decisões por si só sem qualquer influência externa. Portanto, quem possui autonomia, é capaz de estabelecer suas próprias leis.

“ É preciso aprender a lidar
 com os próprios demônios 
do que querer que o outro
                       os amanse”    (Ester Barroso)

Dessa forma, nem todas as coisas estão sob o controle do indivíduo, mas é necessário que ele identifique o que é de sua responsabilidade a fim de não transferi-la para outra pessoa. Isso, se trata de não transferir ao outro a responsabilidade de satisfazer as suas necessidades, o culpando quando isso não é atingido. Nesse sentido, o indivíduo transfere a culpa de sua liberdade e de suas ações para o outro, acabando por não evoluir, pois não aprende a lidar com os seus defeitos.  Talita Rocha 99201

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

É autonomia ou não é?

Em Filosofia, autonomia é um conceito que determina a liberdade do indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas.

Na sociedade atual, o ser humano tem liberdade ou até mesmo completa autonomida?

O indivíduo nasce e cresce com uma expectativa criada pelos responsáveis e são ensinados a agir de tal forma! A sua autonomia não seria apenas uma consequência da ideologia que você foi "moldado"? 

Como saber se gosta de algo, sendo que cresceu sendo ensinado a gostar?

Robert Rodrigues 99206

domingo, 1 de dezembro de 2019

Sobre o bem maior do mundo


Jorge Amado, sempre com seus romances regionalistas e característicos, nos mostra como a liberdade é o bem mais precioso dos homens. Em “A morte e a morte de Quincas Berro D’agua”, o personagem principal, um morto, teria vivido sua última aventura, mesmo que morto, na liberdade das ruas da Bahia com seus amigos contrariando os desejos da família. Nesse livro, Jorge nos mostra como alguém pode ser feliz mesmo que abandonando uma vida de luxos pelas incertezas das ruas das cidades da Bahia. Quincas, antigo Joaquim Soares da Cunha, deixa sua família e casa em troca de viver uma vida simples e regada à cachaça com outros beberrões da cidade. Amado destaca como Quincas Berro D’agua vive uma vida mais feliz que Joaquim Soares da Cunha, mesmo que o único bem que possua seja sua liberdade.

Outro livro que Jorge Amado deixa clara a importância da liberdade e de se lutar por ela é “Capitães de Areia”. Nele, os pobres meninos órfãos que moram em um trapiche e roubam para se sustentar já valorizam mais a liberdade do que qualquer outra coisa no mundo. O livro mostra a busca dos doqueiros por mais direitos e sua luta, narrando também acontecimentos como a prisão de crianças no reformatório e reafirmando essa busca incessante por liberdade. Em um de seus trechos, o chefe dos capitães de areia ouve os presos cantando uma moda triste, que fala sobre liberdade. O livro narra “Lembrava-se da canção que os presos cantavam na madrugada que nascia. Dizia que a liberdade é o bem maior do mundo. Que nas ruas havia sol e luz e nas células havia uma eterna escuridão porque ali a liberdade era desconhecida. Liberdade. João de Adão, que estava nas ruas, sob o sol, falava nela também. Dizia que não era só por salários que fizera aquelas greves nas docas e faria outras. Era pela liberdade que os doqueiros tinham pouca. [...] Lá fora é a liberdade e o sol. A cadeia, os presos na cadeia, a surra ensinaram a Pedro Bala que a liberdade é o bem maior do mundo. Agora sabe que não foi apenas para que sua história fosse contada no cais, no mercado, na Porta do Mar, que seu pai morrera pela liberdade. A liberdade é como o sol. É o bem maior do mundo.”.

Alanna Fontes
99184

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Bolsa Família: LIBERDADE, DINHEIRO E AUTONOMIA

O programa Bolsa Família foi criado no ano de 2003, como unificação de outros quatro programas de transferência de renda: Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Auxílio-Gás e o cartão alimentação do Fome Zero. Visando inclusão social de milhões de brasileiros que sobreviviam em extrema miséria, o programa propôs o alívio imediato da situação de pobreza e fome. O fato de ser ainda muito insuficiente como tal não nos permite ignorar suas possibilidades de se tornar uma consistente política de formação de cidadãos se complementadas por um conjunto mais amplo de políticas publicas que visem este alvo – a formação da cidadania democrática no Brasil. Também almejava estimular um melhor acompanhamento dos serviços públicos de saúde e ajudar a superar índices de evasão escolar, repetência e defasagem idade-série de alunos. Visto que um dos requisitos para receber o auxílio é a permanência das crianças e adolescentes na escola. 

