O Jornal de Filosofia da Comunicação é um espaço de produção de conhecimento crítico e filosófico de estudantes do Curso de Comunicação da Universidade Federal de Viçosa. As postagens - notícias, colunas, opiniões e resenhas - são produções inspiradas nas aulas de Filosofia da Comunicação (EDU 124. Os textos e imagens são de responsabilidade dos autores estudantes e não são compartilhadas pela universidade ou pelo corpo docente. Coordenador : Prof. Dr. Arthur Meucci (DPE/UFV)
Estudamos no conceito de
agenda setting a forma como a mídia escolhe os assuntos a qual dar maior
destaque e consequentemente influencia o publico consumidor de acordo com a sua
opinião sobre o discorrido.
A poucos anos atrás teve o
caso do impeachment da presidente Dilma onde a mídia teve um papel central. A
posição dos grandes grupos televisivos e editoriais era explicita ao haver um
grande tempo dedicado a apontar corrupções do partido da presidente, muitas
manchetes sobre o processo em si, inúmeras capas de jornais e revistas trazendo
figuras e imagens negativas de Dilma.
Tais ações contribuíram
drasticamente para o aumento do apoio da população que vê esses meios como seus
únicos canais informativos, acreditando e tomando a posição deles como a sua.
No final Dilma tem seu mandato “impeachmado” por casa de legisladores cheios de
interesses próprios e por corporações midiáticas também seguindo lucros
próprios.
Devemos saber que a maioria do
povo não possui instrução, ou tempo, ou acesso; a verificadores de informação,
a inúmeras visões de um fato, a estudos que mostrem os interesses de grupos
dominantes; para então conseguir sair da manipulação e juntar capital cultural
para se autogovernar.
Primeiramente devemos entender o conceito de opinião. Segundo Cândido de Figueiredo a opinião é um juízo ou sentimento, que se manifesta em um assunto sujeito a deliberação. Ou seja, é um assunto em que todos podemos debater, são nossas opiniões manifestadas em rodas de amigos, por exemplo. Quando juntamos os conceitos opinião e público, temos uma opinião que é do povo, que é geral e comum. Geralmente, esta expressão se refere às opiniões generalizadas sobre política, economia e todos os assuntos de interesse público que se apresentam em uma determinada comunidade. Opinião pública não é a soma das opiniões do público em geral, muito menos a confluências das mesmas. Não se elabora, no plano coletivo, um consenso, não se forma uma única opinião. O que temos são vários públicos, que dispõem de opiniões e até mesmo informações diferenciadas para o mesmo fato. Estes públicos diversos não chegam em um acordo. O que acontece é que estes tentam disseminar suas opiniões por meio da mídia. É certo que nem todos os grupos ou públicos possuem a mesma visibilidade midiática, mas são aqueles que conseguem tornar pública uma determinada opinião que saem ganhando. É uma espécie de “acordo forjado”. Ou seja, opinião pública nada mais é do que a opinião de um determinado grupo.
Esse conceito é complementado pela hipótese do enquadramento. De acordo com alguns autores, a mídia fornece certos esquemas narrativos, segundo os quais torna-se possível interpretar os acontecimentos. Na verdade, privilegia-se alguns esquemas em detrimentos a outros, ou algumas opiniões em detrimento a outras. O controle sobre a agenda e sobre a visibilidade dos diversos enquadramentos, que alicerça a centralidade dos meios de comunicação.
Devido às influências dos grupos que formam a “opinião pública”, o caráter público deste significa, na verdade, a expressão de uma dominância e não a discussão descompromissada e aberta sobre os temas, objetivando chegar a uma conclusão comum. A opinião pública, desta maneira, volta-se mais a encobrir interesses privados do que a esclarecer.
Com o passar do tempo e a evolução das sociedades, as pessoas
passam a ter mais educação e trabalhar menos, consequentemente têm muito tempo
livre. Para passar esse tempo, assiste-se à televisão. E se assiste a qualquer
tipo de programação, o que importa é o tempo que se passa vendo TV e não o que
se vê na TV. Todos os cidadãos do mundo desenvolvido começaram a passar horas
em frente à tela como se fosse uma obrigação.
