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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Ninguem realmente se importa

Isabelle Kruger Braconnot 99173
Reconhecimento

Os seres humanos sempre correm atrás de ter reconhecimento pelo seu trabalho, seja qual for a importância ou tamanho deste. Desde pequenos somos ensinados a apresentar nossos feitos e esperar que as outras pessoas batam palmas. Um grande balde de água fria cai em nossa cabeça quando crescemos e percebemos que o sistema e muitas pessoas estão nem aí pro nosso trabalho. O simples fato de você ser capaz de escrever 20 textos em um dia passa despercebido pela maioria da sociedade simplesmente porque ela não se importa. Tenho um amigo que sempre fala "existem dois tipos de problemas, o meu e o seu". E a verdade é que quanto mais você trabalha menos você recebe e menos pessoas conseguem reconhecer. O sistema em que vivemos associa o trabalho à falta de algo material e então te desconsideram porque você, na visão dos mais ricos, não tem valor ou importância. O trabalho da maternidade por exemplo, não é reconhecido em sua totalidade e muitas vezes é desvalorizado, principalmente se a mãe for jovem.

Lutas Emancipatórios na Perspectiva de Reconhecimento


    Breno Guimarães 89540

A eticidade hegeliana compreende que a vida em sociedade é determinada pelas relações intersubjetivas de indivíduos na busca por reconhecimento. Neste sentido, rejeita a categoria de jusnaturalismo, em especial Hobbesiana, sobre os homens terem de abrir mãos de parte da liberdade em favor de um terceiro - o Estado. Para Hegel, a consolidação da vida social não se motiva pelo senso de autopreservação dos homens, mas por reconhecimento, portanto isola o conflito como força transformadora da materialidade. 
    É na teoria crítica do sociólogo italiano, Axel Honneth, que a eticidade e o reconhecimento ganham contornos de conflito. Honneth defende que as relações intersubjetivas por reconhecimento recebem, nas situações de conflito, lastro para o desenvolvimento moral da sociedade. Nesse sentido, o desrepeito motiva a organização de grupos com objetivos motivadores.
    Com vistas na teoria crítica Honnethiana, podemos pensar na categoria identidade e nas motivações do movimentos de luta antihegemônica, identitaristas. Estes são produtos de relações intersubjetivas em contextos de marginalização e de consequente busca por reconhecimento – neste rol podemos incluir as lutas feminista, LGBT, Racial, indígena, ambientalista das mais diversas linhas teóricas e práticas. 
    Nos momentos de acirramento do conflito e da repressão é possível se esperar sínteses de desenvolvimento moral e inclusão dos grupos emancipatórios em três esferas sociais onde os conflitos se desenrolam: a família, o direito (reconhecido como a sociedade civil) e na eticidade (o estado, ou o espirito do povo).
    Neste sentido, podemos concluir que há uma relação dialética entre o conflito e o reconhecimento, que engedra as transformações em todas as esferas sociais

Ejercito Zapatista Libertador del Norte

Teoria do Reconhecimento é um conceito social filosófico onde o termo “reconhecimento” – traduzido do alemão Anerkennung, que transpõe o sentido de percepção cognitiva – é abordado como uma necessidade de obter respeito nas relações intersubjetivas.

"El general en jefe del ejercito libertador del sur Emiliano Zapata Manifiesto Zapatista en Nagua-
Al pueblo de México:
A los pueblos y gobiernos del mundo:
Hermanos:
Hermanos nosotros nacimos de la noche
en ella vivimos
y moriremos en ella
pero la luz será mañana para los más,
para todos aquellos que hoy lloran la noche,
para quienes se niega el día.
Para todos la luz,
para todos todo.
Nuestra lucha es por hacernos escuchar y el mal gobierno
grita soberbia y tapa con cañones sus oídos,
nuestra lucha es por un trabajo justo y digno y el mal gobierno compra y vende cuerpos y vergüenza,
nuestra lucha es por la vida y el mal gobierno oferta muerte como futuro,
nuestra lucha es por la justicia y el mal gobierno se llena de criminales y asesinos,
nuestra lucha es por la paz y el mal gobierno anuncia guerra y destrucción.
Techo, tierra, trabajo, pan, salud, educación, independencia, democracia, libertad,
estas fueran nuestras demandas en la larga noche de los 500 años,
estas son hoy nuestras exigencias."


