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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Eu fiz um pé...

Hoje vou mostrar um belo caso do uso da arte como distinção social no meio musical. Como sabemos, a  música carrega, além da melodia, todo um contexto social em que o eu lírico está inserido. Sendo assim, Anitta e Ludmilla são exemplos pertinentes para essa análise.

Em Onda Diferente - canção de Ludmilla que foi lançada por Anitta - temos a seguinte frase:

Então sai, sai, sai da minha frente
Hoje eu vou dar trabalho numa onda diferente

Já na música Verdinha - canção de Ludmilla - temos a seguinte frase:



Eu fiz um pé lá no meu quintal
Tô vendendo a grama da verdinha a um real
Sou porra louca
Mas também sou dedicada
Em casa não falta nada
Trabalho pra estudar
Eu tenho alma de pipa avoada
Minha vizinha fala, fala, e não consegue acompanhar
Um dia eu vou poder falar toda verdade
A máscara que vai cair diante da sociedade

Em ambas as músicas percebemos claramente referência ao uso de maconha, mas somente uma sofreu retaliações. Adivinhe qual? Isso mesmo! 

Ludmilla sofreu ataques e acusações de estar fazendo apologia ao uso de drogas e sua colega Anitta, de outro contexto social, foi aplaudida de pé pela performance em seu clipe ao lado de um enorme pé de cannabis. Ludmilla expressa em sua letra toda uma problemática enfrentada pelos moradores das periferias e, ainda assim, foi criticada pela grande mídia. 

Vinícius M. Sampaio, 93318

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Fonte ou Mictório de Duchamp?


"A Fonte" / Marcel Duchamp

A obra acima foi originada por Marcel Duchamp, em 1917, uma época em que a escola dadaísta fazia muito sucesso, já como arte moderna. O ponto no entanto fomentado nesse texto é a questão mais debatida quanto ao urinol de porcelana: ele seria ou não seria arte?

Para alguns defensores da arte de Duchamp, óbvio que ela seria arte, afinal a arte dadaísta debatia exatamente esse ponto, o status da arte e do artista.Duchamp utilizou do ready-made (uso de materiais prontos) para criar e sua arte, e isso demonstra a pluralidade existente para criação de algum significado, e essa foi a forma que Marcel achou para demonstrar o que entendia da escola da época.

Porém, para alguns críticos da obra, ela não demonstra as características que uma arte necessitam para assim ser denominada, arte. Ele não possui preocupações com traços, com cores e tonalidades, com linhas, e tudo mais. Ele apenas existe, e existiria de qualquer forma.

Podemos concluir, então, que arte é um objeto diferente para diferentes pessoas. Enquanto alguém pode enxergar a Fonte de Duchamp como uma obra de arte, outra pessoa pode apenas ver aquilo como um mictório comum, nada demais. E tudo bem ser assim, pois é algo dependente de contextos e vivências diferentes, o que as pessoas normalmente possuem.


Isabelle de Oliveira
Matrícula: 99200

Arte é.... arte!

A arte é tudo aquilo que você cria, é tudo que você da forma, é tudo aquilo você se dar, é tudo que você expressar.

A arte é obra prima aquilo que você cria, é uma emoção, é fazer você sonhar, é dar prazer em olhar a perfeição e a beleza, é detalhe de uma técnica, é você olhar e ver realmente sua obra ser fantástica, arte é imaginação, é sentimento. A arte é você poder colocar algo de dentro para fora, como na pintura, em um poeta na sua poesia, em um escultor na sua escultura, no artesão em seu artesanato, a arte em um escritor é fazer um livro, tudo é arte, e todo ser humano tem um pouco de arte dentro de se mesmo.

Na arte você expressão sua emoção, sua historia, sua cultura seus valores. Na arte você representa de diversas formas como: no quadro o pintor cria sua pintura, e no livro é o escritor expõe pra fora tudo o que pensa e o que sente etc. A musica também é uma arte, quando você ouve, toca em suas emoções, em seu sentimento, na pintura quando olhamos um quadro, sentimos através dele o sentimento do pintor.