Com esse grande número de telespectadores todos os dias, se
torna mais fácil monitorar os assuntos pelos quais a população se interessa. As
pessoas tendem a discutir e pensar aquilo que está sempre sendo mostrado nas
telas. Essa programação então deve ser pensada para que a sociedade responda a isso
da maneira esperada, ou seja, controla-se a população e seus pensamentos através
da comunicação em massa.
Acontece todos os dias, toda hora e em qualquer momento, mas ainda surge essa dúvida, se é verdade ou não que a mídia manipula nossas ações e comportamentos, alguns acham que sim, já outros acreditam que são autoconhecedores o suficiente pra poder tomas as suas decisões independente do que vemos ou não, mas isso é mesmo possível? Acredito que não. A opinião pública não pode ser vista como uma somatória de vozes mas sim como uma voz dominante, sendo assim, quando dispensamos algumas opiniões para poder acreditar em uma dominante, somos sim manipulados. E a mídia? onde entra? um estudo recém publicado pela Universidade de Oxford, da Inglaterra, “Desafiando a Verdade e a Confiança: Um Inventário Global da Manipulação Organizada nas Mídias Sociais” aponta as diversas vezes em que foi possível resultados diferentes de pesquisa, forma de espalhar notícias sensacionalistas ou falsas e até mesmo nas eleições ( conhecemos beeem ) que tem o seu inicio em redes sociais. Sendo assim, perdemos a liberdade de até mesmo escolher no que pensar, segundo pesquisas, esse hábito de usar a internet com intenções de manipulação é comum desde 2010, contas fake, anúncios falsos, mensagens de distração e outras formas são bem comuns até hoje. O que faz realmente a diferença é a alienação que a mídia nos impõe, que se temos ela não precisamos de mais nada, que a informação que nos é dada nos basta, sendo assim, a opinião pública é pouco formada pelo público realmente, mesmo o público sendo o consumidor dessas informações ele não foge do que é dado para poder tentar formar sua opinião. A mídia manipula sim, mas o conhecimento pode se ornar um grande aliado para fugir dessa bolha. Laura Beatriz 99194
Não é novidade que a mídia é uma forte formadora de opinião. Durante o século XX, a escola de Chicago dedicou seus estudos à influência dos meios midiáticos na opinião pública, as teorias da Mass Comunication Research. Os estudos na área da comunicação tinham como objetivo entender a relação entre a ascensão da mídia com as novas tecnologias e o indivíduo, a sociedade e, no macro, o mundo contemporâneo.
A Agenda Setting conceitua-se como a seleção das notícias divulgadas que, posteriormente, serão responsáveis pela forma com que o indivíduo forma sua própria opinião. A teoria hipodérmica, nos estudos dos efeitos da comunicação, determinava essa influência como algo autoritário para a sociedade, o público era visto como passivo e predispostos aos estímulos dos meios. Entretanto, a visão sobre as mídias serem alienantes ao ponto do público não conseguir construir uma opinião sem influências foi deixada de lado, pois a opinião pública, formada pela soma das opiniões individuais, define aquilo que os meios irão pautar. Essa mudança de pensamento sobre os próprios meios pode ser exemplificado na trajetória dos movimentos de minoria, como no LGBTQIA+ em questão.
Segundo Facchini (2011), o mundo ocidental já reivindicava políticas inclusivas da diversidade de gênero desde a década de 1940. No Brasil, os movimentos minoritários ganharam visibilidade apenas depois do fim da ditadura militar no país. O pioneiro no meio jornalístico a acusar a sociedade sexista brasileira foi o jornal Lampião da Esquina do Rio de Janeiro, apontado por Facchini, que gerou espaços para uma afirmação da sexualidade e debates de gênero. Portanto, os meios de comunicação só começaram a pautar a causa LGBTQIA+ após uma grande demanda da população guiada pela luta por visibilidade.
Atualmente, a temática dos debates de gênero continua em alta - assim como os debates sobre racismo, feminismo, gordofobia, transfobia, entre outras lutas minoritárias - e os suportes de campanhas publicitárias utilizam-se desses discursos para seu benefício. Como, por exemplo, as embalagens de Doritos na Parada Gay de São Paulo e a polêmica que envolveu a cantora Anitta (Larissa de Macedo), criando o termo Pink Money, já que a causa foi usada para benefício próprio.