A partir da relação entre o Bolsa Família e a possibilidade de aliviar a situação de extrema pobreza criamos a hipótese de que a renda monetária, por menor que seja, provoca alterações na vida das famílias recebedoras, especialmente nas mulheres. Além disso vale ressaltar que as famílias que recebem o auxílio são aquelas cuja existência inteira foi carente de direitos básicos. Apesar de o valor não tirar essas famílias da faixa da pobreza, elas conseguem perceber a diferença e serem reconhecidas pelo Estado e isso gera uma certa autonomia dessas mulheres em relação a sociedade. Há relatos básicos onde a alteração é mínima, porém não insignificante, como comprar um alimento diferente para alimentar seus filhos, e outras maiores questões de divorcio e empoderamento e autonomia de sua própria vida.

Ao receber um dinheiro que é somente seu, as mulheres passam a desenvolver um empreendimento econômico próprio, engajam-se em novas experiências sociais e passam a se reconhecer, a si e as suas famílias, de modo diferenciado, tendo um controle de sua vida pessoal e familiar coletiva. Dessa forma as mulheres, antes dependentes de homens são libertas e passam a ter mais autonomia sobre suas vidas e a vida de seus filhos, gerando assim um empoderamento feminino em relação a necessidade de um homem provedor do sustento, que passa a ser inexistente a necessidade masculina na forma financeira pois as mulheres passaram a ser as lideres da família.

Iasmim Lamounier
ES99209









terça-feira, 26 de novembro de 2019

Autonomia > Liberdade

Segundo Kant 1724-1804, capacidade da vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho ou exógeno com uma influência subjugante, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva incoercível. Essa característica se faz mais essencial para o ser humano, pois a habilidade de viver guiado pelos seus próprios preceitos morais lhe faz uma pessoa única, que vive sem as amarras da suposta liberdade q vivemos, que sofre das maiores influências éticas e ideológicas.

Pedro Henrique 99185

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A autonomia em Atypical

 A terceira temporada de Atypical chega em 1° de novembro  A série conta a história de Sam, um adolescente com autismo que está prestes a terminar o ensino médio.

 Ele trabalha, tem um amigo muito estranho e em sua escola fez uma amizade que prosperou, por um tempo, como um namoro. Sam é extremamente controlado por sua mãe que é super protetora, e não o permitia nem ter uma conta em um banco, por meio do trabalhoso percurso até o estabelecimento. 

Sam e seu amigo no trabalho



Em uma busca por uma maior autonomia em sua vida, Sam começa a frequentar um grupo de apoio aos alunos com autismo em sua escola. A proposta é fazer um atendimento focalizado nas especificidades do público e fazer orientações mais direcionadas e trocar experiências sobre as vontades de fazer uma faculdade, coisa que sua mãe já não vê necessidade, logo ja não incentiva tanto. Além disso, ele ficou determinado em abrir sua própria conta no banco para ter uma maior independência financeira.
Muitos dos atores do grupo de atendimento têm autismo. Foto: Beth Dubber/Netflix.


Atypical mostra como a família, a escola e os amigos apresentam esses fatos como naturais. Trabalhando de forma muito sutil que certas mudanças precisam ocorrer para a melhoria de uma situação. A autonomia de Sam vai se construindo episódio por episódio e na minha opinião é incrível para que outros jovens com o mesmo espectro possam se identificar e se sentirem incluídos.

Aline Caldeira 
99187
Site externoe busca construir sua independência.