Referencia: http://www.ruadireita.com/arte/info/arte-e-tudo-que-se-cria/#ixzz67GoEBF00



Maria Eduarda - 99199

A distinção entre certo e errado

 O certo e errado nos acompanham desde crianças, mesmo antes de aprender a falar, os nossos cuidadores tentam nos fazer entender o que pode ser tocado/visto por nós ou não, e a ferramenta de escolha é o certo e o errado.
 Exisfem leis, que punem quem prática alguma ação intitulada como errada, e existem prêmios e reconhecimentos para aquele que comete um ato intitulado como certo, isso é inegável. O que distingue o certo do errado é como tal coisa é vista na sociedade, como afeta o bem estar pessoal e em grupo e até onde as consequências podem chegar.
 Falar sobre educação sexual  nas escolas por exemplo, é algo que divide opiniões, mesmo não apresentando consequências ruins para a sociedade, ainda muitas pessoas o julgam como errado, mutas famílias defendem que isso se discute em casa e muitos estudiosos apontam como pode transformar a realidade, vemos por aí uma problemática nessa distinção, já que implica bem mais do que achar, implica como é visto.

Laura Beatriz 99194

Patricinha de olho azul - Bom Gosto

a música intitulada Patricinha Do Olho Azul utiliza desse artefato pra diferenciar a realidade dessa moça branca, da zona sul do Rio De Janeiro para a de um homem pobre e negro da favela da capital. Os dois estão se vendo e a letra da canção retrata as divergências do relacionamento.

De black ou nagô, relógio paraguaio
Eu já tô quase atrasado pra sair com ela
Tênis do camelô, um perfume de caô
Sem dinheiro na carteira pra sair com ela
Eu preciso de um favor
Mas tem que ser no amor
Que eu não tenho um real pra sair da favela
Dia cinco não chegou, meu patrão não me pagou
Meu cartão já estourou e meu rolê já era
Ela já me perguntou, onde eu moro, de onde eu sou
Se é de carro ou a pé que eu vou sair com ela
Eu não sei se alguém falou
Que sou pobre sofredor e
Que só tenho um barraco dentro da favela
O pai dela é doutor, sabe que eu sou cantor
E a mãe já me deu o papo pra cuidar bem dela
Olha eu sou trabalhador
Me coloco ao seu dispor
Sou honesto e meu amor hoje é só pra ela

Sei que eu sou pobre, mas meu coração é nobre
E o que é meu é dela
Hoje eu quero ver se ela me ama
Eu vou contar que moro na favela
Mas se ficar de caô, de caô, vou terminar com ela
Mas se jurar seu amor, seu amor, eu vou casar com ela
Eu moro no morro, e ela na zona sul, sou negão
E a patricinha é lora de olho azul
Os playboy fica de bob recalcado que sou pobre
Quando eu vou no bairro dela é o maior zum zum zum
Eu moro no morro, e ela na zona sul
Sou negão e a patricinha é lora de olho azul
Quer sair do bairro nobre pra casar
Com um cara pobre, ela já tem eu de negro
E quer fazer mais um
Então já que é assim, quer ficar perto de mim
Pode trazer suas trouxa e jogo de panela
Vai passar pelo salão bem do lado do valão
Duas ruas mais cima já é minha viela
Ela vem da zona sul, isso aqui não é comum
As nega do ziriguidum já quer implicar com ela
Geral de zum zum zum, no boteco um por um
Tá fazendo fila pra fazer fofoca dela
Disse que me ama sim, que posso não tem dim dim
Quer fazer um neguim e morar na favela
O que ela viu em mim, de cabelo pichaim
Terminou com o playboy que é lá do bairro dela
Eu vou ver com meu vizinho, um aluguel bem baratinho
Pra poder caber minhas coisa e mais as tralha dela
Viver bem de mansinho, namorar devagarinho
Acordar só com beijinho e ainda cantar pra ela
Eu moro no morro, é lá na zona sul, sou negão
E a patricinha é loira de olho azul
Os playboy fica de bob recalcado que sou pobre
Quando eu vou no bairro dela é o maior zum zum zum
Eu moro no morro, é lá na zona sul
Sou negão e a patricinha é lora de olho azul
Quer sair do bairro nobre pra casar com um cara pobre
Ela já tem eu de negro e quer fazer mais um

vitória fernandes silva - 99179

Arte é tech, arte é pop, arte é tudo

Pessoas mais velhas e habituadas com o auge do MPB bem como o Rock'n Roll, dizem que Funk não é arte muito menos cultura.