Davi Pinho, 88986

Talvez esse não seja o seu grupo

Hegel foi um grande filósofo que era contra a Filosofia Moderna e fazia constantes críticas a Descartes, Hume e Adam Smith. Hegel tratou da teoria do reconhecimento/eliticidade.


Tal Teoria se relaciona ao sentimento do ser humano de pertencimento a um grupo, uma vez que de acordo com ele o indivíduo é um ser que é capaz de existir por si mesmo. Logo, o ser humano não é um indivíduo, já que ele não possui a capacidade de existir de maneira isolada, sem as relações interpessoais. Assim, podemos explicar essa Teoria:


  1. Amor: é o primeiro vínculo social desenvolvido, em que os pais dão o que a criança precisa e o pequeno indivíduo os obedece por não querer decepcioná-los. O amor é a primeira forma de aceitação e de pertencimento de um indivíduo a algum grupo;
  2. Direito: essa esfera é completamente essencial uma vez que trata-se da necessidade da existência de regras para delimitar condições de igualdade dentro do grupo a que se pertence; 
  3. Solidariedade: trata da identificação que o ser tem com certo tipo de grupo social.


Hegel ainda trata da questão do suicídio em sua Teoria, em que ele é a “solução” para quando o indivíduo não se sente mais incluso ou amado pelo grupo ao qual faz parte. 


É muito problemático que nós, seres humanos, tenhamos tanta necessidade pertencimento a um grupo que a falta dele nos provoca a sensação de desconexão com a realidade. O pior é as inúmeras pessoas que se moldam, mudam sua personalidade, seus jeitos e trejeitos, para, então, se sentirem pertencentes a um grupo que, muitas vezes, nem nos representa. É muito louco ver a nossa busca insistente pela aprovação e reconhecimento dos fulanos e ciclanos que, no fim das contas, não faz nenhuma diferença. 


Vinícius M. Sampaio, 93318

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Naruto e a busca incessante por reconhecimento


“O ser humano é um animal político”, tal conceito de Aristóteles diz que o homem é um ser que necessita de coisas e dos outros, sendo, por isso, um ser carente e imperfeito, buscando a comunidade para alcançar a completude. Isso entra diretamente em conexão com a teoria do reconhecimento do filosofo e sociólogo alemão Axel Honneth. Nela é abordado como pelo antecessor grego a necessidade de reconhecimento, de se sentir pertencido a um grupo ou a sociedade.
Considerando as esferas de reconhecimento, Naruto – o personagem principal do anime que leva o nome – não possui a esfera familiar (seus pais morreram em eventos logo após seu nascimento, não chegando a conhece-los); não possuí reconhecimento social também, devido a ter sido colocado com “recipiente” de um monstro que atacou a vila anos antes. Com tal “maldição” selada dentro dele, as pessoas o veem como a própria personificação desse mal, então o maltratam, o excluem, inclusive as crianças da escola perpetuam tal prática dos adultos, em formato de bullying.


Crescendo nesse ambiente onde ele não possui pertencimento, nem reconhecimento pelos demais, ele teve como meta sempre buscar a valorização social. Persistindo em seus treinamentos e afins para crescer se tornar o “Hokage” (chefe da vila), e assim então ser valorizado e reconhecido pelos demais ninjas e habitantes da sua vila.

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João Vitor Martins 99183

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A padronização da beleza e suas consequências

 A ideia de identificação com o que é consumido tende a oferecer determinado conforto e bem estar as pessoas no geral. O problema é que, historicamente, o que sempre foi representado nos anúncios dos grandes nomes e marcas da sociedade capitalista é um padrão que não da voz a maioria, mas que, sendo imposto de forma massiva, acaba oprimindo as mais diversas formas de ser que fogem do que é mostrado.

A venda de produtos sempre recorreu ao visual do que é "bonito" para se divulgar. Marcas de lingeries, biquínis, roupas, calçados, sempre apelaram para modelos magras, brancas, altas e com uma classe indiscutível. A questão é: quem consome esses produtos?