A autonomia no suicídio

Ana Luisa Horstt Prado - 99196
Como eu era antes de você é um filme baseado no livro de Jojo Moyes, se trata de uma mulher que vive uma vida simples e fica desempregada após o café que trabalhava fechar. Com pouca experiência e muita necessidade financeira, Lou consegue um emprego de cuidadora de um tetraplégico, Will, que é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas após um acidente de moto. 
Will que antes era extrovertido e amava praticar esportes, se tornou um homem amargurado que desconta seu sofrimento nas pessoas ao redor e pretende dar um fim a ele através do suicídio assistido, que costuma ser realizado por pessoas que dependem 24 horas de outra ou que estejam sofrendo dores consideradas insuportáveis. As regras são diferentes em cada país em que a prática é permitida, mas em todos eles, é necessário que o paciente esteja completamente consciente pois é ele quem toma essa decisão.
Ao longo do filme, Lou descobre das intenções de Will e tenta fazer de tudo para que ele desista da sua decisão de tirar a própria vida, no final, descobrimos que mesmo estando apaixonados ele não desiste da sua vontade e opta por dar fim a sua dor.
Marina é tetraplégica e membro da Dignitas (é uma organização sem interesse comercial fundada em 1998 na Suíça com o objetivo de garantir uma vida e morte dignas para seus membros e permitir que outras pessoas partilhem desses valores. Por meio dos serviços prestados, a organização auxilia seus membros nas questões de fim de vida como conflitos com autoridades, questões legais, garantia de cumprimento das disposições do testamento vital e, inclusive, realização de suicídio assistido). Foi a quinta brasileira a se associar. Sem ter movimentos abaixo dos ombros, ela é dependente de cuidadores durante 24 horas. Um dia ela pretende viajar até a Suiça para realizar o procedimento. Ela e outras pessoas que são a favor da liberação da morte assistida acreditam que cada pessoa tem o direito de decidir o destino de seu próprio corpo e pode querer acabar com a dor. “Apesar de tudo, vivo bem, sou super saudável e faço o que tenho vontade. Eu sempre acreditei que tenho livre arbítrio sobre minha vida. Não peço que ninguém aceite, apenas que respeite”, afirma Marina.
A autonomia garante ao indivíduo poder de escolha sobre sua vida a partir do momento em que o mesmo tem plena ciência de suas decisões e suas respectivas consequências. Um dos grandes obstáculos da autonomia são assuntos polêmicos que a compreendem como no caso de Will e Marina. O indivíduo tem poder de escolha quando se trata da existência de sua vida?

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O movimento punk, Bourdieu e você não sabe ser rebelde


O movimento punk surgiu como uma rebeldia. Bandas que não sabem nada de teoria musical,
vocalistas que não cantam bem e zero presença de palco. Sex Pistols lança em 1970 um Cd que satiriza a Rainha e junto, um lema do tipo “qualquer um pode montar uma banda”. O interessante é pensar que o movimento punk surge como uma descontruçao da padronização cultural da época, mas ela possui sua própria padronização. Como isso se relaciona com Bourdieu? Bem, o social precede você. Existem hábitos que indicam inclusive como você pode se expressar contra a própria sociedade. Uma sociedade bem desenvolvida é a que permite que você a critique, sem entretanto, sair do jogo.  
É esse controle que permite que a sociedade se transforme e cresça. Hábitos merecem serem quebrados também. A nossa sociedade pós moderna é o movimento mais radical nesse sentido: ela se reconstrói o tempo todo, de modo até cansativo. Entretanto, ela não sabe muito bem o que criticar e nem consegue ver facilmente suas bases. Não sabemos mais de onde vieram nossos hábitos e identifica-los se tornou um processo mais complicado do que pensaríamos. Uma sociedade sem bases aponta para sua destruição, por que não sabe o que reconstruir. E talvez não se importe em construir.
Talvez isso nos ajude a perceber a morte de movimentos realmente revolucionários. Todo e qualquer um é um revolucionário, a sua maneira. Não sabemos identificar possíveis liberdades.  
Agostinho concorda conosco (estranhamente). Anos depois de seu famoso livro “Livre Arbítrio”, como fruto de sua discussão com Pelágio, ele lança outro agora intitulado “Graça e livre arbítrio”, onde revê seus ideais. Agostinho percebe que não é possível sermos totalmente livres e elabora o conceito de “pecado original” pra explicar a extinção do livre arbítrio. O pecado é o que primeiro nos escraviza. O que chamamos de nosso e consideramos genuíno de nós, é mais fruto de uma vontade escrava e meios sociais.
Cinema? Vemos. No episodio Bandersnatch da série Black Mirror, vemos o quanto a liberdade é limitada a possibilidades sociais. Você pode escolher, mas entre essas opções limitadas.
Autonomia me parece a opção mais provável. A gente não sabe ser rebelde.


Kedma Julia 99174 

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

"Pois estamos todos acorrentados ao ritmo"

Clipe legendado da música Chained To The Rhythm da Katy Perry. Às imagens do clipe estão cortadas, 
acredito que para evitar direitos autorais.


"Chained to the Rhythm" (“Acorrentados ao ritmo” em tradução livre) é uma música da cantora estadunidense Katy Perry, contida em seu álbum Witness (2017) e que conta com a participação do cantor jamaicano Skip Marley.

Por trás de sua batida contagiante e de seu clipe colorido, a canção traz em sua letra uma imensa reflexão sobre o nosso livre-arbítrio. Katy explicita que temos vivido em uma bolha, sem realmente enxergar o mundo à nossa volta, mas apenas seguindo todos o mesmo ritmo, rumo a um mesmo destino. Ela ainda questiona se estamos ficando loucos ao ponto de nos iludirmos realmente pensando que somos livres.