Em suma, a mídia atua como formadora de opinião pública, mas também é um produto da própria cultura. A causa LGBTQIA+ apareceu na imprensa por meio de lutas populares daqueles que a defendiam e, nos dias atuais, os meios de comunicação ditam como o movimento é divulgado para o público.
“Em pleno
2019 e ainda estamos assim!”, “Sério que ainda temos esse tipo de problema?”,
“Já deveríamos ter carros voadores e ainda enfrentamos esses problemas
básicos!”. São comentários que ouvimos muito naturalmente e eventualmente
falamos. Eles, porém, expressam uma espécie de “fé no progresso”, uma esperança
eterna de que com o passar do tempo, as coisas correriam naturalmente em
direção ao progresso (e que isso é algo bom). Ou pelo menos deveriam. Se não
estiverem, é necessário que “façamos acontecer”. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”
É o lema que cantamos. Interessante é pensar que esses são todos lemas
iluministas e não conseguimos nos enxergar sem eles. Foram construídos em nosso
imaginário e juntos formam aquilo que chamamos de “cosmovisão”.
Nossa
certeza do progresso por meio da razão e do conhecimento compartilhado são em
ultima análise pensamentos que não vieram de nós. Por que lutamos então por
conceitos extremamente abstratos como “liberdade” e “igualdade”? O próprio
desejo de revolução é um pensamento que surge do iluminismo e esperar que as
coisas estejam “melhores” também. Não é por que algo é moderno que é bom e ser
inovador não significa ser valioso. Dificilmente observamos a base dos nossos
pensamentos e o que me fez acreditar no que acredito. Isso confirma a análise
do filósofo Francis Schaeffer de que somos em última análise, “seres litúrgicos”. Nos
movemos por fé.Em cada passo que damos
e se lutamos por desenvolvimento o fazemos por fé de que no mínimo isso serve
para alguma coisa.Liturgia tem sentido
de “culto”, ou seja, vivemos “cultuando” ou adorando alguma coisa. Não é pouco
pensar que o que pensamos ser o alvo da humanidade guiará cada um dos nossos
passos. Nos movemos pra isso, existimos dentro disso.
A filosofia
importa por que ela revela meus motivos também. De uma sociedade vertical, na Idade Média, que
olhava para cima e para além de si, passamos para uma sociedade de consumo,
mais arraigada aos valores terrenos impossível. Nos tornamos deuses de nós
mesmos e isso nos desnorteia. Se somos o fim de nossa existência não existe
exatamente um “para onde ir”. Isso é meio triste. Quando passamos para a mídia,
percebemos que ela faz parte desse bolo. Ela nasce de uma fé na gente. Nasce de
um inconformismo, um espírito revolucionário. Não é atoa que ela vez ou outra
crucifique ou coloque na guilhotina alguém.Toda revolução mata e o progresso exige o sacrifício dos “bodes
expiatórios”.
O sacrifício
de Jesus se destoa nesse sentido.Não
nasce da vontade do progresso (no sentido de que não foi morto por que a sociedade esperava progredir com isso) . Não nasce na fé no futuro em si mesma, mas a
conversão nasce do desconsolo. A conversão é o ato de perder as esperanças em
si mesmo e em toda e qualquer coisa a nossa volta que possa nos segurar.
Agarra-se ao inteligível, e se alegra no invisível. Ela, porém, efetivamente
progride. Ela cria revoluções pessoais e sociais, mas não como fim em si mesmo.
Ela faz isso de espontânea vontade.
É fato que a opinião pública é extremamente relevante para a elaboração da agenda dos meios de comunicação. Ao contrário do que diz a Teoria da Agenda Setting, o público é, sim, determinante para a escolha do que será ou não transmitido.
Há diversos casos de produções da mídia que são alteradas devido a uma manifestação desfavorável por parte da opinião pública, afinal, qual meio de comunicação não almeja alcançar apoio popular?