Assim como começou a Semana de Arte Moderna, onde muitos ditos apreciadores da arte abominaram a renovação e evolução das maneiras de produção dela. O impressionismo por exemplo, assim como o funk, foi considerado vulgar, de baixo escalão, pois em vez de retratar cenas clássicas, santos e deuses gregos mostravam pessoas fazendo coisas ordinárias: bebendo, em piqueniques, andando. Ou seja, um abuso, o caos. 




Desde a década de 1970, os bailes eram organizados por DJ's que tocavam black music, mais do que festas, eram eventos de conscientização do movimento negro. Já atualmente, aqueles que criticam esse estilo musical, tem como base letras pornográficas, entretanto é necessário observar que o funk canta o realismo grotesco que muitos passam em forma de música. 

Já o MPB, que apesar de ser um estilo diferente, na época da Ditadura Militar Brasileira,  que fez aflorar nos compositores brasileiros a necessidade de usar sua arte para protestos políticos contra a situação. Mesmo que de formas distintas, ambos estilos buscaram criticar, através da música,cada um contribuindo com o que melhor sabe fazer, questionando os fatos e informando a população. Apesar de censurados pelos órgãos opressores, no caso do MPB, mas não deixando de compartilhar os momentos difíceis.

Trechos das músicas produzidas como protestos


Aline Fonseca
99187

Pixação e grafite: qual a distinção de arte?

Por Roberta Abreu (99208)

Resultado de imagem para pixaçao

                           VS

Resultado de imagem para grafite irmaos gemeos

Desde os primórdios o homem vem se expressando por meio de códigos e rabiscos nas paredes das cavernas, como forma de registrar e reproduzir o que sente. Mesmo com o passar dos anos, essa prática de expressão ainda se faz presente e novas formas de representação foram surgindo, como o grafite e a pichação.
Grafite é arte, pixação é vandalismo. Essa frase te parece familiar?
O grafite, geralmente bem colorido e chamativo, é muito bem visto pelas pessoas. Ele é representado por meio de imagens (como essa acima) e carrega consigo um sentido. 
Já a pixação é voltada para letras, sem imagens, e não agradam tanto aos olhos quanto o grafite. Na regra dos pichadores, vence-se aquele que conseguir escrever em maior número sua assinatura e nos lugares mais altos da cidade. Entretanto, muitos pixadores infringem outras regras e depredam patrimônios públicos e privados com suas pixações, fomentando ainda mais o preconceito por parte da sociedade. Mas se ambos são expressões artísticas, por que são tão distinguidos? Ainda em 2019, o pixo permanece como um símbolo de vandalismo, e seus praticantes são considerados marginais; enquanto o grafite adquire conotação de arte, conquistando espaços em galerias.

A arte como um mecanismo de segregação social


A arte como um mecanismo de segregação social

Por: Adrielle Mariana - 99210

A cultura reúne um conjuntos de práticas, pensamentos,valores, crenças, atitudes, hierarquia, linguagem,  opiniões  fazendo a soma de comportamento social dos indivíduos, entretanto no meio da cultura a arte pode estar a disposição para alguns, sendo uma ferramenta de seleção e segregação.
A arte pode ser erudita, sendo elitista estando a serviço da esfera da elite social e isso é observado na música da Ariana Grande, artista essa, branca, rica, ocupando uma posição de privilégio em 7 Rings:

Breakfast at Tiffany’s and bottle of bubbles   Café da manhã na Tiffany’s e garrafas de espumante
Girls with tattos who like getting in trouble    Garotas com tatuagens que gostam de se meter em encrenca
Lashes and diamonds, ATM machines          Cílios postiços e diamantes, caixas eletrônicos
Buy myself all of my favorite things               Eu mesma compro todas minhas coisas favoritas