Ao contrário do que é difundido, liberdade e autonomia, não são sinônimos, mas sim, coisas completamente opostas. Enquanto a teoria da liberdade prega que somos donos do nosso livre-arbítrio, capazes de transformar nosso destino, a teoria da autonomia vai de encontro à música de Katy, dizendo que somos sujeitos histórico-culturais, interdependentes e irracionais, incapazes de mudar o futuro, pois tudo que acontece está predestinado.

Apesar de parecer seguir, em sua maioria, pelas ideias da autonomia, em certos versos “Chained to the Rhythm” dá a entender que, apesar de estarmos acorrentados, podemos tomar consciência do mundo à nossa volta e assim, enfim, sermos livres. Ou seja, ela se afasta da teoria da autonomia e migra para o campo da liberdade de Sartre, que afirma que quando o homem exercita a consciência, ele age, e ao agir, consequentemente, desperta em si o sentimento de existência, criando sua essência 
e se tornando livre do social.

Apesar de migrar entre duas ideias opostas, a canção de Katy Perry é muito bem pensada e foi criada não apenas como uma crítica ao sistema em que vivemos, mas principalmente como uma crítica ao atual governo dos EUA e às decisões do presidente Donald Trump.


Texto por: Maianna Medeiros
Matrícula: 99188

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Nerve: uma tensão entre liberdade e autonomia




Dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman e baseado no livro homônimo de Jeanne Ryan, o filme Nerve retrata a história de Vee (Emma Roberts) que pressionada pelos amigos, decide participar do jogo online Nerve, que faz desafios reais aos seus jogadores. No entanto, o jogo começa a tomar um rumo um tanto assustador  e, ao chegar no estágio final, Vee precisa tomar decisões que irão determinar o seu futuro.

Ao olhar para as personagens vemos alguns nuances em seus comportamentos que nos faz lembrar muito do aspecto de liberdade e autonomia da filosofia. A princípio, antes de tudo, é importante salientar que há duas correntes importantes entre tais conceitos. A liberdade parte da corrente existencialista de Sartre que é puramente individualista e enquanto a autonomia, o qual deriva da corrente bourdieuniana que é determinista.

Para Sartre, o indivíduo tem total liberdade e só depende de si mesmo para realizar seus atos, ou seja, o homem é racional e controla seu próprio destino. Esse filósofo discorre também sobre o conceito de liberdade absoluta, diz que o homem está condenado a ser livre e que a existência precede a essência. Nossa personalidade, portanto, é a construção de nossas próprias escolhas.

Já para Bourdieu, segue o raciocínio de que o sujeito não vive sozinho e tudo o que faz vem do meio em que está inserido, isto é, a sociedade condiciona o indivíduo. O homem autônomo então luta para para conseguir mudar a realidade a qual foi condicionado e depende de suas oportunidades para sair dela.

Ao fazer uma análise do filme Nerve, é perceptível que Vee ao decidir participar do jogo, possui liberdade de escolha, entre aceitar ou não. Ela, dessa forma, é dona de seu destino e tem poder sobre seus atos. Todavia, a partir do momento que aceita participar do jogo, passa a ser condicionada por uma atmosfera autônoma, pois o seu destino agora está pré determinado por causa dos desafios impostos pelo jogo. Uma cena muito marcante é quando ela e Ian (Dave Franco) são desafiados a andar de moto pela Time Square movimentada, sendo que Ian, o piloto, deveria dirigir com os olhos vendados. Caso aceitassem, ganhariam uma quantia muito grande de dinheiro. E se recusassem o desafio, não receberiam tal dinheiro.

Um outro aspecto muito interessante que permite entender essa dinâmica liberdade x autonomia, é quando ocorre a descoberta de que há pessoas aparentemente “presas” nesse jogo. Isto é, pessoas que as quais não realizaram os desafios impostos por Nerve e por isso, ficam presas eternamente na lógica do jogo. Ian é um deles, e de certa forma é autônomo. Ele deve prestar contas de tudo o que faz e é condicionado pelo jogo de Nerve a todo momento a lutar para mudar sua realidade (sair do jogo).

Nome: Alice Ruschel Mochko
Matrícula:99178

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Carlos Drummond de Andrade e a liberdade


          A filosofia  da liberdade afirma que o homem é autônomo e responsável pelas suas ações. Um dos grandes defensores desse pensamento é Santo Agostinho. Segundo ele, Deus nos deu o livre-arbítrio para escolhermos entre o bem e o mal, se escolhemos o mal é porque não estamos sabendo usar a liberdade como deveríamos.