A teoria do reconhecimento afirma que o ser humano tende a buscar por respeito e aceitação no meio em que vive, logo, a imposição de padrões através da venda desse ideal de beleza acaba por ocasionar a busca pelo que é mostrado. Mulheres negras, corpos que não obedecem o padrão das curvas mostradas, pessoas deficientes, dentre demais diferenças físicas, sendo ignoradas de forma recorrente, acabam por desenvolver a ideia de que não possuem beleza.

A marca dirigida pela cantora Rihanna, nomeada Fenty, tem obtido destaque na inserção de modelos com foco na inclusão. O emprego de modelos plus-size, negros, deficientes, tendem a desconstruir esse padrão de beleza construído ao longo da história e demonstrar que as pessoas tem o direito de ter suas diferenças representadas como sinônimo de algo bonito.



Vitória Fernandes Silva
99179

Cartola trampou demais pra se encontrar

"Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar"
É o que diz a primeira estrofe da música "Preciso me econtrar" do grande cantor e compositor Cartola. O eu-lírico quer sair para o mundo para se escontrar, para buscar sua identidade, mas na verdade ele não quer se encontrar, ele quer se recinhcer em algum lugar, qualquer que seja esse. Ele quer viver as experiências e tentar se reconhcer e se enxergar nessas experiências, a partir da sua vivências ele pretende saber onde parar e até onde continuar.
"Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver" 
O eu-lírico quer ver a ciclicidade da vida através das represetações desse ciclo na natureza, o nascer e pôr do sol todos os dias, as águas dos rios voltando com a chuva. O sol nasce e se põe, mas entre esses acontecimentos o sol passa um dia inteiro com fases, as vezes seus raios incidem de forma mais intensa, as vezes quase nem batem na Terra, uma nuvem cobre e traz a sombra para a Terra, e é assim que o eu-lírico busca ser. Ele sabe que vai nascer e morrer, mas ele quer o que está entre nascer e morrer, ele quer viver e se sentir vivo, é disso que se trata a música, não só viver, mas se sentir vivo.
"Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar"
Nesse ponto, já prestes a finalizar a mpusica, o eu-lírico fala sobre a sua jornada em busca de si mesmo ser uma jornada solitária, ele deixa isso subentendido, como se saísse escondido, para que dessa forma ninguém pudesse intereferir em sua jornada em busca do auto-conhecimento.

link da música: https://www.youtube.com/watch?v=fUjOfsoBhMY

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Não somos, estamos.


Se reconhecer como indivíduo atualmente pressupõe um sentimento de pertencimento. Não nos reconhecemos nos nossos gostos e vontades, nos reconhecemos ao perceber que esses gostos e vontades são comuns ao de outras pessoas. Nos reconhecemos ao sentir que pertencemos a algum lugar, ao fazermos parte de algo maior. Não nos reconhecemos mais em nossa individualidade, não nos reconhecemos em nossas características naturais, nos reconhecemos no outro, no grupo, no todo. Nos reconhecemos ao pintar o cabelo e nos identificarmos com pessoas também de cabelo pintado, nos tatuamos, enfeitamos, mudamos para que possamos nos sentir cada vez mais parte do grupo. Nossa identidade se perde. Nossa identidade na verdade é construída e moldada no ambiente que estamos e no grupo que queremos pertencer. Não somos, estamos. Estamos em constante mudança em uma busca incessante por pertencimento.


Alanna Fontes
99184

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

As consequências do não reconhecimento "Doze Anos de Escravidão"





A teoria do reconhecimento criada pelo filosofo e sociólogo alemão Axel Honneth se baseia de fato na necessidade do ser humano em ser reconhecido pelos demais. Em sua teoria, Honneth reconhece três esferas do reconhecimento humano: o amor, que pode ser transmitido pelo afeto da mãe ou da família, as leis, nas quais o individuo se reconhece como cidadão e a esfera da solidariedade que promove, portanto, a valorização social. Porém, o que acontece quando tais esferas são danificadas?