A letra dessa música evidencia portanto que por possuir muito dinheiro ela tem acesso a marcas de grifes, acesso a uma cultura mais elitizada em que apenas quem possui grande poder aquisitivo têm acesso a esse tipo de arte, e isso é evidenciado pelo lifestyle e o comportamento descrito na canção. 
Já Jorja Smith cantora negra, narra em sua música blue light, ela aconselhando uma pessoa a fugir da cena do crime, descrevendo uma cultura diferente e um modo de viver e comportar divergente de Ariana Grande:

Gum crime into your right ear                                Crime a mão armada na sua direita
Drugs and violence into your left                           Drogas e violência na sua esquerda
Default white headphone flooding the auditory      Fone de ouvido branco padrão inundando o auditório
subconscious waves you accept                           Ondas subconscientes que você aceita

Jorja faz um recorte da sua realidade vivida na pele, onde tem acesso fácil a violência, o que torna comum, mostrando seu estilo de vida totalmente diferente de Ariana Grande.
A análise das duas músicas traz em discussão em como duas mulheres podem ocupar espaços e consumir arte de maneira diferente, levando em consideração o poder aquisitivo e a cor de pele, então enquanto uma vive uma vida luxo a outra sofre repressão no ambiente periférico. 


sábado, 30 de novembro de 2019

A Música como arte


A arte nos circunda em tudo. Na sociedade atual, se prestarmos o mínimo de atenção, o singelo ou incrédulo pode se transformar em arte. No entanto, tempos atrás o primeiro conceito de elaboração de arte era “uma mimese da natureza”, isto é, uma imitação e reprodução sobre o mundo da natureza. Existem duas grandes correntes que discorrem sobre o conceito de arte: a de Aristóteles e de Platão. A primeira diz que a arte é superior à natureza, enquanto que a segunda afirma que a arte é inferior ao mundo.
            Apoiando-se nessas duas visões, podemos compreender que a arte é uma réplica mal feita do mundo, seria a manipulação da realidade (corrente platônica). Isso me recorda de uma música do Lulu Santos chamada Tempos Modernos. Há um trecho muito interessante nela que merece destaque:
Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
E não há tempo que volte amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir
            A música é uma arte, pois há nela uma reconfiguração de uma visão de mundo do cantor que a traduz em melodias e acordes. Sendo assim, destaco algumas frases importantes:
“Hoje o tempo voa, amor”
“Escorre pelas mãos”
Nessa parte, é perceptível notar um sentido totalmente diferente do usual que estamos acostumados. Sobre o tempo voar, é uma metáfora, pois o tempo não voa e muito menos escorre pelas nossas mãos. Contudo, essa reprodução artística permite a aplicação de um significado muito maior e profundo que causa uma catarse, um êxtase em quem ouve a música. Dessa forma, ao mesmo tempo que a própria metáfora renuncia a realidade vivenciada por nós dando novos sentidos (corrente aristotélica), ela também é uma reprodução do nosso real e não necessariamente tal como é.

Seja da corrente aristotélica, onde a arte é superior a natureza ou da corrente platônica que discorre que a arte é inferior ao mundo, uma coisa é fato: a arte está por aí.

Alice Ruschel Mochko
99178

Eduardo e Mônica


Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol de botão com seu avô

A arte também pode ser vista como um mecanismo de distinção social, como podemos observar nesse trecho da música Eduardo e Mônica de Renato Russo. Pode-se analisar a diferença da dita “cultura erudita” entre os dois, onde a Mônica aparenta ter um repertório cultural mais enriquecido ao de Eduardo. Porém isso não retira o fato de que Eduardo também se envolve com arte, porém de maneiras diferente, no trecho seguinte diz:

Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema "escola, cinema
Clube, televisão"

O Eduardo, no caso, estaria em contato com formas de arte distintas da de Mônica. Isso mostra a arte como distinção social e cultural. Há formas diferentes de artes produzida por cada cultura e parâmetro social.

Laísa Rodrigues de Menezes, 99197