         Já a filosofia da autonomia está ligada diretamente ao determinismo, segundo o qual tudo que acontece  já está predestinado, ou seja, nossas ações são previsíveis. Segundo o filósofo Baruch Espinoza,  que defende essa ideia, nós só seríamos totalmente livres se fôssemos conscientes do que fazemos. Porém, sabemos que muitas vezes agimos por impulso ou por meio de hábitos. 

          Abaixo segue um poema que pode esclarecer mais essa ideia: 

Liberdade - Carlos Drummond de Andrade

O pássaro é livre na prisão do ar. 
O espírito é livre na prisão do corpo. 
Mas livre, bem livre, é mesmo estar morto.

       O autor traz a reflexão sobre liberdade por meio do poema, revelando que por mais que as pessoas acreditam que estão livres, na verdade elas sempre estarão presas a algo/alguém ou agirão por impulso, sem consciência do que estão fazendo. Nesse sentido, acredito mais na autonomia e determinismo do que na liberdade e livre arbítrio, uma vez que ao meu ver somos limitados de exercer essa liberdade o tempo todo, por causa dos imperativos sociais. Além disso, o nosso direito de liberdade acaba assim que começa o do nosso próximo, reafirmando mais uma vez a ideia de liberdade efêmera.

Autora: Laura Fernandes de Souza
Matrícula: 99190

domingo, 15 de setembro de 2019

Você decide?



Você decide era o nome de uma série da TV Globo exibida entre 1992 e 2000, o programa exibia alguns episódios de situações fictícias e dava o público o poder de escolher o final da história.

Vinheta do programa
O programa foi um sucesso, visto que foi um marco da interação do público diretamente na TV, o que hoje é bem comum através das redes sociais e até levantando trends no Twitter, antigamente não era tão fácil. Além de levar assuntos polêmicos para a discussão como incesto, aborto, corrupção, eutanásia entre outros.

Para decidir o desfecho da história bastava uma ligação gratuita para decidir entre as duas opções disponíveis, e era tudo computado e transmitido ao vivo.

Mas, aqui entram os conceitos de liberdade e autonomia. O telespectador tinha total liberdade para escolher o fim da trama ou era apenas certa autonomia?
Os conceitos de liberdade e autonomia são facilmente confundidos e difíceis de serem diferenciados.

Liberdade é nada mais do que o exercício do seu livre arbítrio, independentes de outras pessoas. Já a autonomia seria o exercício de suas próprias escolhas, mas de acordo com o espaço que lhe é dado.

No programa é facilmente aplicado conceito de autonomia, disfarçado de uma falsa liberdade para o público realizar sua escolha. Os telespectadores tem poder de escolha do final dos episódios de acordo com as opções pré-definidas, ou seja, eles estão limitados a escolhas, não podendo sugerir algo diferente do que foi proposto.


Taynara Pena
Matrícula: 99205

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Black Mirror Bandersnatch | Liberdade ou Autonomia?

Possibilidades de escolha, Stefan aceitar ou recusar o que foi proposto.


Black Mirror Bandersnatch é um filme interativo com duração aproximada de 90 minutos e que foi produzido por David Slade. O filme trata da história de um garoto que pretende transformar um livro em filme, mas esse processo acaba o pertubando.

A análise que faremos aqui, no entanto, não se trata da história da obra, mas sim, de como sua composição é feita. Dando espaço a uma interação com o espectador, o longa permite que quem o assiste possa escolher as ações que serão realizadas pelos personagens da trama, traçando assim diversos caminhos para que ele possa seguir.

Essa possibilidade de escolha, deixa o espectador com a percepção de que ele é livre para escolher o que acontecerá com o personagem, como se ele pudesse ditar o destino do mesmo através de apenas um clique em um botão.

No entanto, essa é percepção é claramente ilusória, visto que o filme conta com cinco finais possíveis para Stefan, o personagem da trama. Além disso, por meio de alguns gatilhos, pode ser que esses cinco finais sejam ultrapassados por muitos outros, criando assim uma teia imensa de possibilidades.

Mas a questão é: O espectador é mesmo LIVRE para estabelecer essas escolhas?

A resposta é “Não”.

Com finais pré-estabelecidos pelo diretor, o indivíduo não se torna menos que um canal que permite chegar até eles. As escolhas alteram o final mas não os impedem de seguir uma definição já programada por alguém. Então, o que se pode concluir é que nesse caso, o indivíduo possui uma certa AUTONOMIA, e não liberdade, já que todas suas escolhas resultam em um plano já estabelecido, ainda que ele seja variável.

Caso haja interesse em assistir o filme, veja a seguir um trailer:





Isabelle de Oliveira
Matrícula: 99200