O filme “Doze Anos de Escravidão”, memórias de Solomon Northup, retrata bem em seu roteiro as consequências que o não reconhecimento pode trazer para um indivíduo. Um homem livre até então, pai de família, violinista, e respeitado pela cidade de Nova Iorque, Northup vê seus direitos e sua liberdade negada após aceitar um trabalho que o leva até outra cidade onde é sequestrado e vendido como escravo apenas por ser negro.

Pode-se observar ao longo da trama que o processo de desrespeito diário e constante sofrido por Solomon é tão grande que faz com que ele se reconheça de outra forma. A desumanização é retratada a todo o momento no filme, castigos físicos, algemas, correntes e outros instrumentos de tortura fazem parte agora da vida de Solomon, aquele homem livre já não existe mais, não existem direitos, amor e muito menos solidariedade. Sendo assim, aos poucos Northup vai perdendo a sua capacidade subjetiva de se ver como ser humano.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Luta por reconhecimento















    O indivíduo tende naturalmente a procurar se integrar a um grupo ao qual todos tenham os mesmo princípios e objetivos. Isso garante que sinta certo nível de segurança em relação ao meio em que está inserido, ou seja, ele sente que nada o pode deter, sente que já conquistou o respeito de todos, a partir dessas relações sociais sua identidade é construída.
    Um exemplo de luta por reconhecimento são as tribos urbanas, o que une os membros através das vestimentas, gosto musical, semelhança de pensamentos, etc. Apreciadores do Rock buscam aproximação de outros apreciadores desse estilo, tornam-se quase uma família. Muitas vezes o contato é apenas virtual,  a distância os separa mas o que os une é o desejo de encontrar a representação de si no outro. 
    Dessa forma, o ser humano em toda a sua história sempre lutou pelo reconhecimento, por isso vê-se que a ausência de tal, acaba por originar diversos conflitos sociais. Além disso, muitas vezes essa busca não se dá por desejo de ascensão social, mas pelo anseio de construir sua identidade e obter aceitação social. 
    Ou seja, isso vem de um caráter sentimental. Todos querem ser reconhecidos, seus direitos alcançados, "um lugar ao sol". Muitas vezes, queremos ser reconhecidos pelo que não somos, construímos uma imagem agradável aos olhos alheios, ou seja, "eu não estou satisfeito com quem realmente sou, mas as pessoas precisam aceitar essa identidade que estou criando."
    O que resta é uma questão bastante complexa: se esse reconhecimento é baseado no anseio por uma recepção positiva, logo o indivíduo passa a viver basicamente para ser respeitado e aceito pelo próximo. Neste ponto encaixa-se a frase que é atribuída a diversos autores: "Se você viver pelo elogio dos outros, morrerá pela crítica deles". 



Talita Rocha  99201

sábado, 7 de setembro de 2019

Uma reflexão sobre reconhecimento

   Desde o início dos tempos, os seres humanos viviam em grupos com o principal objetivo sendo a sobrevivência; porém, ao longo do desenvolvimento da espécie e sua vida em sociedade, esse hábito social se tornou mais complexo, originando estratégias de integração ou exclusão. A Teoria do Reconhecimento traz o homem como ser social, tendo sua identidade construída através de suas interações, experiências e aprendizados ao longo da vida, esses condicionados pelos grupos em que se inseriu.
    No fim das contas, o reconhecimento vem de maneira externa ao ser humano, com conceitos e pontos de vista impostos por aqueles que o cercam, seja  acolhendo-o ou isolando-o. Um questionamento que me veio durante essa aula específica é: até que ponto o indivíduo vive para si ao invés de tornar-se um personagem para os outros?
   Penso também em povos que se reconhecem, mas não são reconhecidos, como os curdos ou os catalães. Deve ser angustiante ser uma nação, conservar seus costumes e cultura próprios, mas ser invisível para os olhos dos demais países, ignorando o desejo desses por seu próprio território.
   Aproveitando o fio da angústia, por que não discorrer sobre reconhecimento de si mesmo e o papel no mundo? O que fazer quando é pesado demais encarar problemas tão simples por falta de aceitação pessoal? Uma existência plena necessita da compreensão de si antes da compreensão do mundo.


