Ao
passarmos de uma sociedade com doenças físicas que preponderaram antes do
século XXI para doenças psíquicas atualmente. Para Han, os males da alma surgem
de um excesso de positividade presente em todas as esferas da sociedade
contemporânea. Nesses discursos, predominam as mensagens de ação produtiva e as
ideias de que todas as metas são alcançáveis. O autor simboliza esse fenômeno a
partir do slogan da campanha presidencial de Barack Obama em 2008: “Yes, we
can” (“Sim, nós podemos”, em tradução livre) e do slogan da Nike, “just do it”
(“simplesmente faça”).
De
acordo com o filósofo, o excesso de positividade presente na contemporaneidade
culmina na criação de uma “sociedade do desempenho”, um cenário em que a
produtividade se torna um norte para os indivíduos. Han afirma que a sociedade
do desempenho seria um contraponto à sociedade disciplinar postulada pelo
filósofo francês Michel Foucault no século 20.
Na
sociedade disciplinar de Foucault, o indivíduo é vigiado constantemente,
estando sujeito às normas locais e às punições decorrentes de qualquer tipo de
desvio de conduta.
Em “Sociedade do cansaço”, Byung-chul Han também argumenta que o excesso de positividade que causa a fadiga geral se manifesta a partir de um excesso de estímulos.
O multitasking, a habilidade de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo, é uma das formas do excesso de estímulos. A principal consequência disso para o autor é a perda do aprofundamento contemplativo do ser humano, com os indivíduos desenvolvendo “uma atenção ampla, mas rasa, que se assemelha à atenção de um animal selvagem”.
A inquietação decorrente do excesso de estímulos gera uma aversão ao tédio na sociedade, criando um cenário em que as atividades são buscadas constantemente. Para Han, o ócio criativo é fundamental para a evolução intelectual da humanidade, nos mais diversos campos.
ICARO RAFAEL MATTA PEREIRA
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