Como maior exemplo, há o caso da telenovela Torre de Babel, da Rede Globo, na qual havia um casal lésbico, formado por Rafaela (Christianne Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer). Cenas cotidianas de afeto entre o casal começaram a causaralvoroço entre os telespectadores, que passaram a criticar e boicotar a obra. Sendo assim, o autor Silvio de Abreu alterou o roteiro, matando as duas personagens em umaexplosão em um shopping center. A estratégia utilizada para agradar ao público deu certo, e a audiência de Torre de Babel decolou.
Deve-se lembrar, também, que os Meios de Comunicação não podem deixar que apenas a opinião pública seja responsável pela formação de toda a programação. Os assuntos da agenda pública e o faro jornalístico são fundamentais para que haja uma comunicação saudável entre o emissor e seus receptores.
Gossip Girl é uma série de televisão americana, produzida pela “The CW”. O seriado conta a história de uma suposta “garota” que é responsável - através das mídias sociais - pela divulgação de fatos e boatos acerca da vida pessoal dos adolescentes de Manhattan.
Quando analisamos a série pelos parâmetros da hipótese de Agenda Pública, podemos perceber o quanto são relacionadas. Desde o momento em que uma pessoa se dispõe a colocar a vida de adolescentes ricos como algo importante nas redes, já influencia o público a achar que aquilo deveria ser algo para se interessar e até mesmo, acompanhar.
A “garota do blog”, como é denominada, expõe a vida desses adolescentes à maneira que recebe informações pelo público que os perseguem e registram os momentos vivenciados pelos mesmos. “Ela” molda tudo que ocorre no distrito e faz as pessoas acharem aquelas notícias importantes suficientes para se tornarem pauta no vocabulário diário das pessoas.
Embora todo conhecimento do que ocorre com Nathaniel Archibald, Serena Van der Woodsen, Daniel Humphrey, Blair Waldorf, Chuck Bass, e entre outros personagens, seja notificado pelas pessoas que registram os momentos, muitas notícias são apenas boatos, e ao serem divulgadas pela “garota do blog”, alcançam uma grande dimensão, e acabam prejudicando a vida dos adolescentes, que durante a narrativa são acusados por notícias alarmantes, como: estupro, venda de drogas, traição, etc.
Exemplo dessas notícias que ganham voz pelas redes sociais na boca do povo, é o envolvimento do adolescente Daniel Humphrey com a professora do colégio, que terminou por fazê-la ser demitida, e a ele, o término do relacionamento com sua atual namorada. Tudo isso aconteceu por causa da repercussão dada pela sociedade, que nesse caso, foi relevante para resolver algo que estava sendo inapropriado.
Daniel Humphrey, menor de idade, envolvido com professora.
Isso explica como a Agenda Setting captura ângulos a serem vistos como importante pela população, quando, na verdade, a importância dada ao assunto deveria ser de somente interesse particular dos envolvidos no caso, em determinadas situações. Muitas vezes, isso pode ajudar, mas a partir do momento em que uma informação é capturada de forma errada pela mídia e divulgada em repercussão, pode até mesmo transformar um inocente em suspeito.
Em 2004 foi lançado um filme que causou muita polêmica nos Estados Unidos:Fahrenheit 9/11 com a direção de Michael Moore. O filme se inicia com a posse doGeorge W. Bush II, vencedor da corrida presidencial. O agendamento público se inicia a priori, quando o Diretor do filme resolve mostrar toda sua falta de respeito ao então presidente, por meio de uma temática diferente: o mostra como um homem normal, que pesca como parte de seus hobbies, aproveitava as férias,viajava e consequentemente não dava a devida atenção nos assuntos do país. Tudo isso para tirá-lo do seu pedestal como o homem mais poderoso e influente do mundo.
No dia do ataque as torres, Bush estava tranquilo lendo livros para crianças em uma escola quando foi informado sobre a primeira colisão (de duas) em uma das torres do World Trade Center localizado em Nova York. O ataque foi conduzido a mando dos terroristas do denominado " Al Qaeda" impulsionando uma série de preocupações por parte de Bush e é ai que o diretor parte para outro tipo de enquadramento: acontece que a família do presidente possuía relações com a família de Bin Laden, que dias após o atentato tiveram permissão para sair deixar América do Norte e retornar para seu país de origem.