Ana Vitória Messias Oliveira- 99176

domingo, 1 de setembro de 2019

Inexistência de escolha




Todos nós somos iguais perante a lei de acordo com a constituição federal, sem distinção de cor, gênero e orientação sexual. Porém, por sermos seres sociais de acordo com a filosofia moderna, temos uma cultura a seguir, uma consciência histórico-cultural. Assim, muitas vezes estamos presos a um limbo social que não avança em direitos individuais de um certo grupo ou comunidade. Um exemplo da discriminação que perpassa por séculos é a LGBTQIfobia com a escassez de direitos humanos não prescritos em leis.

O Brasil é um dos países que mais mata LGBTQI do mundo e um dos que mais assiste conteúdo pornográfico com temática transexual e travesti do site xvideos do planeta. Desse modo, podemos refletir sobre isso colocando a eticidade que é dividida em amor/aceitação, direito e solidariedade a esse grupo que é pouco representado e acolhido nas esferas da sociedade, deixando assim, de ter perspectiva pela falta de reconhecimento. Temos no país, poucas leis, incentivo, proteção e medidas que protejam às LGBTQI’s, assegurada na lei a todos de acordo com a constituição, porém é servida a maioria e não ao conjunto diverso de habitantes existentes.

O suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. O público LGBTQI tem seis vezes mais chance de cometer o ato, de acordo com a revista científica americana "Pediatrics". Levando ao estudo de Emile Durkheim, cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias, dos fatores sociais que agem não sobre os indivíduos isolados, mas sobre o grupo, sobre o conjunto da sociedade. Cada sociedade possui, a cada momento da sua história, uma atitude definida em relação ao suicídio. Logo, a escolha de tirar a própria vida, nunca é uma decisão tomada a partir de vontades isoladas, a sociedade a nossa volta não dá outras alternativas, uma vez que, existe falta de amor, direito e solidariedade.

ICARO RAFAEL MATTA PEREIRA
99192

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

The Handmaid’s Tale: o reconhecimento da aia.


Handmaid’s Tale é uma série da Hulu, plataforma de streaming americana, baseada em um livro de Margaret Atwood: O conto da aia. A narrativa retrata uma realidade distópica na qual mulheres são sequestradas e sexualmente escravizadas. O contexto em que essa realidade torna-se possível é explicado aos poucos com o desenrolar da série; os humanos passam por uma crise de fertilidade, consequentemente, a taxa de natalidade de todos os países é reduzida. As potenciais mundiais estão alarmadas com a provável extinção humana, assim, surge uma religião radical que derruba o governo dos Estados Unidos, renomeando-o como República de Gilead. O novo governo totalitário sequestra as poucas mulheres férteis do país e obriga-as à servir sexualmente as famílias da elite.
A teoria do reconhecimento aplica-se no contexto da série, porque as aias se identificam como um grupo de resistência àquela sociedade. Segundo Hegel, o sujeito reconhece a si por meio da relação direta com outro indivíduo e/ou com a sociedade, a partir  da reflexão entre o eu e o não-eu. Logo, o processo de criar uma identidade individual ocorre de forma intersubjetiva. É necessário que a sociedade legitime um grupo para que o grupo legitime a si próprio, seja por diferenças linguísticas, culturais, históricas ou até mesmo de vestuário; como no caso das tribos urbanas e dos vestidos vermelhos das handmaid’s.


“A culpa é deles. Eles nunca deveriam ter nos dado uniformes se não queriam que fôssemos um exército”

Para Durkheim, a sociedade é anterior ao sujeito, sendo a individualidade um conceito formado sócio-historicamente. Portanto, as aias formam um grupo porque estão inseridas em uma sociedade que as coagem à isso. Apesar do conceito de livre-arbítrio, as decisões das mulheres, como o próprio grupo em si, são criadas pela sociedade em que vivem.
As formas de reconhecimento são divididas em três: o amor, o direito e a solidariedade. O amor, no estudo da psicologia infantil de Winnicott, é o entendimento da diferença entre o sujeito e a subjetividade do outro. De acordo com Honneth, a luta por reconhecimento acontece quando suas formas são feridas em conflitos sociais. Em Handmaid’s Tale, o conflito social é a violação das mulheres que rompe com o conceito de amor, pois objetifica os seres quando desrespeita sua integridade física e psíquica.
Em síntese, muitos estudos filosóficos e sociológicos podem ser exemplificados na sociedade fictícia de Gilead. Aliás, esse é um dos porquês o livro de Margaret foi consagrado como um best-seller, pois, apesar de extremamente violento, o conto assemelha-se a realidade.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Uma Multidão de Diferentões Iguais

por Júlia Ennes. Matrícula: 99193

Vira e mexe diferentes tipos de estilos entram em choque nas redes sociais. É comum ver comentários chamam os outros de padrãozinho e o famoso "chuta/sacode uma árvore que aparece X igual"









Mas o fato é que o ser humano precisa não só viver em sociedade, mas se sentir pertencente àquela sociedade e aceito. A necessidade de se reconhecer como pertencente a um grupo é intrínseca ao ser humano. E essa necessidade - que é construída socialmente - faz com que tentemos de tudo, mesmo sem perceber, para que possamos nos encaixar. Assim, quando me identifico com um grupo, começo a me comportar, vestir e agir de forma que eu seja reconhecido e aceito pelos outros membros do grupo. Ou seja, nem as brancas de colégio particular na barra da tijuca nem as alternativas de franjinha e piercing no septo são 100% autenticas.

Sendo assim, desculpe por te informar mas por mais “diferentão” que você se considere, você só é fruto de um contexto socio-histórico-cultural e só está tentando ser aceito - assim como todo mundo. E tudo bem. De verdade.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Desafio do reconhecimento em Sex Education


(Sinopse) Otis, um garoto virgem do ensino médio socialmente desajeitado que vive com sua mãe que é uma terapeuta sexual. Ele se junta a Maeve, que é inteligente e esperta, "para montar uma clínica para lidar com os problemas estranhos e maravilhosos de seus colegas estudantes."

A série se propõe a explorar os aspectos psicológicos de seus personagens, tentando determinar os motivos e impulsos por trás de suas sexualidades. Além disso, a construção de personagens é uma das coisas mais importantes em uma narrativa (geralmente, mais importante do que cenários e a própria trama em si), e em Sex Education Netflix eles foram muito bem trabalhados.

Partindo para análise, é importante ressaltar a situação de um dos personagens, Eric, o melhor amigo gay do protagonista. Eric vive muitos momentos de pouca identificação com outros rapazes homossexuais: a dificuldade de se relacionar com outros gays (não só por ser um mundo em que todos se escondem, mas também porque alguns dos assumidos já entraram numa “panelinha” impenetrável).  Também passa pela infeliz situação do bullying sofrido na escola por causa de seu jeito, além da rejeição/estranhamento familiar, e a dificuldade de encontrar um namorado.


Em uma determinada cena, Eric apanha na rua por causa de sua caracterização de Hedwig. Nos dias seguintes à agressão, Eric passa a se vestir de forma “normal” (roupas não chamativas, dentro do padrão considerado “correto”) e vai se apagando cada vez mais.

A Teoria do Reconhecimento proposta por Hegel, alega  que todo o homem quer ser reconhecido pela sociedade. Porém, alguns podem mudar seu gostos, vivência para tentar se encaixar em um padrão ou grupo social, que infelizmente esse é o caso vivenciado pelo personagem até um certo ponto da série.

Apesar de tudo, em um certo episódio, um homem de unhas pintadas e roupas espalhafatosas pede informações a Eric. Quando Eric vê as unhas azuis, as elogia e sorri. O homem se vai, mas deixa em Eric uma impressão que o modificou, iniciando o processo de cura de sua alma. Ele que nunca tinha achado alguém que o representasse da forma como aquela pessoa, isso fez com que ele voltasse a se sentir confortável mudando totalmente sua forma de viver e a partir dali se sente aceitado da forma que quer ser.