Com esse fatídico acontecimento, o presidente precisava assumir uma postura de comando e tranquilizar os cidadãos de todo o país, com isso reforçou toda segurança. No entanto, o mais contraditório é que ao mesmo tempo que se instalava a paz, também era incitado o medo para que as acusações contra Bush não fossem levadas a diante.De forma astuta e com o intuito de desviar a atenção concentrada em si que deu origem às investigações, a culpa acabou recaída em um homem da família Bin Laden, que desde então ficou rotulado com um monstro: Osama Bin Laden.
Bush estava tão preocupado na manipulação dos cidadãos americanos, que levou diversos soldados à uma "falsa guerra". Desde então vários jovens, homens apaixonados por sua pátria, todos americanos, perderam suas vidas em um lugar cujo povo mal algum havia feito aos Estados Unidos da América. Portanto, podemos concluir que o filme demonstra diversos agendamentos e enquadramentos que a política pública usou como forma de acobertar suspeitas e suprir a necessidade de toda uma nação por paz, justiça e segurança.
Rita Lee apresentando sua música, "arrombou a mídia", revelando um verdadeiro manifesto
Rita Lee compôs essa música há mais de 15 anos atrás, e, embora o tempo tenha passado, a essência de sua letra ainda é o retrato da sociedade nos dias atuais. “Arrombou a mídia” nada mais é do que uma dura crítica ao poder que a mídia, através dos meios de comunicação, exerce sobre as pessoas, sendo capaz de ditar comportamentos, opiniões e estilos de vida.
“Rádio e TV tem jabá
Novelas ditam quem é Star
Eu também quero ser marketeira
Tem sempre na tela um apresentador
Vendendo a tragédia de algum cantor
A fé corre o risco de fugir da igreja
No canal do bispo, comercial de cerveja”
Quando se fala em jabá, ela quer dizer que os grandes veículos de informação, como o rádio e a televisão, muitas vezes, levam a seus programas e/ou fazem certas propagandas para cantores em troca de suborno. As telenovelas, que fazem parte do cotidiano do brasileiro desde os anos 50, são consideradas entretenimentos diante de quem as consome, além de mostrar quem/o que está em alta, sendo capaz de influenciar comportamentos na vida de quem acredita. Lee fala também das propagandas, que são verdadeiros métodos de persuasão, fomentadoras do consumismo exacerbado. A crítica que ela faz é genial, pois se o dono da emissora não consome e é contra o produto, por que é que ele vai gerenciar propagandas que enaltecem a bebida alcoólica? Simples, pelo dinheiro. Mas quem vê tudo isso que a mídia publica, quando não tem uma sólida opinião e personalidade formadas, toma como verdade absoluta e faz de tudo para seguir os padrões que são impostos.
Esses e muito outros trechos da música reforçam a ideia da Teoria da Agenda Setting, que diz que a mídia quem determina quais assuntos farão parte das conversas dos consumidores de notícias. Ou seja, é ela que pauta o que nós, meros mortais, vamos achar válido discutir e conversar sobre. Assim, vai aos poucos moldando nossas opiniões acerca das mais temáticas, remodela nosso modo de pensar e enxergar o mundo a nossa volta. Essa manipulação, quase imperceptível, norteia as opiniões individuais para o senso comum e assim perdemos força diante de assuntos de importância social, como a política.
“De meia em meia hora, uma nova pesquisa
Mas como, se ninguém nunca me analisa?
Por sorte meu controle anda tão descontrolado
Eu mudo de canal e ele aperta o desligado..”
Como Rita Lee deixa claro nos versos acima, ela sabe que a comunicação de massa não analisa opinião por opinião nem indivíduo por indivíduo, bem como cada contexto em que cada um está inserido. E se ela está ciente disso, ela também saca que a mídia quer englobar o máximo de pessoas possível em sua manipulação, só que graças às brechas dessa doutrinação, há pessoas que conseguem perceber e escapar dessa armadilha. Diante disso, percebemos então que a opinião pública pode tomar força e redirecionar os rumos que os assuntos agendados pelos meios tomam; a opinião pública pode, também, ser uma grande influenciadora na tomada de decisão de determinados grupos e de determinadas mídias. Para que isso seja exequível, necessita-se de pessoas com autoconhecimento, capazes de se libertar das amarras midiáticas e que busquem opiniões sólidas e embasadas em juízos racionais.