Matheus Victor Duarte Tavares 
99191


Masculinidade Frágil

Masculinidade Frágil

por: Adrielle Mariana - 99210

Já escutou ou foi chamado atenção pelas seguintes frases: "homem não chora", "homem que é homem não expressa sentimento" ou "para de viadagem porque homem de verdade não faz isso", então com certeza você sofreu pela aceitação de ser quem você é, agindo da maneira que se sente bem. O conceito de masculinidade frágil que vemos e até hoje nos deparamos foi algo construído e moldado pela sociedade antiga (patriarcal e machista) baseada na virilidade do homem, e essa virilidade só poderia ser afirmada com valores ou características como: poder, força, ser ativo sexualmente e etc.
Logo todos os homens que não se "encaixam" a isto não é aceito com amor, direito e solidariedade tanto pela família até mesmo pelo grupo de amigo, sendo assim muitos homens tanto antigamente quanto de hoje são pré-determinados a seguir e agir nesse padrão para se sentirem acolhidos pela sociedade. Assim a sociedade foi construída, caso o homem erre na forma de agi, se o mesmo não é considerado "homem de verdade" ou carregue alguma característica feminina ele é mal visto, pouco aceito e todas essas decisões terá consequências, isto ao ver social. Então partindo desse conceito de que o homem para se afirmar como Homem deve se comportar como machão, durão, intimidador, poderoso, gera decepções tanto para o homem que quer provar aquilo quanto para a sociedade que de forma ou outra é afetada, tudo isso influenciado pelo meio social.
Nesse modo nasce figuras e personagens que posa de "macho alfa" e na maioria das vezes é naturalizado, como por exemplo o Billy - da serie Stranger Things - para o mesmo se sentir aceito durante a drama ele se submete à comportamentos hostil e age como superior, mostrando que tudo que é másculo é mais valioso.



Billy - Stranger Things 

Vale lembrar que todo esse comportamento representado por Billy é fruto de uma sociedade retrógada, onde só o homem é "poderoso" associando isso a Teoria do Reconhecimento vemos claramente que naquela situação, o homem para ser visto como másculo o mesmo é coagido a agir de forma como todos enxergam "certo" assim sendo respeitado e aceito na sociedade.
Finalizando o resultado desse comportamento e obsessão por ser aceito e respeitado, são homens emocionalmente retraídos que não conseguem lidar com problemas mínimos de maneira simples sem desempenhar o papel de "macho alfa" causando na maioria das vezes frustações pessoais.




domingo, 25 de agosto de 2019

Virou crime ser hétero

Após receber críticas do atual presidente, séries com temática LGBT foram suspensas. A publicação do mesmo em seu Twitter rendeu milhares de comentários, alguns apoiando a ação e outros condenando-a. A visibilidade LGBT no Brasil tem crescido muito com manifestações, luta por direitos, passeatas, apoio de algumas mídias, artistas, influenciadores, e mesmo assim pessoas de alto cargo no país fazem de tudo para silenciar uma minoria que, como todas, não deve ser calada. Alguns comentários feitos nessa postagem e até em algumas outras são chocantes, algo que quem lê para e pensa "não é possível que alguém pense assim", E É POSSÍVEL!
Os boatos de uma possível "ditadura gay" e "heterofobia" são motivos de piada para muitos, enquanto alguns morrem por serem quem são e lutam pelo direito à viver a própria vida, outros se sentem atacados pelo avanço dessa minoria e se acham no direito de serem intolerantes e preconceituosos, como se a existência de alguém com pensamentos e estilos diferentes fosse inaceitável, digno de punição e morte.


A poucos meses atrás houve uma votação no Supremo Tribunal Federal para decidir se LGBTfobia seria considerado crime de racismo, essa ação que veio como medida protetora causou discórdia e a votação foi adiada várias vezes. "Cidadãos do bem" se manifestaram nas redes sociais de forma intolerante e radical contra essa decisão.

A busca pelo reconhecimento afeta diretamente pessoas do meio LGBT, que buscam pela aceitação através do amor ao serem acolhidos pelos familiares após "saírem do armário", buscam direitos para serem vistos como seres humanos que merecem viver e poder andar pelas ruas sem sentir medo, buscam solidariedade ao não aceitarem que alheios à sua realidade venham a ferir sua honra através de ofensas. Buscam a igualdade, a normalidade, a visibilidade, a vida.
Não se cale.

Ana Luisa Horstt - 99196

sábado, 24 de agosto de 2019

SOFRIMENTO NA ACEITAÇÃO LGBT

Se há um personagem de Riverdale que sofreu mais do que qualquer outro, é Cheryl Blossom de Madelaine Petsch. Após a personagem ter perdido o irmão Jason e o pai Cliffort, Cheryl tentou acabar com sua própria vida no rio Sweetwater. Agora, depois de finalmente se aceitar como bissexual e começar um romance com Toni Topaz (Vanessa Morgan), a mãe maligna de Cheryl, Penelope (Nath

A família que deveria ser uma fonte de apoio para pessoas que sofrem tanto preconceito nas ruas acaba sendo uma das maiores apoiadoras desse tipo de terapia por acreditarem que isso é um desvio de conduta ou até mesmo uma doença que vai se curar com tratamentos de extrema dor física e psicológica.

Aceitar que os filhos têm suas próprias escolhas nem sempre é tarefa fácil para os pais, mas o respeito é necessário para que eles sintam segurança no seio da própria família, se fortalecendo para as batalhas externas que são muitas, pela força do amor incondicional. Existem inúmeros casos de LGBTQs que tiram a própria vida por não se aceitarem e por não serem aceitos dentro de casa e na sociedade, esse problema deve ser resolvido para que menos vidas se percam por um motivo que pode ser conversado e superado quando existe carinho e respeito.

Iasmim Lamounier
ES99209
alie Boltt), decidiu que a pobre garota deveria sofrer mais. No final do "Capítulo 29: Cores primárias", Penelope envia sua filha para as Irmãs da Quiet Mercy por horripilante terapia de conversão gay. A terapia de conversão gay é conhecida por ser ineficaz e dolorosa pois não se pode mudar a sexualidade de alguém, não importa o quanto a dor física e emocional ela seja exposta. Essa “terapia”é discriminação e violência contra a Comunidade LGBTQ + que quando não aceita na sociedade acaba se submetendo a esses tipos de tratamento para serem considerados “normais”.


Evolução e Regresso


Século XXI. Carros elétricos, drone, satélites, smartphones, impressora 3D, robôs e.... cura gay?! 

É espantoso perceber que, enquanto damos grandes saltos na produção tecnológica, continuamos regredidos nos costumes e tradições. Recentemente foi criado um projeto pelo governo brasileiro nomeado de “Cura Gay”. Tal projeto, também conhecido como Terapia da Reorientação Sexual, consiste no conjunto de técnicas que tem o objetivo de extinguir a homossexualidade de um indivíduo a partir de tratamentos de ordem clínica e religiosa. 

Por mais inacreditável que seja esse projeto, sua existência demonstra que ainda vivemos em uma sociedade extremamente retrógrada e opressora. 
Embora o Organização Mundial da Saúde não reconheça a homossexualidade como uma doença, projetos de lei como o apresentado acima fere aqueles que sentem atração por pessoas do mesmo sexo, fazendo com quem não se sintam verdadeiramente parte da sociedade. Esse sentimento pode relacionar-se a Teoria do Reconhecimento.  

Teoria do Reconhecimento, proposta originalmente por Hegel, e inserida na contemporaneidade por Charles Taylor e Axel Honneth, diz que todo o homem que ser reconhecido, aceito e importante dentro da sociedade. Para isso, podem mudar seu gostos, jeitos e sentimentos.  
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Muitos homossexuais tentam esconder e até alterar sua opção sexual, mesmo sendo algo irreal. O filme “Com amor, Simon” traz uma importante reflexão sobre o tema. Simon, um garoto de 17 anos, é gay, porém não conta a sua família e tenta levar uma vida considerada “normal” no ambiente em que está inserido, mas ele não é verdadeiramente feliz. Em sua cabeça há o dilema: manter seu segredo e viver a vida infeliz para ser reconhecido por sua família e amigos, ou libertar-se e contar a todos sobre sua opção sexual?   

Maria Eduarda - 99199